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Gago Coutinho: o Navegador e cientista do século XX |
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20-02-2009 15:27
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| © TV Ciência |
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Gago Coutinho nasceu há 140 anos e faleceu há 50 e para homenagear o cientista, a Sociedade de Geografia de Lisboa, para além de uma sessão solene com a presença do Presidente da Republica, apresenta numa mostra vários objectos pessoais do Almirante. Famoso pela primeira Travessia aérea do Atlântico Sul, Gago Coutinho é recordado principalmente pelos trabalhos geodésicos e cartográficos desenvolvidos em Angola, Moçambique e Timor e como cientista inovador que marcou o século XX.
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Esta é a notícia que em 1922 volta a pôr Portugal no centro da atenção mundial – a primeira Travessia aérea do Atlântico Sul, realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral no hidroavião Lusitânia.
Gago Coutinho, nascido a 17 de Fevereiro de 1869, mantêm-se no imaginário dos portugueses como figura histórica pelo espírito aventureiro, mas deixa-nos um legado muito mais importante graças ao espírito inovador e de cientista multifacetado que marcou o século XX português.
«Gago Coutinho foi o primeiro entre nós a destacar o papel de engenheiro geógrafo, considerando ser o mesmo passo a citar ‘necessário à tarefa geográfica secular que temos diante de nós’. O engenheiro geógrafo é, sobretudo, um especialista do domínio do posicionamento. A sua melhor qualidade técnica é a de se saber onde se está com precisão infinitesimal. Eis uma qualidade unanimemente reconhecida ao almirante Gago Coutinho: ele sempre soube onde estava e sempre soube qual o seu destino», afirma Cavaco Silva, Presidente da Republica.
É desta forma que Cavaco Silva recorda o grande navegador e cientista, na sessão solene do Cinquentenário da morte de Gago Coutinho, realizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa.
Uma sessão em que o Almirante foi recordado, principalmente pelo legado científico que deixou em áreas tão diversas como a geografia, geodesia, cartografia, na marinha e na aeronáutica.
«Gago Coutinho foi um homem de facto notável, foi um oficial da armada, foi oficial da marinha, mas é um indivíduo com uma grande base fundamentalmente de matemática, de geografia-matemática, de astronomia», explica Luís Aires de Barros, Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, e adianta «Foi para as antigas colónias e foi para as missões geodésicas e cartográficas e teve papel importantíssimo na delimitação de fronteiras. Entre os dois Timores, na altura, Timor português e Timor indonésio, depois em Moçambique e depois em Angola em várias regiões de Angola no Norte e depois também no Leste».
Levantamentos cartográficos de elevada precisão, hoje instrumentos relevantes nas políticas geográficas dos novos países de língua portuguesa.
Com meios relativamente rudimentares, realizou prodígios de exactidão. A sua primeira obra como engenheiro geógrafo, realizada em Timor nos últimos anos do século XIX, foi recentemente utilizada, com grande proveito, na demarcação da fronteira entre a República Democrática de Timor-Leste e a República da Indonésia», refere Cavaco Silva, Presidente da República.
Ao longo da vida, Gago Coutinho dedicou-se à cartografia e geodesia, mas também à marinha e mais tarde à navegação aérea, adaptando instrumentos e realizando complexos cálculos, em que confiou a própria vida e a de Sacadura Cabral, na Travessia do Atlântico Sul.
«No avião à noite não tinham horizonte, portanto, ele inventou um horizonte artificial para adaptar ao sextante, inovação esta que nunca foi patenteada», afirma João Pereira Neto, Director do Museu da Sociedade de Lisboa e adianta «Na fase final da viagem entre Cabo Verde e os Penedos, são 1700 Km com pouca gasolina, com pouco combustível, eles chegaram lá com dois a três litros. Os cálculos foram absolutamente exactos, de certo modo Gago Coutinho jogou a vida na exactidão dos seus cálculos e provou que o seu método era perfeitamente viável».
O Almirante Gago Coutinho lega à Sociedade de Geografia de Lisboa um vasto espólio, incluindo dinheiro e títulos com que é atribuído o Prémio Gago Coutinho.
Um prémio que este ano reconhece o trabalho de re-demarcação da fronteira de Timor-leste, com recurso às novas tecnologias.
«Explicando de uma maneira resumida, há uma parte em que se faz uma análise dos métodos aplicados e das consequências disso para a actualidade. Depois há uma outra parte do trabalho em que é feita uma análise utilizando inteligência artificial, utilizando sistemas de informação geográfica, de caracterização de uma fronteira, no sentido de perceber onde é que há potencial litigio, onde é que há potencial de atravessamentos ilegais, isso já orientado para a gestão da fronteira», explica João Matos, Prémio Gago Coutinho 2009.
Uma Mostra de objectos pessoais, fotografias, obras sobre navegação e cadernos de anotações do Almirante Gago Coutinho está patente na Sociedade de Geografia de Lisboa – onde é possível conhecer o aventureiro, mas acima de tudo, o cientista.
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