Nº 23 Jul. 2010
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Sistema monitoriza à distância epilepsia em crianças
26-02-2008 20:03
 
Natália Dias
© TV Ciência
Novo sistema de monitorização remota permite diagnosticar zonas do cérebro envolvidas na epilepsia pediátrica. O sistema vai estar disponível no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.
Porque a epilepsia é uma doença que se caracteriza pela ocorrência repentina de fortes cargas eléctricas de energia no cérebro, neurologistas em todo o mundo, continuam a tentar identificar quais as zonas específicas do cérebro envolvidas na origem das convulsões.

A monitorização através de câmaras de vídeo e por electroencefalograma (sistema que permite medir a actividade eléctrica do cérebro através de eléctrodos colocados na cabeça) é uma das técnicas utilizadas para a identificação das zonas do cérebro envolvidas na epilepsia. Um sistema que obriga ao internamento dos indivíduos, já que é necessário suspender a medicação de controlo das convulsões, de forma a permitir a avaliação da ocorrência das mesmas.

Agora, neurologistas e pediatras do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) em parceria com a Fundação Vodafone, apresentam o novo Sistema de Monitorização Remota de Epilepsia Pediátrica. Um sistema que se baseia na monitorização por vídeo e electroencefalograma (vídeo-EEG) em conjugação com as novas tecnologias de informação e comunicação.

Com o novo sistema baseado em câmaras e eléctrodos wireless (sem fios) as crianças que têm de ser submetidas à monitorização deixam de ter de permanecer em camas hospitalares durante longos períodos (que poderiam ir até cinco dias), garantindo uma maior mobilidade durante o internamento.

«É um excelente avanço da tecnologia ao serviço dos doentes com epilepsia e das crianças em particular», afirma Ana Jorge, Ministra da Saúde, na cerimónia de apresentação do novo sistema. A Ministra acrescenta ainda que os benefícios verificam-se «sobretudo na mobilidade da criança e simplificação do processo, para que ela possa estar a brincar mesmo monitorizada, sem estar presa à cama e aos fios do aparelho do electroencefalograma».

O novo sistema de monitorização remota acarreta benefícios não apenas para a criança mas também para os profissionais de saúde. Isto porque a aplicação informática permite enviar ao médico as imagens de vídeo da crise epiléptica e a informação dos correspondentes sinais electroencefalográficos.

«Esta plataforma informática permite ao técnico disponibilizar um upload da informação para o médico que, onde quer que se encontre, pode aceder através de telemóvel ou PDA e fazer a avaliação da crise do doente» explica José Guimarães, Director do Serviço de Pediatria do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

«Com este sistema, o médico pode visualizar e manipular o EEG à distância, fazer uma avaliação mais rápida da situação e caso considere que já possui a informação necessária para fazer uma avaliação correcta pode imediatamente dar ordens para que a criança retome a medicação», explica Alberto Leal, neurofisiologista do Hospital de Egas Moniz.

O sistema apresentado no Hospital de Egas Moniz para identificação da região do cérebro que está na origem do ataque epiléptico, visa seleccionar doentes candidatos à cirurgia que permitirá proceder com certeza à remoção das áreas do cérebro responsáveis pelas convulsões. Uma cirurgia que se aplica apenas nos casos de epilepsia refractária, ou seja, aquela que apresenta resistência aos tratamentos médicos.

Em Portugal, calcula-se que haja uma prevalência de cerca de cinco casos de epilepsia por cada mil habitantes e estima-se o aparecimento de 5 mil novos casos todos os anos, sendo que, um terço destes é diagnosticado em crianças.

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