Nº 23 Jul. 2010
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O Corpo Humano como nunca o viu
05-05-2007 
 
© TV Ciência
Está na altura de pensar e até de ver… ‘O corpo humano como nunca o viu’. Chegou a Portugal a exposição internacional que apresenta ao público espécimes humanas reais.
Nascemos, vivemos e morremos! Uma realidade que não seria possível sem o corpo. Se nunca parou para pensar nisto, talvez tenha chegado a altura de se questionar porque dizem que o mais precioso que temos na vida é a saúde.

Está na altura de pensar e até de ver… ‘O corpo humano como nunca o viu’. Chegou a Portugal a exposição internacional que apresenta ao público espécimes humanas reais. Sim… cadáveres de pessoas que viveram na China e porque nunca foram reclamados, foram cedidos para beneficio da ciência e do saber.

Dezassete corpos e 250 fragmentos e órgãos espalham-se por várias galerias, onde se pode observar ao detalhe e na realidade o sistema nervoso, o esqueleto, o sistema muscular, respiratório, digestivo, entre outros, que constituem o corpo humano.

O corpo na mais crua perspectiva: saudável ou doente. Uma exposição que promete mudar os hábitos e a forma de encarar a vida: «Temos casos em que as pessoas deixam de fumar quando vêm o que os cigarros fazem aos pulmões e depois com o tempo pararam de fumar. As pessoas tomam decisões de alterações de estilo de vida depois de verem a exposição. As pessoas não se apercebem na realidade do que podem fazer aos seus corpos. Ninguém pode cuidar melhor de nós do que nós próprios e se não se tomarem maiores cuidados com o corpo, a qualidade da vida começa a diminuir. Por isso, quando as pessoas vêm e vêem os efeitos de fumar, de uma dieta inapropriada, felizmente aprendem e percebem que podem mudar e quando tomam essas decisões, o corpo ficará saudável e serão muito mais felizes», explica Roy Glover, da Comissão Cientifica Internacional.

Francisco José de Castro e Sousa, da Comissão Cientifica Nacional acrescenta que: «Não só o tabaco, mas fundamentalmente o tabaco exerce uma acção muito lutéria sobre os pulmões e sobre as vias respiratórias em geral. Na realidade ele vai-se acumular ao nível dos tecidos e vai condicionar, não só, este aspecto que é completamente diferente de um pulmão normal, mas também uma alteração muito importante de função, prejudicando de forma significativa uma das funções que é essencial à vida, a chamada hematose. Em que o oxigénio, que é preciso a todas as nossas células para que elas possam viver, seja aspirado pelo organismo e depois trocado por dióxido de carbono, que se mantiver em excesso no nosso organismo acaba por nos levar à morte».

Os corpos humanos para serem expostos, foram conservados através de técnicas que assentam na travagem da decomposição, dissecados e imersos em acetona para perder a água que possuem e após desidratados colocados num polímero de silicone e selados numa câmara de vácuo que lhes atribui este aspecto … tão real.

Tudo aqui é verdadeiro, até os órgãos que demonstram o impacto dos maus hábitos e as consequências das doenças: «Tudo o que vê é real. Quando vê uns pulmões negros nós não pusemos o negro nos pulmões, o negro estava lá, o negro é do alcatrão do fumo do tabaco que se acumula nos pulmões e interfere com a capacidade do pulmão transferir o oxigénio. Quando o sangue não consegue obter oxigénio, todos os tecidos precisam de oxigénio para viver, então o coração é afectado, o sistema digestivo, os rins, tudo é afectado. Portanto, o que vêem aqui é autêntico e real. Pensamos que essa é a melhor forma das pessoas entenderem, não só como o corpo funciona mas também verem o impacto das doenças no corpo», afirma Roy Glover.

Nesta exposição os visitantes têm também a oportunidade de ver qual a consequência do acidente vascular cerebral – a principal causa de morte em Portugal: «Trombose ou ataque é o que chamam os portugueses em geral e que é a causa mais importante de morte em Portugal. Causa que em grande parte é evitável se na verdade tivermos um hábito de vida saudável, exercício físico que é particularmente importante, minorando efectivamente a possibilidade de um acidente destes ocorrer». «é esta zona escura que estamos a ver. No meio da substância cerebral, que tem uma cor mais clara, e que significa uma zona de necrose, aquela zona deixou de funcionar e efectivamente vai traduzir-se por perturbações ao nível da nossa locomoção, da nossa capacidade de raciocínio, do nosso equilíbrio, depende da localização da zona morta do cérebro», explica o especialista português.

Uma exposição polémica por utilizar cadáveres de pessoas que viveram na China e que alguns acusam a companhia organizadora de violação dos direitos humanos por utilização dos corpos sem autorização prévia.

«Tudo isso é pura especulação porque nós trabalhámos na China e as pessoas acusaram-nos de sermos parte do problema e não parte da solução. Nós podemos garantir ao público português que a Premier Exhibitions é uma empresa que obtém os corpos de forma legal, dentro das leis nacionais e internacionais, preparamo-los de uma forma muito digna e agora trouxemo-los para cá para os colocar em exposição para as pessoas virem, verem e aprenderem», afirma Roy Glover.

«Obviamente que só aceitei integrar a Comissão Cientifica quando fiquei tranquilo em relação a que todos os aspectos legais e éticos relacionados com a obtenção destes espécimes humanos estavam de acordo com a ‘legisartis’. E isso tranquilizou-me no sentido de poder sugerir às pessoas que venham aqui e que se sintam enriquecidas, porque eu penso que ninguém sairá daqui na mesma. Toda a gente sairá com um conhecimento muito mais completo desse tal capital fantástico, a ‘jóia da coroa’ que nós temos, que é o nosso organismo, e vai tratá-lo de certeza muito melhor no futuro», afirma Francisco José de Castro e Sousa.

Também em termos pedagógicos a exposição vem oferecer uma perspectiva completamente diferente. Tudo, porque ‘o corpo não mente’: «Vamos também apercebermo-nos das consequências dos comportamentos irregulares e porventura da forma dos evitar ou de os detectar como, por exemplo, alguns cancros em fases muito precoces. O cancro do pulmão de que falávamos, uma tosse seca, a presença de sangue na expectoração devem-nos levar imediatamente ou médico ou se possível evitarmos de fumar porque senão o risco de o termos serão muito menores. Mas mesmo que possamos ter um cancro se o detectarmos numa fase precoce ele é curável. E se nós, nesta exposição, percebermos melhor onde estão os órgãos, qual o seu funcionamento, quais as suas relações, vamos seguramente ter também consciência que podemos recorrer ao conselho médico antes que as coisas se desenvolvam e vamos até tratar eventualmente lesões que vão dar cancro, que ainda não são cancro mas que vão dar cancro. Ou então apanhar situações de cancro precoce que curam na quase totalidade dos casos, evitando só vir a descobri-los muito mais tarde em que as possibilidade de êxito terapêutico, apesar dos progressos da medicina, são muito menores», explica o especialista português.

‘O corpo humano como nunca o viu…’ já foi visitado por mais de 3 milhões de pessoas em cidades como Nova Iorque, Washington, Amesterdão ou Londres. Agora, está patente, entre Maio e Setembro, no Palácio dos Condes do Restelo, em Lisboa.

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