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Nº 23Jul. 2010
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Jornal da Ciência
24-11-2006 18:00
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Agência de Avaliação de Qualidade do Ensino Superior; Novo Centro Ciência Viva em Sintra; Cidades da CPLP em exposição do Instituto de Investigação Científica Tropical; Cancro é a segunda causa de morte em Portugal, e outros temas.

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Portugal terá nova Agência de Avaliação de Qualidade do Ensino Superior

Independência limitada, falta de eficiência e consistência operacional e ausência de consequências nas instituições de ensino superior após avaliações, são algumas das fraquezas apontados pela Rede Europeia para a Garantia da Qualidade no Ensino Superior ou ENQA, após um ano de avaliação ao ensino superior português.

A pedido do Governo, a ENQA elaborou um relatório onde identifica os grandes problemas no ensino superior nos últimos 10 anos e propõe a criação de uma nova Agência Nacional de Garantia de Qualidade do Ensino Superior, que substitua o actual Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior ou CNAVES.

Um conselho que foi criado em 1994 e constituído por representantes das instituições de ensino superior, o que limitou a sua independência e actuação: «O ponto que defendemos no nosso relatório é em primeiro lugar focado na independência e como apresentamos no nosso relatório o assunto refere que o sistema do CNAVES não tem sido prosseguido com trabalho suficientemente independente», afirma Christian Thune, Presidente da ENQA.

A nova Agência proposta pela ENQA deve funcionar em estreita ligação com o Governo mas mantendo a independência necessária. Para isso deve reger-se pelas melhores práticas europeias: «Penso que o que é necessário neste país é ter uma agência nacional muito forte que seja acompanhada por orientadores envolvidos credíveis, justos e compreensíveis nas suas operações. Portanto, os desafios que vejo para o Governo de Portugal é a definição desta organização para a tornar forte e representativa da diversificada comunidade do Ensino Superior e dar-lhe os meios, não só financeiros mas também em termos do profissionalismo necessário para fazer isto, de forma que corresponda aos standards europeus e em campos que penso que são a ambição do governo português: ser capaz de dizer que o ensino superior neste país atinge os termos de qualidade e está ao nível internacional», refere o especialista.

Com a criação da nova agência nenhuma instituição de ensino superior em Portugal poderá recusar a avaliação. Isto porque a agência terá ainda o papel de atribuir acreditações aos cursos das universidades: «Essa combinação é essencial para que se meçam as consequências. Uma instituição em que a avaliação recomenda que ela deixe de ser autorizada a fornecer determinados graus em determinadas disciplinas (licenciaturas, mestrados, doutoramentos), nesta ou naquela área, deixará de ser acreditada para isso durante o período que for necessário», explica Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

A nova agência de garantia de qualidade, a arrancar em 2007, vai ter um custo anual de 2 milhões de euros. Um valor inferior aos 3 milhões de euros do custo anual do CNAVES: «O sistema que agora é proposto é um sistema, por um lado, muito mais eficiente, muito mais internacionalizado e que sobretudo se baseia na criação de competência técnica própria na agência. Não teremos uma agência que seja meramente um repositório de conselhos que entram e saem e desaparecem», refere Mariano Gago e adianta que, «para que a agência de controlo de qualidade garanta ao país que os 100 milhões de euros ou que o 1% ou 1,1% do PIB dos nossos impostos que vai para o ES é bem aplicado e redunda numa boa qualidade de formação dos nossos estudantes».

Feita a proposta da criação da nova agência e anunciado o seu arranque para 2007, o responsável pelo relatório da ENQA acredita que os impactos deste processo no ensino superior vão ser visíveis ao fim dos próximos 5 anos: «Se fosse o Governo português, provavelmente, diria a mim próprio: estamos em 2007, vamos dar 5 anos. Após 5 anos, de acordo com os standards europeus, a nova agência deve ser objecto de revisão sistemática, feita por uma autoridade externa. Portanto, isso leva-nos a 2012 e esse deve ser o momento de perceber se a agência correspondeu às tarefas, não só em termos desenvolvimento de processos de organização, mas também em termos de perceber o seu impacto em termos de valor acrescentado visível no Ensino Superior. Essa é a parte mais importante disto tudo e, como disse, penso que um período de 5 anos deve ser suficiente para obter um indicador de confiança, não que atingimos o que deveríamos mas que estamos no caminho».

A nova agência de Garantia de Qualidade surge numa altura em que o ensino superior sofre fortes transformações pela implementação do processo de Bolonha e por uma nova política orçamental.

Novo Centro Ciência Viva em Sintra

No inconsciente de cada um de nós há segredos que não conhecemos. Poderá a imagem de um cemitério mexer mais com as nossas emoções do que uma medonha aranha? Para quem quer descobrir, a resposta está no mais recente Centro de Ciência Viva em Sintra.

