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Metano em Marte continua um enigma para os cientistas |
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01-09-2009 06:20
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Lúcia Vinheiras Alves |
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Cientistas espaciais não conseguem explicar comportamento de metano na atmosfera de Marte, mas aumenta indícios da presença de vida no Planeta Vermelho.
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Algo se passa em Marte que foge à compreensão dos cientistas espaciais. Tudo graças ao metano detectado na atmosfera de Marte em 2003 pela sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA).
Desde então, os cientistas têm tentado estudar o comportamento deste gás que na Terra se explica por uma acção biológica ou geológica e que em Marte, ao contrário do que se poderia prever, pode indiciar a presença de vida passada ou presente ou actividade vulcânica.
Antes da chegada a Marte da sonda Mars Express, os cientistas pensavam que Marte eram um planeta biológica e geologicamente inactivo, no entanto, o metano detectado pelo Planetary Fourier Spectrometer (PFS) da sonda da ESA, deixaram os cientistas em suspenso.
Os cientistas previam que o PFS da Mars Express teria uma grande probabilidade de recolher dados de gases atmosféricos como o monóxido de carbono e vapor de água, mas a presença de metano «foi uma surpresa, não estávamos à espera», afirma Agustin Chicarro, Cientista Principal em assuntos sobre Marte, da ESA, citado em comunicado da Agência.
Para além da detecção da Mars Express, na mesma altura, duas equipas de cientistas conseguiram observar a presença de metano em Marte através de telescópios em Terra. Perante estes dados, dedicaram os últimos cinco anos ao estudo intensivo deste gás na atmosfera de Marte.
Os cientistas partiram do princípio que o metano na atmosfera de Marte estaria estável há 300 anos, o que os levava a pensar que o que estaria a gerar o metano seria uma ocorrência recente.
Em Janeiro de 2009, uma equipa de cientistas do Centro Goddard Space Flight, da NASA publicou resultados que demonstravam que, quando detectado em 2003, o metano encontrava-se concentrado em três regiões do planeta vermelho. Resultados que levaram os cientistas a concluir que a libertação do metano era uma ocorrência recente e que teria sido detectado antes de se dissipar por todo o planeta.
Mas o enigma da presença de metano em Marte complica-se quando os cientistas verificaram que em apenas três anos o metano desapareceu.
«Pensávamos que sabíamos como o metano se comportava em Marte, mas se as medições estão correctas então deve-nos ter falhado algo importante», refere Franck Lefèvre, da Université Pierre et Marie Curie, em França, e membro da equipa do instrumento SPICAM, da Mars Express, da ESA.
Intrigados, os cientistas decidiram utilizar um modelo de computador sobre o clima de Marte para desvendar o mistério do rápido desaparecimento do metano em apenas três anos. Para isso, diz Franck Lefèvre «lidámos com o problema como físicos atmosféricos, sem nos preocuparmos com a natureza da fonte de metano».
Após meses dedicados ao modelo sobre o estudo atmosférico de Marte, o especialista conclui que «algo está a remover o metano da atmosfera 600 vezes mais rápido do que os modelos conseguem contabilizar. Consequentemente, a fonte deve estar 600 vezes mais intensa do que originalmente assumido, o que é considerável até para os standards geológicos da Terra».
Para explicar este fenómeno, os cientistas só conseguem encontrar duas possíveis hipóteses: ou o metano está a ser encurralado por detritos por baixo da superfície marciana ou existem químicos como o peróxido de hidrogénio que está a destruir o metano.
A última hipótese, tinha já sido sugerida na década de 1970 por cientistas da Missão Viking, da NASA, e a confirmar-se, significa que a superfície marciana é mais hostil do que se imaginava para as moléculas orgânicas.
Tendo por base a presença de metano na atmosfera marciana e o seu estranho comportamento, o Planeta Vermelho torna-se ainda mais fascinante para os cientistas, já que aumentam as possibilidades da presença, passada ou presente, de vida em Marte.
O estudo do metano tornou-se, por isso, de grande interesse científico em futuras missões a Marte. «Compreender o metano em Marte é uma das quatro prioridades», refere Olivier Witasse, Investigador do projecto Mars Express, da ESA, em relação à missão conjunta, entre a NASA e a ESA, a Marte, acordada em Junho de 2009.
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