Nº 24 Set. 2010
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Cientistas portugueses revertem evolução genética em moscas
14-12-2009 09:53
 
© TV Ciência
Se voltássemos a viver nas condições de um passado longínquo, como seria a nossa adaptação? Cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência estão a estudar a teoria da evolução genética reversa. E ao utilizarem populações de moscas num regresso a ambientes ancestrais, verificaram que há uma evolução nos genes aproximando-as da informação genética de moscas ancestrais.
É conhecido que ao longo dos tempos se verifica nas espécies biológicas uma evolução genética. Uma evolução que se sabe ser dependente de vários factores.

É esta evolução genética que cientistas do Grupo de Genética Evolutiva, do Instituto Gulbenkian de Ciência está a estudar.

No estudo, partiram da mosca Drosophila Melanogaster também conhecida por mosca da fruta, e concluíram que, há populações de moscas que se adaptam a novos ambientes através de evolução reversa.

«Conseguimos reverter nalgumas mas não noutras. Portanto, essa reversão que foi medida através de taxas de convergência para o estado ancestral, foi diferenciada de acordo com a história evolutiva. Nalgumas populações houve uma reversão completa para o estado ancestral, num período de tempo curto, noutras houve uma reversão, mas num período de tempo mais alargado e noutros ainda, não houve reversão alguma ou houve uma reversão menor», afirma Henrique Teotónio, Invest. Coordenador do Grupo de Genética Evolutiva, IGC.

Os cientistas submeteram quatro populações de moscas a diferentes ambientes. O objectivo, foi fazer recuar as moscas 50 gerações e medir a adaptabilidade através da reprodução.

«O que nós vimos é que depois deste processo de selecção inicial e de reversão, elas tinham o mesmo sucesso reprodutivo como as ancestrais que nunca saíram de lá. Portanto, esse era um facto de que nós partíamos. O que nós nos apercebemos é de que forma, a nível genotípico, se processa essa readaptação ou essa adaptação no novo ambiente. E o que nós vimos é que para alguns casos, essa adaptação passava por uma regressão, uma alteração das frequências alélicas. Noutras, nem tanto. Portanto, dai o significado de haver algumas alterações que têm maior importância ou não, têm maior efeito, ou não», explica Ivo Chelo, Investigador do Grupo de Genética Evolutiva, IGC.

O estudo baseou-se numa análise dos dois braços do cromossoma III, através da técnica de genotipagem. Os cientistas verificaram haver em alguns casos alteração na frequência de alelos, ou seja, na posição que certos genes ocupam no cromossoma.

«O que chegámos às conclusões era um bocado aquilo que já tínhamos visto a nível das características visíveis, dos fenótipos. É que também a nível genótipico existe para já aquilo que parece ser uma selecção quase generalizada na maior parte dessas posições e, por outro lado, existe uma grande reversão aos estados ancestrais em que elas se encontravam desde o início», refere Ivo Chelo, Investigador do Grupo de Genética Evolutiva, IGC.

Os cientistas verificaram que todas as populações se adaptaram ao ambiente ancestral: umas recorrendo à quase completa reversão genética, enquanto outras não.

É ao verificar esta dualidade de resposta das populações de moscas, que os cientistas se questionam.

«Essa é se calhar uma das grandes questões que surge deste estudo. Se bem que em termos teóricos, de alguma forma era uma hipótese. O que nós pensamos é que de facto existem os alelos e estes no DNA nem sempre têm o mesmo efeito ao nível das populações», afirma Ivo Chelo, Investigador do Grupo de Genética Evolutiva, IGC e adianta «Poderá ser interacção entre genes, poderá ser…simplesmente, o que nós estamos a dizer, é que o efeito que aquele alelo tem não é sempre o mesmo. Isso pode depender do meio ambiente (que neste caso sabemos que era um ancestral), ou aquilo que agora vamos investigar, que é simplesmente, porque é que aquele alelo está no genoma, que também isso contribui com efeitos».

O estudo levanta aos cientistas ainda mais questões do que respostas.

Será a evolução apenas numa direcção? A evolução reversa parece dizer que não.

E existirá uma memória histórica escondida no genoma, que se revela quando necessária?

Os resultados da investigação com moscas parecem apontar para essa existência.

Passos, que a ciência vai dando na descoberta da capacidade de sobrevivência das espécies.
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