Quais as leis da ciência que estão por detrás das artes do circo, como se utiliza o poder da água para produzir energia ou onde são os locais mais quentes do nosso corpo. São algumas das propostas do novo espaço ciência Viva em Sintra, para crianças e adultos descobrirem o corpo humano, a água e as artes circenses, através uma série de módulos interactivos e divertidos.

A antiga garagem dos Eléctricos em Sintra alberga agora o mais recente Centro Ciência Viva, o 13º de uma vasta rede nacional, construída nos últimos 10 anos: «Criar uma rede de centros CV distribuída não era uma escolha óbvia. A escolha mais simples era a de criar dois centros, um no Porto e outro em Lisboa, junto de grandes aglomerações populacionais e com forte concentração universitária e científica à volta e esperar que todos se movessem para estes centros», refere Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e adianta que, «não foi essa a nossa opção, a nossa opção foi conciliar a necessidade de ofertas de centros Ciência Viva de grande dimensão junto do litoral e dos grandes centros urbanos, com participação nacional nesses centros e não apenas localizadas nessas cidades, das Universidades e centros de investigação na sua oferta, mas sobretudo criar ai uma oferta fortemente internacionalizada e criar no resto do país, centros de CV que fossem por si só, não sucursais de outro, mas que valessem por si».

A percentagem de jovens que enveredam pelos caminhos da ciência e da Tecnologia tem vindo a aumentar nos últimos anos e neste crescimento as mulheres começam a destacar-se: «A promoção da cultura científica nesta matéria (…) ciências da vida e da matéria», explica o Ministro.

Mas, apesar dos desafios já ganhos, surgem outros para vencer, defende Mariano Gago: «O primeiro desafio está ganho (…) com outras entidades e outras instituições», para além disso, «devo transmitir-vos esta ambição (…) entre cientistas e não cientistas».

O centro de ciência viva de Sintra nasce da parceria entre a Agência Ciência Viva, a Faculdade de Engenharia da Universidade Católica e a Câmara Municipal de Sintra. Um centro com vista à promoção da cultura cientifica junto da população naquela região: «Este centro tem entre outros objectivos esse (…) essa cultura cresça e se desenvolva», refere Braga da Cruz, Reitor da Universidade Católica.

Fernando Seara, Presidente da Camara Municipal Sintra refere ainda, «hoje a inovação e o conhecimento marcam presença em Sintra (…) tão atractivo!».

De portas abertas ao público, o Centro Ciência Viva de Sintra, apresenta-se como um espaço cultural em que a história se cruza com a ciência.

Cidades da CPLP em exposição do Instituto de Investigação Científica Tropical

São cidades dos vários cantos do mundo retratadas por diversos pintores, imagens que nos fazem viajar no espaço e no tempo, por mar ou por terra, transportando-nos às antigas colónias portuguesas, hoje territórios dos 8 Países que falam a Língua Portuguesa.

‘Cidades da CPLP - Gravuras do Arquivo Histórico Ultramarino’ é o título da exposição composta por algumas das imagens que fazem parte do álbum, com o mesmo nome, oferecido aos chefes de estado na Cimeira da CPLP em Bissau, na ocasião do 10º aniversário da comunidade.

«Antes de tudo releva a importância do AHU, em Portugal, onde está um conjunto documental bastante vasto acerca das antigas colónias portuguesas e onde também tem um acervo iconográfico, cujo a expressão talvez mais bela se encontra aqui neste momento nesta exposição. (…)avaliar o percurso que se conseguiu fazer ao longo dessa mesma história», refere Daniel Pereira, Encarregado de Negócios da Embaixada de Cabo Verde.

Para a CPLP, a exposição é um exemplo da estreita ligação cultural dos oito países e uma oportunidade para dar a conhecer um património comum: «Penso que o facto de apresentarmos ao público uma série de imagens, que foram ao longo dos séculos retratando uma realidade própria dos nossos países, (…) acabaram por dar origem à comunidade», explica Luís Fonseca, Secretário Executivo da CPLP.

Uma exposição que nasce da parceria entre a CPLP e o IICT, no âmbito da Iniciativa Portuguesa para a preservação do património: «O instituto está na origem daquilo que se decidiu chamar Iniciativa portuguesa (…) a cooperação entre a CPLP e o IICT», refere o Secretário Executivo.

Após 10 anos de existência, para além de estar presente em várias áreas, a CPLP é hoje interveniente activa em várias organizações internacionais, reforçando a cooperação entre os países da comunidade e o mundo: «Permitiu consolidar as relações de amizade que entretanto se criaram (…) agenda internacional», explica Luís Fonseca e adianta que, «por outro lado, falaria por exemplo nas diversas iniciativas (…) Enfim, uma série de acções conjuntas».

Mas há desafios que continuam a persistir. Para além da distância territorial entre os vários estados da CPLP, existe uma grande diferença ao nível do desenvolvimento económico: «A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é constituída por 8 países (…) dessas diferenças», afirma o Secretário Executivo da CPLP.

