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A arte que cruza os mitos com a mensagem do saber |
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14-04-2010 11:19
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Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel |
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| ©TV Ciência |
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Ana Macedo apresenta Exposição ‘Jorge Borges de Macedo Privado e Publicado’. Um trabalho artístico desenvolvido no âmbito do Projecto ‘Saber Continuar’ do Instituto de Investigação Científica Tropical.
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Que personagem é esta? Que herói de banda desenhada, de um passado cujo presente insiste em mantê-lo no limbo de uma acção interveniente no espaço da indiferença.
Que visão metafórica dá paisagem ao instante que efémero, o registo o impregna nos artefactos da persistência.
A Exposição ‘Jorge Borges de Macedo Privado e Publicado’, da autoria de Ana Macedo reconduz ao reler da imprensa, que se torna o espelho onde soam ecos de epitáfios.
«Como não conheci muito bem o meu avô pessoalmente, focalizei-me no impacto da morte da sua pessoa através da imprensa», afirma Ana Macedo, autora da exposição.
Ana Macedo transpõe para os painéis sentimentos familiares e uma racionalidade temporal, onde o simbólico se confunde com o místico. «O mocho entra como um símbolo de mensageiro entre os mundos, ou seja, um mensageiro da morte. Mas não a morte num sentido fatalístico em que acaba, uma espécie de metamorfose espiritual ou mística em que o meu avô começou a despertar para isso na última fase da sua vida. Que foi, no fundo, a fase que teve mais impacto em mim e que eu fiz recurso a isso para desenvolver este conceito», explica Ana Macedo.
A autora da exposição vagueou pelo mundo das crenças e do simbólico, por culturas de povos que venceram geografia e tempos e encontrou no hábito coleccionador de mochos, traços da missão exercida pelo avô.
«No continente norte-americano quando havia os nativos indianos havia por exemplo tribos que achavam que o mocho era um sinal de doença e de má sorte, em sítios em África também era considerado, quando se via um mocho, que alguém ia morrer. Por exemplo, na Grécia antiga era símbolo de sabedoria. Portanto, tem vários contrastes, no Egipto antigo também havia esta espécie de símbolo mensageiro ou portador das mensagens entre as dimensões. E o meu avô também (eu vejo e é a minha ideia subjectiva) que ele fez um bocado de mensageiro entre os tempos, porque o legado que ele deixou, chegou-nos até nós e então faço essa ligação, assim dessa maneira», explica a autora.
Fixar o tempo, perscrutando o olhar numa caminhada de direcções em que os movimentos, a existirem, seriam exóticos, conduziu Ana Macedo à arte representativa do herói de uma qualquer juventude.
«A banda desenhada surgiu porque ele fala num artigo que depois de ele morrer ele podia falar de tantos temas como da economia, da moda, de uma banda desenhada, portanto, o meu avô era uma pessoa muito curiosa intelectualmente. E eu adoro banda desenhada japonesa e quis fazer uma combinação de fotografias íntimas, banda desenhada e ilustração e quis fazer uma mistura que também mostrasse essa curiosidade de várias culturas», adianta Ana Macedo.
A arte e a comunicação numa interpretação reconhecida, no momento em que a obra se torna visível, ou se dá por inaugurada. «O Professor Borges de Macedo costumava dizer que o mocho representava observação permanente, vigilância, a ideia de que nós no fundo quando pensamos corremos sempre o risco de não acertar. E de certa forma dai que, acho particularmente feliz o uso deste símbolo do mocho, que é um pretexto de certa maneira. E depois no fundo a exposição também invoca sinais de memória familiar, quer dizer, retratos de família, um plano que diz muito à própria autora e também outro plano que também é real, é o reconhecimento público», explica José Brissos, do Centro de História da Universidade de Lisboa.
Viajante por cruzamentos de ideias, do alto da galé, a personagem de banda desenhada mantém em desconforto os que do verbo ainda fazem uso.
«Mudou muitas vezes de opinião, causou sempre muitas polémicas», afirma José Brissos e explica que «isso por vezes era incompreendido pela parte dos participantes no debate público que não conheciam o seu pensamento. E por consequência, verdadeiramente a utilidade deste tipo de abordagens é que pode sugerir um choque de incompreensão, mas que visto mais de perto se calhar a figura tinha a complexidade de um espírito sempre vigilante quanto ao seu tempo e quanto própria riqueza da experiência humana».
«Um homem extraordinariamente interessante com uma visão muito independente, muito livre, sem os preconceitos e os clichés intelectuais que são tão habituais hoje em dia. Tanto era capaz de apoiar uma opinião como outra, desde que visse que estava na razão e que era verdade», recorda D. Duarte Pio.
A exposição, que se quer itinerante, é composta por seis painéis e está visitável no Jardim Tropical em Lisboa, até 05 de Julho de 2010.
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