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CDS-PP: Propostas para a Ciência e Ensino Superior |
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25-09-2009 14:42
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Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel |
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| © TV Ciência |
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Aumentar vagas nos cursos de Medicina e criar uma nova Faculdade de Medicina no interior do país, apostar na banda larga e diminuir propinas das bolsas de mestrado pós-Bolonha são propostas do CDS-PP.
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Que modelo de desenvolvimento científico para Portugal? Que ensino superior é pretendido e que modelo de financiamento. E o modelo de bolsas de investigação? É justo ou deve ser alterado. Ou ainda quais as grandes áreas de investigação com impacto na competitividade nacional? E que opções a médio e a longo prazo?
Estas são algumas das questões que a TV Ciência lançou aos representantes dos cinco partidos políticos mais votados nas últimas eleições legislativas.
Pontos importantes para compreender as propostas dos partidos para uma política de Ciência, para a Sociedade de Informação e para o Ensino Superior.
Pelo CDS-PP as respostas são dadas Pedro Brandão Rodrigues, da Direcção Nacional do CDS-PP.
O financiamento das escolas do ensino superior é considerado uma questão importante em qualquer política de educação. Qual é o modelo de financiamento das instituições de Ensino Superior proposto pelo CDS-PP?
«Eu defendo a autonomia das Universidades. Acho que o Estado por efeito constitucional deve financiar as Universidades e as Universidades devem financiar-se junto das investigações públicas e privadas. E há muitas que já têm, há Universidades que já têm três quartos do financiamento do sector privado».
Qual a posição em relação às propinas pagas pelos estudantes? Devem ser alteradas?
«Eu penso que as propinas, actualmente, no Ensino Superior não são muito elevadas, com uma excepção. São as propinas dos mestrados pós Bolonha. Quando entrámos em Bolonha, o que aconteceu é que para que as pessoas pudessem ter emprego – isso acontece em Direito, acontece em Engenharia – as pessoas acabam por ter de fazer o primeiro Ciclo de Bolonha, os três anos, e depois acabam por ter de fazer o mestrado. Repare, enquanto que as propinas no Primeiro Ciclo, isto é, dos primeiros três anos, são propinas razoáveis, acessíveis para a maioria dos estudantes, aqueles que depois precisam de fazer os mais dois anos vão ter de pagar propinas a valor de mercado como nas Universidades privadas. Isso não é aceitável. E nós temos no nosso Programa uma proposta para que as propinas dos mestrados pós Bolonha, isto é, dos dois anos a mais, sejam iguais às propinas do Primeiro Ciclo».
Portugal tem uma baixa taxa de licenciados e um aumento de licenciados desempregados. Como inverter a situação do desemprego dos licenciados?
«O problema da empregabilidade dos licenciados é um problema bastante importante e é causado sobretudo pela falta de qualidade de alguns cursos, além disso, temos muitos cursos que são cursos de papel e lápis, ao contrário de outros países. Na maior parte dos países europeus as pessoas formam-se em áreas, como por exemplo, as tecnologias e as engenharias em que há necessidade de emprego e onde os jovens encontram colocação. Nós propomos uma avaliação da necessidade dos cursos à necessidade do mercado de trabalho. E aumentar o número de vagas nos cursos onde há necessidade de emprego em Portugal».
Qual é a proposta para aumentar o número de licenciados em medicina?
«Neste momento em Portugal tem de se ter 18 valores para se entrar em Medicina. Ora ter 18 valores para se entrar em Medicina quer dizer que um médico, que queira ser um Médico de Clínica Geral e que tenha 15 e que tenha uma vocação enorme para ser médico, não possa entrar em Medicina. É importante que as pessoas possam entrar nos cursos da sua vocação. Portanto, os números clausus de, por exemplo, Medicina, de Arquitectura, onde a nota de entrada também é muito alta, têm de ser aumentados. Para serem aumentados temos de criar mais vagas nas Faculdades existentes e criar uma nova Faculdade de Medicina, por exemplo, em Portugal. Temos isso no nosso Programa Eleitoral».
Em que região do país se deve criar uma nova Faculdade de Medicina?
«Eu penso que deve ser no interior junto a um Hospital de referência. Não temos esse estudo feito, mas eu acho que deve ser numa zona do interior, onde as pessoas aprendam a viver no interior e junto a um Hospital de referência, porque é essencial para uma Faculdade de Medicina».
Quais as áreas prioritárias da Ciência para o desenvolvimento do país?
«Basta ver. Os grandes avanços necessários na Saúde, estamos a viver um momento em que temos uma nova doença, uma epidemia, os grandes avanços na Biologia Molecular, os grandes avanços na área da Ciência e Tecnologia dos Materiais, os novos avanços na Novas Energias. Essas são áreas que eu considero prioritárias. Quanto a investimento público, eu penso que o Estado deve apoiar investimentos na Sociedade de Informação mais, o acesso de mais pessoas à literacia numérica, aos computadores e à banda larga».
Como avalia o actual modelo de Laboratórios de Estado e que propostas têm?
«Eu penso que houve um grande, nos últimos 15 a 20 anos, avanço nos Laboratórios de Estado, nos Laboratórios de Estado de referência. Temos alguns Laboratórios como o Laboratório Nacional de Engenharia Civil que é conhecido em todo o mundo. Eu creio que têm funcionado cada vez mais como interface entre as empresas e a Universidade, a Sociedade e a Inovação e apoio o modelo de Laboratórios de Estado no nosso país».
Parte da formação dos cientistas e mesmo a investigação é apoiada com bolsas. Que mudanças propõe para os bolseiros de investigação científica?
«A nossa ideia é muito clara, nós pensamos que o emprego com qualificação científica depende da necessidade das empresas. Se nós temos empresas com capacidade de inovação e precisem de doutorados é evidente que eles vão procurar doutorados. Penso que ai regemo-nos pelo mercado. Portanto, achamos que deve haver uma co-relação entre a carreira universitária docente e a de investigador, isso é natural, mas em relação às empresas não vamos dizer às empresas quem eles devem empregar e se as empresas acharem por bem empregar doutorados e pessoas com pós-graduações, tanto melhor para o país. Digo-lhe que Portugal, de facto, tem a nível sobretudo das empresas e não no Estado, um nível muito baixo de emprego de doutorados».
Qual é a grande área de aposta para uma Sociedade de Informação?
«Penso que ai a infra-estrutura de fibra nacional é um bom investimento porque vai dar banda larga a muita gente e vai possibilitar que o Governo, as Universidades, as Escolas, as famílias tenham acesso a velocidades decentes de internet neste país».
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