A exposição Cidades da CPLP poderá ser visitada até 21 de Março de 2007, no Palácio dos Condes da Calheta, no Jardim Tropical em Lisboa.

Cancro é a segunda causa de morte em Portugal

Vinte e dois mil, setecentos e onze portugueses foram vítimas de cancro no ano de 2003. Dados apresentados no 6º Congresso Nacional de Enfermagem Oncológica, em Oliveira de Azeméis, indicam que destes 14% morreram afectados pelo cancro do cólon e recto, 13,9% devido ao carcinoma nos pulmões, 1% com cancro no estômago e 7% com cancro da mama.

Os especialistas indicam ainda que a maior percentagem de cancro na população portuguesa se verifica nos distritos de Beja, Setúbal e Lisboa. Para além disso, as estatísticas revelam que o cancro em Portugal pode aumentar mais 20% até 2020.

Identificada possível origem do cancro do cólon e recto

Células estaminais específicas estão na origem do cancro do cólon e do recto, anunciam cientistas canadianos na revista Nature. Um novo avanço, que de acordo com os especialistas, pode abrir portas para o desenvolvimento de novas intervenções terapêuticas.

No estudo, os cientistas do Hospital Rainha Margarida, em Toronto, no Canadá, revelam ter provas que evidenciam existir um número limitado de células estaminais que podem dar origem ao cancro do cólon e recto. Os especialistas introduziram células cancerígenas em ratos de laboratório, entre as quais estariam algumas estaminais, e verificaram que, as últimas, é que activavam o desenvolvimento do cancro.

Ao identificarem a origem da doença, a probabilidade de desenvolver novas terapias eficazes aumenta exponencialmente. Um avanço que poderá ter um grande impacto, já que o cancro do cólon e recto é um dos mais comuns e mortais nos países desenvolvidos.

Variações no genoma humano são maiores do que se pensava

Apesar da sequencia do genoma humano estar descrita há cerca de 6 anos, altura em que os cientistas anunciavam que todos os humanos teriam uma cadeia de letras de ADN 99,9% idêntica, sendo que o restante 0,1% era a percentagem que nos distinguia uns dos outros tornando cada ser único, agora cientistas do Wellcome Trust Sanger Institute em Cambridge, no Reino Unido, identificaram grandes partes do genoma humano que é diferente de indivíduo para indivíduo.

O estudo publicado na revista científica Nature, indica que estas diferenças ou variantes do número de cópia, ajudam a explicar porque certas pessoas podem ser portadoras de uma, duas ou três cópias de um segmento de ADN ou ter ausência completa do mesmo, o que está relacionado com a tendência para certos indivíduos desenvolverem determinadas doenças e outros não.

Com base nas diferenças encontradas no genoma de 270 pessoas com origem na Europa, Africa e Ásia, os cientistas fizeram os cálculos e indicam que o DNA de uma pessoas é provavelmente 99,5% idêntico ao de outra pessoa apesar de acreditarem que a percentagem de diferenças é muito maior.

Maior imén supercondutor do mundo está a funcionar

CERN consegue pôr o maior íman supercondutor do mundo a funcionar á primeira tentativa. Baptizado com o nome de Barrel Toroid, este íman tem a capacidade de produzir um campo magnético poderoso o suficiente para o desenvolvimento de experiências no Atlas, um dos maiores detectores de partículas que está a ser desenvolvido na Organização Europeia para a Investigação Nuclear.

Juntamente com outros ímens, o Barrel Toroid vai permitir mudar a direcção de partículas com carga produzidas em colisões do Large Hadron Collider, que começará a funcionar em 2007. Isto vai permitir que o ATLAS encontre respostas a questões como: Porque razão têm as partículas massa e do que é feito os 96% do Universo ainda desconhecido.

Cientistas identificam o gene que transporta nutrientes no trigo

O trigo é genericamente utilizado em todo o mundo para a alimentação, mas os cientistas sabem que ao longo do tempo com a intervenção do homem através do cruzamento das espécies, o trigo foi perdendo características nutricionais. Cientistas da Universidade da Califórnia examinaram 90 variedades de trigo mais comum e identificam a mutação que reduz a quantidade de proteínas, zinco e ferro na semente.

No estudo apresentado na revista científica Science, os cientistas cruzaram trigo selvagem e trigo de cultivo e dizem que obtiveram uma espécie com maior nível de micronutrientes e aumentaram em 10% o valor proteico do mesmo. Uma descoberta que pode ajudar a reduzir deficientes alimentares, devido à ausência de nutrientes, em 2 biliões de pessoas no mundo.

 
 

 
               
 
 
   
 
  Comparticipado pelo Instituto de Investigação Científica Tropical Projecto apoiado pelo Programa Operacional Sociedade do Conhecimento Projecto Co-financiado pela UE - FEDER