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Cientistas transformam sangue A e B em sangue universal |
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02-04-2007 11:43
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Lúcia Vinheiras Alves |
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| © TV Ciência |
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Cientistas conseguem transformar todos os tipos de glóbulos vermelhos em sangue universal, pondo fim aos problemas de falta de armazenamento de sangue compatível e à questão das transfusões em segurança.
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Há 25 anos que os cientistas prosseguem o esforço de conseguir converter sangues tipo A, B e AB em sangue universal que possa ser administrado em todas as pessoas. Agora, na edição de 1 de Abril da publicação científica Nature Biotechnology, uma equipa internacional de investigadores apresenta duas enzimas glicosidases, encontradas numa bactéria, capazes de desempenhar essa função de forma eficiente.
O princípio da transformação de todos os glóbulos vermelhos em sangue universal assenta na remoção de antigenes presentes do sangue tipo A, B e AB, transformando-o no tipo universal ‘O’.
Basicamente, o sistema de tipo de sangues ABO assenta na presença ou ausência dos antigenes com base nos açúcares ‘A’ e ‘B’ presentes nos glóbulos vermelhos, sendo que o sangue ‘O’ não apresenta estes antigenes e, por isso, pode ser administrado a qualquer pessoa, sendo que o inverso não se verifica.
Na década de 1980, surgiu a primeira possibilidade de conversão de sangue tipo B em sangue universal, através da utilização de uma enzima presente no grão de café. Na altura, apesar desta enzima se ter mostrado eficaz em testes clínicos, era ineficiente para produzir grandes quantidades de sangue para armazenamento.
«A remoção enzimática dos antigenes ABO do sangue para desenvolver glóbulos vermelhos universais foi uma visão pioneira original propostas há mais de 25 anos», escrevem os cientistas da Nature Biotechnology.
Os especialistas adiantam que, «apesar da viabilidade deste avanço ter sido demonstrada em estudos clínicos para o grupo de glóbulos vermelhos B, um principal obstáculo na transferência desta tecnologia para a prática clínica foi a falta de enzimas glicosidases eficientes».
Desde então os cientistas têm procurado enzimas capazes de realizar a tarefa de extracção dos antigenes dos tipos de sangue A e B e, uma equipa internacional de cientistas, liderada por Henrik Clausen, da Universidade de Copenhaga, Dinamarca, foi agora bem sucedida ao descobrir que enzimas de uma bactéria especifica são capazes de remover os antigenes A e B, transformando todo o potencial sangue para transfusão em universal.
No estudo, os cientistas escrevem que, «aqui nós apresentamos duas famílias de genes bacteriais glicosidase que fornecem enzimas capazes de remover eficientemente os antigenes A e B do pH neutro com baixo consumo das enzimas recombinantes».
Os cientistas estão agora a testar esta nova tecnologia enzimática em testes clínicos iniciais e dizem que poderá vir a ser comercializada em poucos anos.
A confirmar-se a eficiência da tecnologia enzimática, poder-se-á pôr fim a dois dos grandes problemas clínicos relativos às transfusões. Em primeiro lugar, a falta de sangue universal armazenado para transfusão e, em segundo lugar, a segurança das transfusões devido a transferência de doenças infecciosas.
«Os processos de conversão enzimáticos que descrevemos são promissores para alcançar o objectivo de produzir glóbulos vermelhos universais, que melhorarão o fornecimento de sangue enquanto melhorarão a segurança das transfusões clínicas», concluem os especialistas na Nature Biotechnology.
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