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Animais vivos mais venenosos do mundo estão em Alcochete |
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17-12-2009 15:43
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| © TV Ciência |
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Exposição Veneno traz ao Freeport de Alcochete 27 espécimes dos animais mais venenosos do mundo. Aranhas, escorpiões, serpentes, víboras ou até sapos e rãs podem ser visitados até Janeiro.
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Esta é a Cascavel diamante ocidental albina com nome científico Crotalus atrox albina. Esta é uma centopeia. Aqui uma rã. Este um lagarto e esta uma aranha. São alguns dos 27 espécimes animais vivos que podemos ver em exposição.
Todos estes animais possuem uma das mais potentes armas de defesa e ataque – o veneno. Uma arma que é usada apenas como último recurso.
«Todos os animais venenosos não mordem com facilidade, não desperdiçam o seu veneno facilmente. Na maioria dos casos avisam, como no caso das serpentes e das cobras que se levantam ou as cascavéis que se movem como cascavéis ou as víboras sopradoras que sopram, antes de morderem, de se defenderem, de inocular o veneno. Avisam primeiro porque para eles é um bem precioso e não o desperdiçam facilmente», explica Alessandro Alviani, Director Técnico da Exposição ‘Veneno’.
É o caso desta víbora, a Bitis gabónica ou Víbora do Gabão. «Pode chegar quase até aos dois metros e com um peso de 15 quilos, mais ou menos. Conta-se sobre ela, que tem tanto veneno e é tão potente que poderia matar um elefante. Poderia agarrar-se à sua pele. Para nós é uma das víboras mais bonitas e calmas. Na verdade, é um animal muito calmo que é fácil de manter. É a rainha … a rainha das víboras», afirma Alessandro Alviani.
O veneno de uma víbora vai ter na vítima um efeito que, sendo mortal, vai depender de vários factores. «Os efeitos e o tempo são muito relativos, depende muito da pessoa, depende da zona onde mordem e depende muita da espécie que morde. Neste caso, provoca efeitos locais enormes, inchaço, pode por exemplo, abrir a pele, provocar gangrena, a nível local. Para além disso, a nível generalizado também. Tem os dois efeitos de veneno neurotóxico misturado com o hemotóxico. Portanto, são danos nervosos e danos a nível geral do sangue», refere o especialista.
No caso da vítima do veneno ser um humano, como deve este reagir? «Como sempre o mais importante é fazer um garrote. Neste caso de mordedura de venenos hemotóxicos, deve-se fazer um garrote com pouco compressão e ir como sempre para o hospital mais próximo», refere Alessandro Alviani e adianta que «existem muitas lendas sobre as serpentes e como é fácil morrer por isso, mas na verdade há bastante tempo para até que se comece a injectar o antídoto. Neste caso, para uma mordedura normal, numa pessoa normal, pode-se ter três, quatro ou cinco horas até que comecem a dar-nos os antídotos. Quanto mais tarde pior, quanto antes melhor».
Outro grupo com o poder do veneno é o das aranhas. A Viúva-negra, com nome científico Latrodectus mactans, é a mais receada. Este famoso e temido aracnideo com apenas 12 a 15 milímetros é responsável por mais de 10 mil envenenamentos por ano em todo o mundo.
«O seu veneno é um veneno neurotóxico que ataca directamente o sistema nervoso, portanto, pode-nos provocar paralisia a nível pulmonar, respiratório e depois pode ir directamente para os músculos e o mais grave será a paragem cardíaca. O seu veneno actua assim, vai directamente para o sistema nervoso».
Com um habitat propício na maior parte do mundo, incluindo a região sul de Portugal, poderá haver uma situação de contacto com esta aranha. Nesse caso, como reagir?
«Por sorte, existe antídoto para a viúva negra», refere o especialista e explica que «nos países tropicais, onde existem casos de picaduras há antídoto e nos países mais desenvolvidos. E na verdade a acção é sempre a mesma. É ir para o hospital mais próximo porque, inclusive, tendo antídotos não os podemos administrá-los a nós mesmos, tem de ser um médico a administrá-los».
São dendrobatídeos ou rã-flecha, oriundos da América Central e do Sul, e caracterizam-se pelas cores intensamente vivas. «Normalmente a cor na natureza é sinónimo de perigosidade. Quanto mais viva e forte for a cor, mas perigoso é o animal», afirma o especialista e adianta que «é um pouco como um aviso. No caso das rãs, todas mais ou menos têm o mesmo veneno. Há algumas com um pouco mais, outras um pouco menos, mas neste caso a cor não tem nada a ver. Há mais de 30 espécies. Vermelha e preto, azul, amarela e preta, toda preta, amarela e azul. Há muitos tipos de cores e todas mais ou menos têm a mesma perigosidade».
Em muitos casos, o veneno destes animais que nos mata, também é um instrumento que nos ajuda. «Os índios amazónicos utilizam-nos para envenenar os seus dados, as suas flechas. Matam as rãs e põem o dardo na rã e depois no fogo e o dardo absorve o veneno da rã. O mesmo dardo funciona para matar várias presas, ou seja, com a mesma flecha, o mesmo dardo, podem matar muitos macacos ou muitos mamíferos para se poderem alimentar», conta Alessandro Alviani.
O veneno destas rãs é neurotóxico e é produzido por glândulas localizadas debaixo da pele. «Tem este veneno debaixo da pele para que o agressor não a coma e alerta sobre a sua perigosidade através das suas cores. A única maneira de nós podermos entrar em contacto com o seu veneno, e que este nos afecte, é se a comermos, se comermos a rã ou se a manipularmos, se a chateamos, se a manipulamos com agressividade e tendo feridas. Neste caso a sua pele entraria em contacto com o nosso sistema circulatório e assim o veneno entraria no nosso organismo», refere.
A exposição trouxe a Portugal o lagarto venenoso o Monstro de Gila com o nome científico de Heloderma suspectum. «O Monstro de Gila é a única espécie de sáurio, de lagarto, venenoso. Habita nas zonas do Norte do México e Sul dos EUA, no deserto de Sonora e é o único sáurio venenoso. É muito curioso na maneira de inocular o veneno. Ele tem umas glândulas venenosas que misturam o veneno com a saliva e morde-nos, provoca-nos uma ferida, o veneno mistura-se com a saliva e dessa forma entra na circulação. É diferente dos sistemas das serpentes venenosas que tem uns dentes que são como agulhas. São dentes abertos por dentro por onde passa o veneno que entra directamente na sua presa».
Animais que habitam connosco a mesma terra e fazem parte da imensa riqueza que é a biodiversidade. Belos, temidos mas também muito frágeis. Uma condição de vida que devemos conhecer para com ela conviver em segurança.
A exposição Veneno, ou de animais raramente vistos ao vivo, está no Freeport de Alcochete, até 10 de Janeiro de 2010.
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