Nº 24 Set. 2010
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Homens portugueses têm ascendência genética judaica e norte-africana
27-11-2009 
 
© TV Ciência
Judeus Sefarditas e povo norte-africano deixaram a passagem pela Península Ibérica marcada na genética dos actuais homens ibéricos. Esta raiz genética é muito superior à que os historiadores vêm defendendo, já que consideram que a Inquisição terá apagado grandemente a presença destes povos na Península Ibérica. Agora, testes de genética demonstram que, em Portugal, 20% dos homens tem ascendência judaica e 10% norte-africana.
Por estas terras da Península Ibérica andaram celtas, tartessos, fenícios, cónios, ibérios, visigodos, suevos, árabes, romanos e muitos outros povos.

No homem ibérico ficaram traços, de uma ascendência, visível na cor dos olhos, tez e até em outros aspectos físicos.

Procurar a ascendência do homem ibérico pode ser um percurso na história, mas é também um trabalho científico assente nas modernas análises do ADN.

Utilizando as modernas técnicas científicas, uma equipa de investigadores internacionais, incluindo investigadores portugueses do Instituto nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, seguiram o ADN da população masculina ibérica e descobriram os principais ascendentes.

«Verifica-se que em média, cerca de 30% das linhagens masculinas, dos homens portugueses, descendem de não ibéricos. E estes 30% estão, digamos, repartidos em 20% de ascendência judaica sefardita e 10% de ascendência norte-africana», afirma João Lavinha, Investigador, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Mas esta ascendência não é uniforme ao longo do país, variando com a zona geográfica de origem.

«Cerca de 15% dos homens do Sul de Portugal têm um ascendente norte-africano, enquanto no Norte apenas 10%. Quanto à ascendência judaica, é uma diferença também no mesmo sentido, mas com números mais altos, uma vez que no sul de Portugal é, de resto, o ponto da Península Ibérica com maior proporção de linhagem masculina de sefarditas com 35% - o que é 1/3 dos homens do sul, que terão um ascendente judaico sefardita - enquanto no norte de Portugal apenas 25%», explica João Lavinha, Investigador, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

O estudo que cobriu toda a Península Ibérica dá uma visão da actual diversidade genética do homem ibérico.

É no país Basco onde se verifica um menor contributo de outras ascendências, prevalecendo o homem ibérico.

No gráfico, as áreas a verde representam as percentagens de ascendência de judeus sefarditas. Notando-se uma maior prevalência no sul de Portugal.

As áreas, a azul representam a percentagem da ascendência marroquina ou norte-africana.

Para chegar a estas conclusões, os cientistas basearam-se no estudo genético do cromossoma Y, ou seja, aquele que define a linhagem parental.

«Portanto, o que o estudo do cromossoma Y nos permite saber, é se os homens de hoje derivam realmente de um homem tipo ibérico, tipificado nos bascos. Se derivam de um tipo norte-africano, tipificado nos marroquinos ou derivam de um tipo sefardita tipificado naquela amostra um pouco heterogénea», refere João Lavinha, Investigador, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Os cientistas analisaram 30 marcadores específicos ou polimorfismos no cromossoma Y, em grupos de homens por zonas geográficas de origem, o que permitiu desenhar uma árvore filogenética.

«São simples mudanças de uma base do DNA, por isso, chamamos mesmo que são polimorfismos de nucleótido simples, em inglês, single nucleotide polymorphism. Portanto, são substituições, por exemplo, de uma timina por uma adinina, ou de uma simples sintosina por uma guanina. São simples mudanças de uma base que nós somos capazes de detectar facilmente, analisando a sequência do DNA e que definem os vários grupos de cromossomas Y que existem», adianta João Lavinha, Investigador, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Uma árvore que dá luz sobre algumas das hipóteses defendidas por historiadores.

Estes, vinham defendendo que a influencia dos judeus sefarditas e do povo norte-africano seria muito baixa.

Agora, o estudo demonstra uma incidência maior e desta forma permite questionar, qual foi o verdadeiro impacto da expulsão de judeus sefarditas no período da Inquisição.
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