Nº 24 Set. 2010
Ciência Listar Noticias Comentar Enviar Notícia Versão Impressão
Televisão
Notícias
Tecnologia
Ciência
Cultura
Entrevistas
Telejornais
Cartoteca
Iconoteca
Documentários
Histórico de Edições
Arquivo de Vídeo
Manuscritos
Vídeo Memória
Broadcasters
Newsletter
Prémio Pulido Valente reconhece avanços na área da Doença de Alzheimer
18-12-2009 15:11
 
© TV Ciência
Prémio Pulido Valente distingue trabalho na área da Doença de Alzheimer. A vencedora é uma investigadora do Instituto de Biologia Molecular e Celular, do Porto, por desvendar o mecanismo utilizado por uma proteína, que é capaz de destruir ou prevenir as placas prejudiciais que se criam no cérebro e que levam à morte dos neurónios. Uma investigação fundamental que pode abrir portas para futuras terapias.
O Cérebro humano baseia-se numa complexa mistura de químicos e processos eléctricos, que nos permitem falar, andar, ver, pensar e lembrar.

Para isso, o cérebro opera uma vasta rede de comunicações, constituída por mil milhões de células nervosas, os neurónios.

Dentro desta rede, mensagens químicas ou neurotransmissões, passam em fracções de segundos de um neurónio para outro. Uma carga eléctrica viaja até ao final do neurónio, resultando no envio de mensagens através de vários caminhos.

A Doença de Alzheimer interrompe este sistema de sinalização e os principais responsáveis são duas estruturas anormais: as placas de amilóide e as tranças neurofibrilares.

As placas são constituídas por beta-amilóide, uma molécula tóxica que tem origem numa proteína normal…

...E algo leva a que certas enzimas cortem esta proteína. Os fragmentos de beta-amilóide passam então a amontoar-se em nocivas placas.

Já as tranças são formadas a partir de alterações na proteína Tau. Normalmente, a Tau estabiliza a estrutura interna de apoio dos neurónios.

Mas na Doença de Alzheimer, as alterações provocam um emaranhamento dos fios da Tau que danifica as partes criticas do sistema de transporte do neurónio, levando-o à morte…

À medida que a doença de Alzheimer progride, morrem cada vez mais neurónios. O cérebro encolhe e a memória é perdida.

Hoje, a investigação permite saber mais sobre o desenvolvimento das placas e das tranças e começar a desvendar os segredos da Doença de Alzheimer.

Rita Costa, investigadora do Departamento de Neurobiologia Molecular, do Instituto de Biologia Molecular e Celular, no Porto, é uma das cientistas que se tem dedicado a compreender a Doença de Alzheimer.

O foco de atenção da cientista é a Trastirretina ou TTR, uma proteína que apresenta uma acção protectora contra a doença de Alzheimer. A acção verifica-se quando a TTR se liga ao péptido beta-amilóide – o agente que se pensa responsável pela criação de lesões cerebrais:

«Foi observado que a Transtirretina era capaz de se ligar às fibras que causam a doença de Alzheimer e essa ligação, impedia ou prevenia a toxicidade dessa proteína, e ao prevenir a toxicidade, previne também ou retarda a doença de Alzheimer», afirma Rita Costa, Investigadora IBMC, Porto.

Sobre o péptido beta-amilóide os cientistas já possuem algum conhecimento.

«Fisiologicamente, existe o Péptido A-Beta, em todas as pessoas, mas é mais comum existir em maior quantidade o Péptido A-Beta 40, com 40 aminoácidos. Mas o A-Beta 42, que é com 42 aminoácidos, é muito mais insolúvel e, por isso, tem tendência a agregar, tornar-se insolúvel e é isso que causa a formação das fibras e a formação de placas a nível dos neurónicos, a nível do Hipocampo e do Córtex», explica Rita Costa, Investigadora IBMC, Porto.

O péptido beta-amilóide está incluído numa proteína maior denominada por Proteína Precursora da Amilóide ou APP. No entanto, sofre a acção de enzimas proteases, ou seja, das enzimas gama e beta secretases, que cortam o péptido que depois é libertado para fora da célula, acumulando e formando placas senis.

«E haver acumulação desse Péptido nessa zona, os neurónios são degenerados, portanto morrem, e ao serem destruídos, afecta a zona da memória, e a zona da cognição, por isso é que o Alzheimer, está associado a uma falta de memória», refere Rita Costa, Investigadora IBMC, Porto.

Agora Rita Costa propôs-se identificar o mecanismo utilizado pela proteína transtirretina, que se sabe também protease, ou seja, que tem capacidade de cortar outras proteínas.

Mas a cientista sabe já que esta proteína não só tem a capacidade de cortar o péptido, tal como outras enzimas, como tem a característica de o cortar em pedaços mais pequenos.

«A proteína estaria a clivar as fibras do Alzheimer, portanto, o Peptido beta-amilóide que forma tipo agrega e forma essas tais fibras, na presença da TTR essas fibras, ou o monómero - a unidade que causa essas fibras, iam diminuindo e iam aparecendo picos novos, que indicariam a presença de fragmentos mais pequeninos. Portanto, a transtirretina estaria a clivar o péptido em fragmentos mais pequenos e menos tóxicos», explica Rita Costa, Investigadora IBMC, Porto e adianta «E esses pequenos fragmentos são menos tóxicos que a proteína inteira, que as fibras inteiras. E ao ser menos tóxico a doença, poderá ser benéfico para o retardar da doença».

Conhecimento que poderá vir a abrir portas para possível utilização da Transtirretina para prevenir a acumulação de fibras do beta-amiloide no cérebro.

«A maior conclusão do trabalho foi nós começarmos a perceber, porque razão, a transtirretina, é que tinha um papel benéfico na doença de Alzheimer. Essa, é o ponto nº 1 do trabalho. Em termos futuros, é tentar perceber se isso acontece também em animais, porque o estudo foi desenvolvido, portanto in-vitro, num tubo de ensaio. O próximo passo seria passar para estudos animais, para ver se a transtirretina, continua a ter essa capacidade de clivar o Péptido», afirma Rita Costa, Investigadora IBMC, Porto.

Num cérebro sem Alzheimer as células não possuem qualquer domínio KPI. Um domínio que inibe a acção das proteínas cortantes.

Na presença da doença de Alzheimer, verifica-se existir um pequeno domínio KPI na proteína precursora da Amilóide.

A cientista verificou que em situações de doença de Alzheimer, e face à presença do domínio KPI, a TTR deixa de cortar os fragmentos e verifica-se a acumulação de fibras, levando à morte das células.

A importância do trabalho da cientista para os avanços na compreensão da doença de Alzeimer foi reconhecida com o Prémio Pulido Valente Ciência 2008 – Neurociências e Aplicações Clínicas.

O prémio no valor de 10 mil euros foi entregue a Rita Costa no Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior na presença do Ministro Mariano Gago.

Prémio, instituído pela Fundação Professor Francisco Pulido Valente e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

                    Topo  
                Comparticipado pelo Instituto de Investigação Científica Tropical Projecto apoiado pelo Programa Operacional Sociedade do Conhecimento Projecto Co-financiado pela UE - FEDER
A TV Ciência Estatuto Editorial Emissão Contactos Ajuda Imprensa © Copyright Publicidade Ficha técnica