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Nº 24Set. 2010
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©ESO
Encontrada estrela 300 vezes maior que o Sol
23-07-2010 11:40

 

Cientistas descobrem estrela trezentas vezes maior que o Sol, mais quente e mais brilhante. Situada a 165 mil anos luz de distância, e fora do nosso Sistema Solar, a R136a1 é a estrela de maior massa conhecida. 


Graças à capacidade dos instrumentos do Very Large Telescope do ESO, astrónomos anunciam ter identificado a maior estrela alguma vez observada. Denominada por R136a1, esta estrela situa-se no enxame R136, nasceu com 320 vezes a massa do sol, mas tem actualmente 265 massas solares.

«Contrariamente aos humanos, estas estrelas nascem muito pesadas e vão perdendo peso à medida que envelhecem», explica Paul Crowther, investigador da Universidade de Sheffield, envolvido no estudo.

O astrónomo adianta que «com um pouco mais de um milhão de anos, a estrela mais extrema, R136a1, encontra-se já na ´meia-idade´ e submeteu-se a um intenso programa de perda de peso, tendo já perdido um quinto da sua massa inicial durante este tempo, o que corresponde a mais de cinquenta massas solares».

A estrela agora identificada se estivesse localizada no nosso Sistema Solar e substituísse o Sol teria um grande impacto na Terra, já que é 10 milhões de vezes mais brilhante que o Sol.

Raphael Hirschi, astrónomo da Universidade de Keele envolvido no estudo, explica que «a elevada massa da estrela reduziria o tamanho do ano na Terra de cerca de três semanas e a Terra seria banhada por radiação ultravioleta incrivelmente intensa, o que tornaria impossível a existência de vida no nosso planeta».

Com base nas observações realizadas com o Very Large Telescope do ESO em conjunto com dados do arquivo do Telescópio Espacial Hubble da ESA/NASA, os cientistas dizem ter analisado e estudado dois enxames estelares jovens – o NGC 3603 e o RMC 136a.

O primeiro enxame estelar, situado a 22 mil anos luz, é caracterizado pelos astrónomos como uma fábrica cósmica onde estrelas se formam a partir de nuvens de gás e poeiras nebulosas. Já o segundo enxame estelar, onde foi identificada a maior estrela conhecida, está situado no interior da Nebulosa Tarântula, na galáxia ´A Grande Nuvem de Magalhães‘, a 165 mil anos luz de distância e é composto por estrelas jovens, quentes e de grande massa.

Os cientistas referem ter encontrado várias estrelas com temperaturas à superficie de mais de 40 mil graus, ou seja, sete vezes mais quentes que o Sol, dezenas de vezes maiores e milhões de vezes mais brilhantes.

No estudo, os astrónomos estimaram também a massa máxima possivel destas estrelas. Olivier Schnurr, investigador do Astrophysikalisches Institut Potsdam explica que «as estrelas mais pequenas têm um limite inferior para a massa de aproximadamente oitenta vezes a massa de Júpiter, limite abaixo do qual se tornam ´estrelas falhadas´ ou anãs castanhas. Os nossos novos resultados apoiam a ideia anterior de que também existe um limite superior para a massa das estrelas, embora os resultados subam este limite de um factor dois, para cerca de 300 massas solares».

Se até agora compreender a formação das estrelas de grande massa era já um exercicio complexo, os cientistas referem que a identificação destas grandes massas solares eleva o desafio posto às teorias.

Sobre a formamção das estrelas de grande massa, Paul Crowther deixa em aberto a hipótese: «ou estas estrelas se formam já muito grandes ou então estrelas mais pequenas fundiram-se entre si para se produzirem». Uma pergunta que vai exigir milhares de horas de observações e cuja resposta se encontrará algures no espaço.


 
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