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Nº 24Set. 2010
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Debate entre Ciência e Arte & Design no Ciência 2010
10-07-2010 

 

A investigação existe a três níveis na arte & design e o paralelismo com a matemática é dado pela tecnologia. Há conceitos que isolam a Ciência e a Arte, mas as novas tecnologias digitais estão a alterar a relação.  


Arte, Design e Ciência. Que relação existe? Recorre o cientista à arte e ao design para evoluir no conhecimento? E o artista utiliza os métodos científicos para dar corpo ao objecto a criar? O tema fez parte do Encontro com a Ciência e a Tecnologia 2010, onde Christopher Frayling, do Royal College of Arts do Reino Unido, define as diversas ligações que se encontram entre investigação e a arte & design.

«Há a investigação na arte & design, penso que esta toda a gente percebe, é história, economia, sociologia, psicologia que olham sobre a arte & design e têm uma perspectiva sobre a mesma. A maioria dos livros sobre arte é sobre isso. Essa é a principal», refere o Professor do Royal College of Arts.

E em segundo lugar, acrescenta, «há a investigação através da arte & design, onde se usa materiais ou actividades de arte & design para resolver um problema. Tem um problema, por exemplo, como consigo que metais tenham uma certa cor, como obtenho certos efeitos? E aí usa a arte & design. E aí é através».

Mas para além da arte & design enquanto objecto ou meio de investigação, Christopher Frayling coloca a investigação como meio de chegar à arte, referindo que: «a mais difícil é a própria arte como forma de investigação, onde a actividade de arte ou actividade de design, essa forma muito particular de fazer as coisas, tem uma abordagem particular sobre o problema que acarreta com ela. Portanto, a arte e o design enquanto investigação, já vi exemplos sobre isso mas é muito raro».

O especialista ilustra o estado actual da ligação entre ciência e a arte & design, e recorrendo a Galileu diz: «quando construiu o telescópio foi o Galileu, o artista, a dizer tenho de compreender como desenvolver esta coisa, como construi-lo. E Galileu, o cientista, disse: quero saber o que se vê quando olhar através dele. Para ele foi um diálogo entre a arte e a ciência. E de certa forma penso que perdemos isso na cultura, a arte está numa caixa e a ciência está noutra».

Mas o Encontro com a Ciência e a Tecnologia, ao lançar o debate entre as duas forças criativas, permitiu criar novas telas para outras visões.

«E isso é fantástico porque podemos aprender uns com os outros, penso que a arte & design pode aprender muito com a ciência, mas penso que a ciência pode aprender um pouco com a arte & design».

A arte pode também ser vista através de certas tradições, que Christopher Frayling, ilustra. «Toda a gente pensa que um artista é quente, apaixonado, intuitivo, um pouco louco. È como naquele filme de Hollywood ‘Sede de Viver’ em que Kirk Douglas é Van Gogh, Esse é um fantástico estereótipo. Mas há outras tradições de arte. Artistas conceptuais, artistas livres, artistas digitais, construtivos, até o cubismo é um tipo de esforço intelectual. Em vez de uma perspectiva que sai de si, ter-se várias perspectivas e isso é uma spin-off da Relatividade, isso é uma spin-off de Einstein tornar-se cubista».

Christopher Frayling estabelece um paralelismo entre a matemática e a arte e define a tecnologia como ponte.

«A relação que existe entre a matemática e a arte é interessante porque há uma série de paralelismos e não poucos. Há um certo tipo de pessoas que são muito boas nesses assuntos, fazem-no com certeza, uma forte certeza desde uma idade muito precoce. E eu conheço muitos artistas que com sete anos sabiam que queriam ser artistas e matemáticos que souberam ao sete anos que queriam ser matemáticos. Portanto, há esse paralelismo. Mas há obviamente a ponte entre os dois que é a tecnologia. A tecnologia digital que transforma números em experiências, é a ponte que existe entre a matemática e a arte».

Recorrendo às mais avançadas tecnologias de prototipagem a ligação entre matemática e arte é vista através de um exemplo prático.

«Desenha-se o objecto no ecrã, coloca-se em grelha, coloca-se em três dimensões para se poder ver todas as diferentes faces, liga-se o computador aquilo que parece um microondas e produz um objecto em cera ou resina a partir da informação no ecrã. Por outras palavras, os dígitos transformam-se em desenhos, que se transformam em objectos. Sem que um ser humano lhe toque. Essa é uma relação incrível entre a tecnologia e a arte e vai transformar a forma como ensinamos e investigamos a arte».

A arte como a tecnologia permanecem em mudança e independentemente da ligação entre elas, uma coisa parece ser certa, ambas são produto da criatividade humana.


 
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