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IPATIMUP quer apostar em investigação mais aplicada à saúde das populações |
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21-12-2009 16:21
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| © TV Ciência |
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É um dos mais importantes laboratórios de investigação e diagnóstico de doenças oncológicas de nível mundial, situa-se em Portugal e comemora 20 anos de existência de reconhecido sucesso na investigação científica. O IPATIMUP, no Porto, é uma referencia no modelo de abordagem cientifica que utiliza, mas reconhece que há ainda muito a fazer para que o desenvolvimento de conhecimento, ou a ciência que se faz no laboratório, possa chegar mais rápido e com beneficio às populações.
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É no norte de Portugal, na cidade do Porto, que se situa um dos centros de investigação de topo internacional nos domínios da oncologia.
O Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto ou IPATIMUP tem já 20 anos de existência e é uma marca distintiva no panorama da ciência.
«O que distingue é fundamentalmente o tema, porque nós temos uma concentração muito grande no Cancro e na Genética Populacional, enquanto que a maioria das instituições de investigação em Portugal, como representaram extensões das universidades ou das faculdades, são muito mais fragmentárias», afirma Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
O IPATIMUP é reconhecido em todo o mundo pelas abordagens científicas centralizadas num determinado alvo, uma condição que leva 33 países a submeter mais de 650 casos de cancro ao estudo dos cientistas, em Portugal.
«Do ponto de vista da investigação, nós centramos só praticamente na investigação das causas, de novo, interacção genético-ambiental do cancro do estômago, da tiróide e da mama. Só recentemente é que começamos a fazer cancro do intestino. Nós não escolhemos estas coisas, porque nos apetece. É porque, ou representam problemas da sociedade portuguesa ou fomos desafiados por gente que tinha aqueles problemas. Temos apesar de tudo, uma lógica do lado da procura», explica Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
Outra particularidade do IPATIMUP é a parceria com os Hospitais, fornecendo mesmo, serviços de diagnóstico oncológico.
«Nós estamos a resolver problemas de diagnóstico e de prognóstico no Cancro. E aí nós respondemos a perguntas, que são perguntas de clínicos e são através de todos os cancros, ou quase todos. Temos cancro no estômago, temos cancro na tiróide, temos cancro na mama, temos cancro no intestino, temos leucemias, porque são respostas de natureza profissional», refere Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
Cada um dos serviços de diagnóstico prestado pelo Instituto é um verdadeiro projecto de investigação onde trabalham grupos altamente especializados.
Uma ligação entre serviços de diagnóstico e investigação, que tornam o IPATIMUP numa referência mundial.
«Nós passámos a ser um centro referência mundial para estas áreas. E eu recebo, eu faço cerca de 200, 300, 400, varia de ano para ano, casos de consulta, casos de cancro da tiróide, difíceis para todo o mundo. Fátima Carneiro faz para o estômago, o Fernando Schmitt, faz para a mama. Portanto, nós recebemos, muitos casos de todo o mundo, muito difíceis, que depois agente incorpora na nossa investigação», adianta Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
Se uma das características dos cientistas é a persistência na descoberta do que se mantém desconhecido. A qualidade de um centro de investigação pode ser medida pela incessante objectividade com que coloca todos os avanços científicos alcançados.
«A gente não tem conseguido transformar essas descobertas, no diagnóstico, certo tipo de cancros, de certos grupos populacionais, em instrumentos para desenhar terapêuticas específicas, para essa gente. Mas nós agora gostávamos de ir mais longe. Quer dizer, nós não podemos ficar o resto da nossa vida a descobrir as causas do cancro e o diagnóstico precoce, a gente gostava de tratar as causas do cancro e o diagnóstico, quer dizer, e as pessoas. E aí não temos conseguido. Se eu tiver que identificar a nossa maior fragilidade, é a dificuldade de transformar o nosso conhecimento científico, que foi muito bom, nestes últimos anos, em valor acrescentado», afirma Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
Mas o passo seguinte poderá não estar dependente dos centros de investigação, mas limitado pela fragilidade de outros, como a pequena dimensão da indústria nacional.
Portanto, nós temos um problema em Portugal gravíssimo, que é da fragilidade do tecido empresarial. Nós temos poucas empresas de Biotecnologia, temos poucas empresas farmacêuticas», explica Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
Com o objectivo de interligar os avanços científicos ao mundo empresarial, o IPATIMUP integra o Pólo de Competitividade em Saúde que envolve empresas, municípios, universidades e outros centros de Investigação.
Mas o IPATIMUP possui agora novo desafio, ao fazer parte do consórcio I3S que envolve o Instituto de Biologia Molecular e Celular e o Instituto de Engenharia Biomédica. Um consorcio de laboratórios na área da saúde, com o objectivo de aumentar sinergias.
«Em termos internacionais, não tenha dúvida, é massa crítica. É termos 600 investigadores na área das Ciência da Saúde, muitos deles de primeira categoria. Portanto, nós temos capacidade de atrair estudantes de doutoramento e pós-doutoramento estrangeiros. Em termos internacionais é massa crítica. A gente atinge massas críticas que são competitivas em termos internacionais. Em termos nacionais, é sobretudo a procura das sinergias», refere Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
Parcerias que definem a estratégia futura do IPATIMUP, mas onde se mantém o objecto e o modelo de investigação.
«A grande aposta é continuar a fazer investigação, a partir de problemas de doentes, que nós temos e que tem o S. João e que tem o IPO. O que agente gostava era de poder em articulação com gente de investigação mais básica, e é aí aonde entra o I3S, e em conjunto com as empresas, e é aí que entra o Health Cluster Portugal, o Pólo de Competitividade em Saúde. As descobertas que a gente faça poderem ser testadas em modelos experimentais e depois darem hipóteses de desenvolvimento ou de produtos de diagnóstico, ou de alvos terapêuticos, ou de modelos para tratamento», adianta Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP.
O IPATIMUP conta com 176 investigadores que, para além da investigação científica, ainda orientaram em 2008, 12 doutorandos e produziram 96 artigos científicos publicados nas revistas de topo mundial.
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