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Novo gel microbicida eficaz contra vírus da SIDA
23-07-2010 17:09
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Lúcia Vinheiras Alves
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Gel microbicida para mulheres apresenta eficácia na prevenção de infecções pelo vírus da SIDA e Herpes genital. Cientistas indicam que gel poderá prevenir meio milhão de novos casos de SIDA na África do Sul.
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Apesar de em todo o mundo existirem 33 milhões de pessoas que vivem com o vírus da SIDA, um dos casos mais preocupantes verifica-se na África do Sul, onde as mulheres são a população mais afectada com uma em cada três entre os 20 e os 34 anos, infectadas com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).
Para evitar este flagelo, organizações não governamentais e cientistas em todo o mundo têm tentado levar a cabo acções de planeamento familiar, distribuição gratuita de preservativos e até desenvolvimento de novos métodos de prevenção farmacológicos.
Neste último caso os géis microbicidas para mulheres têm-se apresentado como a melhor solução, mas até à data, todas as tentativas de desenvolvimento falharam.
Agora, cientistas do Centre for de AIDS Programme of Research in South Africa (CAPRISA) apresentam os resultados de um estudo clínico que testou um novo gel microbicida para ser utilizado antes e após relações sexuais de risco. De acordo com os cientistas, o gel apresenta-se como uma nova esperança no combate ao Vírus da Imunodeficiência Humana.
Durante três anos, num estudo de grandes dimensões que envolveu 889 mulheres com elevado risco de contrair infecção do vírus da SIDA, na África de Sul, os cientistas testaram o gel microbicida com acção anti-VIH em metade das mulheres e um gel placebo noutra metade.
De acordo com os cientistas, o gel microbicida apresentou uma eficácia de 39% na redução do risco das mulheres serem infectadas pelo VIH durante relações sexuais de risco.
O novo gel contém 1% de tenofovir – um medicamento antiretroviral normalmente utilizado num cocktail de comprimidos no tratamento contra a SIDA. «O gel Tenofovir pode vir a preencher um vazio importante existente na prevenção do VIH ao proteger as mulheres que são incapazes de negociar uma fidelidade mútua ou o uso de preservativo com os seus parceiros», refere Quarraisha Abdool Karim, um dos investigadores principais do estudo e Director Associado do CAPRISA.
O especialista refere ainda que «esta nova tecnologia tem o potencial de alterar o curso da epidemia do VIH, especialmente na África do Sul onde as mulheres jovens suportam o peso desta doença devastadora».
A inovação do gel Tenofovir assenta no facto do gel evitar que o VIH cresça dentro das células humanas. Mas para além dos bons resultados que o gel apresentou na prevenção da infecção pelo VIH, este mostrou também ser 51% eficaz na prevenção de infecção pelo Vírus do Herpes Simplex tipo 2 (herpes genital).
«O gel Tenofovir tem um potencial efeito duplo na prevenção do VIH. Dado que as mulheres com herpes genital são mais propensas a ficarem infectadas com o VIH e a protecção adicional do gel Tenofovir contra o herpes cria um segundo mecanismo no qual o gel pode ter um maior impacto na prevenção do VIH», explica Salim Abdool Karim, Director do CAPRISA e um dos principais autores do estudo.
«Os resultados do estudo são um primeiro passo significativo para estabelecer a efectividade dos medicamentos antiretrovirais para a prevenção do VIH e do vírus do herpes genital. Estudos de confirmação são agora necessários com urgência», afirma o especialista.
O gel está indicado para ser inserido dentro do tracto genital feminino doze horas antes da relação sexual e logo após a mesma. Uma metodologia de aplicação que merece algumas críticas por não ser muito prática e por ter levantado problemas em mulheres envolvidas no estudo.
Os resultados demonstram que a eficácia aumentou à medida que o uso do gel foi sendo mais recorrente, já que as mulheres que usaram o gel em mais de 80% das relações sexuais apresentaram 54% de redução do risco de infecção por VIH, enquanto que as que usaram menos vezes o gel apresentaram uma diminuição de 28% do risco de infecção.
Até que o gel possa estar no mercado e antes da aprovação pelas autoridades reguladoras do medicamento vai ser necessário a realização de mais testes clínicos para avaliar a eficácia e segurança do Tenofovir em gel. Os cientistas prevêem que este é um processo que pode demorar ainda dez anos, mas não duvidam que é uma nova esperança de combate ao VIH.
«Esta é a primeira evidência que um medicamento antiretroviral em forma de gel – um microbicida – pode reduzir a infecção pelo VIH e herpes genital nas mulheres», refere Ward Cates, Presidente da organização Family Health Information (FHI) e acrescenta que «o próximo passo é ver se outros estudos que estão a decorrer confirmam estes entusiasmantes resultados».
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