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Nº 24Set. 2010
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Centro Champalimaud aposta na investigação de translação
28-07-2010 
Lúcia Vinheiras Alves
 

Centro de Investigação Champalimaud quer ser um laboratório de investigação de excelência pioneiro na translação da investigação para a prática clínica. O Centro será inaugurado a 05 de Outubro de 2010.  


Portugal vai estar em breve dotado de um centro de investigação de translação nas áreas do Cancro e das Neurociências. O Centro de Investigação Champalimaud, da Fundação Champalimaud, instalado em Lisboa, é um centro onde a investigação científica e a prática clínica se vão conjugar para avançar no diagnóstico e tratamento do cancro e de doenças como Alzheimer ou Parkinson.

«Esta casa vai permitir fazer investigação em termos inovadores, investigação sobre o cancro para que possamos melhor prevenir e tratar os doentes de cancro. Vamos fazer aquilo a que se chama investigação de translação», afirma Leonor Beleza, Presidente da Fundação Champalimaud e acrescenta que esta investigação baseia-se no «trabalho feito entre investigadores e médicos que procuram em conjunto encontrar soluções para aqueles que sofrem de uma doença, que para todos nós é alguma coisa que tememos que nos aconteça».

O facto do Centro de Investigação Champalimaud ter como principal objectivo a investigação de translação é uma característica que o torna único em Portugal e raro no mundo. É esta a ideia de Raghu Kalluri, um conceituado cientista norte-americano, que assume agora o cargo de Director do Centro de Cancro Champalimaud.

Em relação ao Centro «somos um local único no mundo neste momento, queremos que todos os médicos sejam também investigadores. Portanto, quaisquer médicos que sejam para aqui contratados terão de passar 50% do tempo a ver pacientes e 50% do tempo a fazer investigação. Isto é algo de único. No mundo ou há pessoas a fazer investigação ou há pessoas a ver pacientes. Nós queremos que os nossos médicos sejam também investigadores».

Uma filosofia de translação na qual o Centro se baseia e que para o cientista será fundamental para os portugueses. «Acreditamos que os doentes em Portugal vão beneficiar com isto, porque se os médicos também fizerem investigação, serão os mesmos que estão a tentar encontrar cura para o cancro. Portanto, consultar um médico assim é muito bom porque vai estar consciente de todas as últimas novidades que há para tratamento», explica.

Também Fátima Cardoso, oncologista-médica voltou agora para Portugal, após vários anos em Bruxelas. A especialista que vai gerir a Unidade de Cancro da Mama do Centro Champalimaud explica que «aquilo que me levou sair de Portugal foi poder fazer ambas as coisas, investigação e tratar os doentes», e conta que quando lhe explicaram qual era a filosofia deste projecto «fiquei evidentemente muito interessada em poder fazer este tipo de trabalho no meu país».

A cerca de dois meses da data prevista para inauguração do novo edifício do Centro Champalimaud (05 de Outubro de 2010), o Primeiro-ministro, José Sócrates visitou as instalações e mostrou-se muito satisfeito com a iniciativa da Fundação Champalimaud construir um centro de investigação de excelência em Portugal.

«A Fundação Champalimaud tem um papel a desempenhar no sistema científico português. Nós temos feito um longo caminho nos últimos anos relativamente à aposta na ciência. A verdade é que todos os indicadores são hoje encorajadores para Portugal», afirmou José Sócrates no final da visita às instalações, acrescentando que apesar dos avanços «temos um longo caminho pela frente».

O Primeiro-ministro afirmou ainda: «tenho bem consciência que é nestes domínios que se disputa o futuro – a aposta na ciência. É por isso que a Fundação Champalimaud é tão bem vinda. Veio no momento exacto, em que precisávamos de um ‘plus’, de um empurrão, de algo mais sobre a ciência portuguesa. E por isso estamos aqui também para vos dizer que contarão com o Estado português ao vosso lado na promoção científica e naquilo que é a vossa ambição – criar um laboratório internacional que compita com o melhor que há no mundo».

Uma ambição que está agora a tomar forma com a contratação de recursos humanos especializados. Leonor Beleza explica que neste processo «procuramos os melhores, a nossa ambição é fazer investigação científica de excelência. É para isso que este Centro existe».

A Presidente da Fundação explica que na área «das Neurociências, já temos a trabalhar connosco mais de setenta cientistas, que neste momento estão alojados no Instituto Gulbenkian de Ciência. Mudarão para aqui quando o edifício estiver pronto. Mas é um Programa que está em pleno desenvolvimento. Teremos dez equipas a funcionar até ao fim do ano, cerca de cem pessoas nessa altura».

Centro Champalimaud aposta forte no combate do cancro

Na outra área de actividade do Centro Champalimaud, o Cancro, Leonor Beleza explica: «existem três laboratórios associados nos EUA a trabalhar connosco, essas pessoas são já investigadores Champalimaud» e «estamos neste momento a recrutar médicos/cientistas».

No total, o Director do Centro de Cancro Champalimaud, Raghu Kalluri explica à TV Ciência que o objectivo é constituir dez a doze grupos de investigação na área do cancro. Neste momento, «estamos muito activos na contratação de pessoas» e «o meu objectivo é que nos próximos meses tenhamos uma equipa nuclear para começarmos o trabalho clínico e também o trabalho de investigação».

O investigador acrescenta ainda que «inicialmente vamos investigar cancro da mama, da próstata, gástrico e do cólon e também cancros reprodutivos, um pouco no cancro do cérebro e cancro do pulmão. Estes são os cancros em que nos vamos focar porque são aqueles que se espalham muito no corpo».

Cancros metastáticos que serão a área de enfoque do Centro, já que como explica o Director, «aquilo que mata os pacientes é na verdade os cancros que se espalham. Oitenta por cento dos pacientes com cancro morrem porque este se espalha por todo o corpo. E por isso queremos especializar a investigação para saber porque se espalha e sobre como podemos controlar a proliferação e como podemos tratar as pessoas que têm já cancro por todo o corpo».

Ainda na área da investigação «queremos que o Centro de Cancro Champalimaud seja um dos melhores sítios do mundo a fazer ensaios clínicos para novos medicamentos», afirma Raghu Kalluri e explica que «as pessoas em Portugal vão beneficiar dos últimos medicamentos existentes no mundo que vão ser aqui testados num formato de ensaio clínico».

Para além da investigação, Leonor Beleza refere que o Centro está preparado para receber pacientes com cancro, disponibilizando «serviços de prevenção, rastreio e tratamento do cancro em quase todas as situações, nomeadamente, em todos os cancros que são mais frequentes».

Apesar do edifício do Centro Champalimaud ser inaugurado a 05 de Outubro de 2010, o Centro, que conta já com um investimento de 100 milhões de euros por parte da Fundação, só estará operacional no final do primeiro trimestre de 2011.


 
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