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Portugueses estão a desenvolver novo analgésico com apoio da Comissão Europeia |
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24-11-2009
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| © TV Ciência |
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Cientistas portugueses lideram investigação para o desenvolvimento de novo medicamento para a dor e que também apresenta efeitos neuroprotectores em doenças como Parkinson e Alzheimer. O projecto para o novo analgésico envolve parcerias entre centros de investigação e a indústria nacional. A qualidade do projecto foi reconhecida pela Comissão Europeia, que lhe atribui um financiamento de 659 mil euros.
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Desenvolver um fármaco para terapia de uma determinada doença, é uma longa etapa que envolve investigação em diversas vertentes.
Depois de décadas após o aparecimento do último analgésico, uma equipe coordenada por Miguel Castanho, da Unidade de Bioquímica Física, do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, está empenhada em dar passos científicos para que surja um novo medicamento para a dor.
«Recentemente não tem havido o aparecimento de novos fármacos, isso é um problema grande para estratégias de combate à dor. Isso é tanto mais importante quanto doenças como o cancro tendem a ser combatidas e as pessoas tendem a viver cada vez mais numa situação de doença ou com SIDA, em que a longevidade vai aumentando e é preciso controlar a dor para aumentar a qualidade de vida dos pacientes», afirma Miguel Castanho, Investigador Coordenador Bioquímica Física, do Instituto Medicina Molecular, Lisboa.
O investigador Português e uma vasta equipa de parceiros académicos e industriais, estão a trabalhar, com base numa molécula identificada há 30 anos, numa forma de administração da molécula endógena com efeitos analgésicos.
«Ela inicialmente foi detectada em mamíferos, creio que no sistema nervoso central de bovinos. Veio depois a encontrar-se em muitos outros animais e nós próprios temos esta molécula na sua forma original, tal como foi estudada pelos investigadores japoneses e temos no nosso sistema nervoso central. Portanto, é um analgésico que nós próprios usamos naturalmente para o controlo da dor, porque nós temos os nossos próprios analgésicos», explica Miguel Castanho, Investigador Coordenador Bioquímica Física, do Instituto Medicina Molecular, Lisboa.
Uma vez identificada a molécula que actua directamente no cérebro, a questão colocada era encontrar como administrá-la para que fosse eficaz.
«Essa molécula, infelizmente, injectada na corrente sanguínea não tinha qualquer efeito, isto é, não conseguia passar da corrente sanguínea para o cérebro. A nossa inovação foi ir buscar o que já se sabia dessa molécula, que entretanto tinha caído no esquecimento, alterá-la e fazer as modificações certas para que ela conseguisse passar da corrente sanguínea para o cérebro. E esse foi o factor que despoletou todo o processo, porque conseguimos provar que, de facto, este conceito funciona. Conseguimos provar, que de facto, a molécula leva a uma analgesia quando é injectada na corrente sanguínea», refere Miguel Castanho, Investigador Coordenador Bioquímica Física, do Instituto Medicina Molecular, Lisboa.
Um passo importante na investigação - vencer a barreira que impedia a molécula de chegar ao cérebro.
«Consiste em aumentar a interacção da molécula com as paredes dos vasos sanguíneos que existem no cérebro. Portanto, aumentando essa interacção acaba por passar da corrente sanguínea para essa parede e da parede depois para dentro do tecido nervoso», adianta Miguel Castanho, Investigador Coordenador Bioquímica Física, do Instituto Medicina Molecular, Lisboa.
Esta molécula em investigação poderá vir a concorrer com a morfina, pois apesar de não ser tão potente, espera-se que tenha menos efeitos secundários.
«A morfina é digamos assim o padrão de nível máximo, quase que se consegue de analgesia, é muito potente enquanto analgésico, tem uma série de efeitos secundários indesejáveis, portanto, é bom ter uma alternativa à morfina. Comparativamente com a morfina, nós temos uma molécula que é menos potente que a morfina, cerca de 4 a 5 vezes menos potente que a morfina, mas sem os efeitos associados à morfina», afirma Miguel Castanho, Investigador Coordenador Bioquímica Física, do Instituto Medicina Molecular, Lisboa.
Para além dos efeitos analgésicos, a molécula já patenteada pela empresa portuguesa de biotecnologia farmacêutica, Bioalvo, mostrou efeitos surpreendentes na terapia das doenças de Alzheimer e Parkinson.
«A acção de neuroprotecção está demonstrada em determinados testes in vivo. É mais difícil fazer testes in vivo para doenças neurodegenerativas do que, por exemplo, para a dor. A molécula, até agora, só foi testada in vitro e foi testada em plataformas, portanto, em testes estabelecidos e já validados, já certificados, para um determinado efeito neuroprotector e, portanto, nestes testes que são padrão, que são certificados e que estão validados, a molécula ‘comporta-se bem’ e, portanto, deu positivo», explica Miguel Castanho, Investigador Coordenador Bioquímica Física, do Instituto Medicina Molecular, Lisboa.
A qualidade da investigação e as expectativas que surgem com a nova abordagem de estudo da molécula reúne cinco parceiros, académicos e industriais. Um trabalho reconhecido com o prémio Marie Currie, no âmbito da acção ‘Parcerias e Diálogo Indústria/Centros de Investigação’ da União Europeia.
«No final, o que é que este projecto prova também? É que de facto em Portugal, as Universidades se actualizam e são dinâmicas e que já existe um sector industrial que é capaz de aproveitar as oportunidades. Isto foi reconhecido pela Comissão Europeia e foi reconhecido pela Comissão Europeia em processo de competição aberta por toda a Europa», refere Miguel Castanho, Investigador Coordenador Bioquímica Física, do Instituto Medicina Molecular, Lisboa.
Reconhecimento, que leva a Comissão Europeia a financiar em 659 mil euros o desenvolvimento da investigação que conduza a um possível fármaco de duplo efeito: analgésico e neuroprotector.
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