Nº 24 Set. 2010
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Cientista português faz avanços na forma de controlar tipo de vírus do herpes
10-12-2009 13:28
 
© TV Ciência
Carga viral do herpes no organismo pode depender da forma como o sistema imunitário reconhece o vírus. Esta é a conclusão a que chegou Luís Simas, que investiga um dos tipos de vírus do Herpes, o Epstein-Barr. Vírus que pode estar na origem de linfomas. O investigador do IMM verificou que basta um pequeno fragmento proteico viral, entre vários, para o sistema imunitário controlar a infecção, isto caso o reconheça.
Dado que este reconhecimento depende do património genético de cada um, os novos conhecimentos poderão ajudar a desenvolver uma terapia sobre as células infectadas, que não apresentam o fragmento viral.

O herpes labial é de entre os herpes, o mais conhecido e tem uma grande prevalência em Portugal.

No entanto, estão identificados 8 tipos de vírus do herpes, tornando-se uma doença viral altamente contagiosa.

Sem tratamento eficaz o herpes continua a ser uma área de investigação para muitos cientistas, como é o caso de Luís Simas, do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa.

Mas agora, este investigador abre novas portas para a compreensão do mecanismo do vírus.

«Nós sabemos, por exemplo, e é senso comum, que no caso do Herpes Simplex, que é um vírus que infecta o epitélio oral ou genital e que estabelece uma latência em neurónios sensoriais, que estímulos, como por exemplo, o stress, os raios ultra-violetas quando se vai para a praia no inicio do Verão reactivam o vírus. Mas não se percebe porque reactivam nalgumas pessoas e noutras pessoas não reactivam», afirma Luís Simas, Investigador da Unidade de Patogénese Viral, IMM.

Partindo deste pressuposto o investigador considera haver pistas para compreender a forma como o vírus actua no organismo.

«O que nós conseguimos com isto, foi em termos de prova de princípio, conseguimos demonstrar um princípio que basta um pequeno fragmento viral entre vários, entre dezenas de fragmentos virais, para o sistema imunológico controlar a infecção», explica afirma Luís Simas, Investigador da Unidade de Patogénese Viral, IMM e adianta «Talvez uma das explicações. Não estou a dizer que é a única, mas é uma das explicações para haver pessoas com carga viral alta e com carga viral baixa, tenha a ver com a forma com que o sistema imunológico vê o vírus e reconhece o vírus».

Usando ratinhos de laboratório e o vírus Epstein-Barr, um vírus que pode estar na origem de linfomas. Que é um tipo de cancro caracterizado pela proliferação exagerada de linfócitos ou glóbulos brancos - células B ou T, ou seja, que está directamente relacionado com a carga viral de cada indivíduo.

Os investigadores verificaram que as células T de certos ratinhos conseguem reconhecer uma pequena região proteica do vírus e, perante isso, actuar controlando a infecção.

«O que acontece é que para o nosso organismo perceber se uma célula está infectada por um vírus ou não, se as nossas células B e células T perceberem isso, tem de haver um sinal da célula infectada a mostrar ao sistema imunológico que está infectada. E isso é feito de uma forma muito elegante, através de determinadas moléculas que funcionam como receptores, que quando vão para a superfície celular levam em si, carregadas, pequenos fragmentos de proteínas virais e são esses pequenos fragmentos de proteínas virais que no contexto desta molécula da célula que está infectada são reconhecidos pelas células T», refere Luís Simas, Investigador da Unidade de Patogénese Viral, IMM.
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