 |
|
|
 |
 |
|
|
 |
Investigadora portuguesa faz avanços na compreensão do vírus da SIDA |
 |
04-12-2009 16:36
|
|
 |
|
 |
|
| © TV Ciência |
|
Nem sempre um sistema imunitário mais activo apresenta mais benefícios para o indivíduo. Este é um principio que se aplica aos doentes com SIDA, já que quanto mais activo se encontra o sistema imunitário mais rápido o vírus prolifera. Agora, uma cientista do Instituto de Medicina Molecular em Lisboa chega à conclusão que existe uma proteína no invólucro do VIH, tipo 2, com maior capacidade de suprimir as células de defesa do organismo do que no tipo 1.
|
 |
Um avanço que poderá vir a contribuir para reduzir a progressão da infecção em doentes com SIDA.
A SIDA e principalmente o Vírus da Imunodeficiência Humana ou VIH é uma das doenças que vem sendo estudada há dezenas de anos por muitas equipas de cientistas em todo o mundo. Cientistas como Rita Cavaleiro, investigadora do Instituto de Medicina Molecular em Lisboa.
«A infecção pelo VIH caracteriza-se por uma perda progressiva de linfócitos TCD4, que são células muito importantes para o desenvolvimento de uma resposta imunitária. No fundo, elas orquestram a resposta imunitária através da secreção de determinadas substâncias que vão promover a função de outras células. E o que acontece na infecção pelo HIV ou VIH, é uma diminuição progressiva ao longo dos anos dessas células e a partir de um determinado limite abaixo do qual, surgem sintomas e critérios que definem SIDA», afirma Rita Cavaleiro, Investigadora, IMM, Prémio Pfizer 2008.
Para compreender porque o VIH2 é menos patogénico que o VIH1, a cientista estudou as proteínas dos invólucros.
«Essas proteínas sabe-se que por si só, pelo menos no HIV-1 (estava descrito) que tem efeitos imuno-regulatórios, portanto, de outras células do sistema imunitário, podem alterar as funções de outras células do Sistema Imunitário, independentemente da infecção. Então, nós colocámos a hipótese de que estas proteínas poderiam ter efeitos distintos também no sistema imunitário e foi esse o objectivo do trabalho», explica Rita Cavaleiro, Investigadora, IMM, Prémio Pfizer 2008.
E a conclusão foi que a proteína do invólucro do VIH-2 que é menos patogénico, tem uma maior capacidade de suprimir as proliferação das células T do que a proteína do invólucro do VIH-1.
«Isto à partida parece um paradoxo, mas na realidade tendo em conta o que hoje sabemos sobre esta infecção, sabemos que a activação do sistema imunitário é um factor determinante para que ocorra essa perda progressiva dos linfócitos TCD4. De modo que, termos descoberto uma proteína mais atenuada, essa proteína é mais imunossupressora, na realidade pode ser algo que nós consideramos que poderá ser benéfico para o indivíduo, no sentido de diminuir essa activação do sistema imunitário que estes indivíduos apresentam», refere Rita Cavaleiro, Investigadora, IMM, Prémio Pfizer 2008.
Uma estratégia passa então por diminuir a activação do sistema imunitário e as células infectadas deixam de proliferar tão facilmente, ou seja, o vírus não se replica com tanta rapidez.
Para além disso, a cientista chegou à conclusão que este efeito imunossupressor depende ainda do contacto das células T com outras células de primeira linha de defesa do organismo - os monócitos.
«Descobrimos que a proteína GP105 do HIV-2 é capaz de induzir a sinalização via uma molécula expressa na proteína do TELR4, desculpe, numa molécula que se chama TELR4, expressa nos monócitos. Portanto, essa proteína no fundo é um receptor. É no fundo, uma das moléculas mais utilizadas pelos monócitos para reconhecer microrganismos nessa primeira linha de defesa», adianta Rita Cavaleiro, Investigadora, IMM, Prémio Pfizer 2008.
Apesar deste resultado, desconhece-se ainda o mecanismo através do qual os monócitos induzem a imunossupressão. No entanto, estas são já conclusões que podem abrir uma nova linha de investigação para o desenvolvimento de terapêuticas.
«Porquê? Porque sabemos que os monócitos têm um papel importante nesta supressão induzida pela tal GP105 do HIV-2 e, portanto, uma vez compreendido esse mecanismo, arranjar alvos que nós possamos atingir, no fundo em termos de manipulação do sistema imunitário, para conseguir desenvolver uma terapêutica com o objectivo sempre final de diminuir a activação linfocitária e dai diminuir a activação generalizada do sistema imunitário e, dessa forma, diminuir a progressão, o ritmo da progressão pela doença», afirma Rita Cavaleiro, Investigadora, IMM, Prémio Pfizer 2008.
O trabalho de Rita Cavaleiro em conjunto com outros cientistas da Unidade de Imunologia Clínica, do Instituto de Medicina Molecular, foi reconhecido com o Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2008.
|
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
 |
|
 |
 |
 |
|