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Universidade Técnica de Lisboa atribui Honoris Causa a Pedro Pires |
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26-05-2010 20:28
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Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel |
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| ©TV Ciência |
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Pedro Pires, Presidente da República de Cabo Verde é agraciado com Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Técnica de Lisboa, pelo contributo para a construção da democracia em Cabo Verde.
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Universidade Técnica de Lisboa atribui Doutoramento Honoris Causa em Administração Pública a Pedro Pires, Presidente da República de Cabo Verde, através do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
O Grau de Doutor é o reconhecimento a Pedro Pires pela construção da democracia em Cabo Verde e da boa governança do país, no contexto Africano.
«É uma homenagem à pessoa do Comandante Pedro Pires e ao seu esforço como líder e como dirigente africano», afirma João Bilhim, Presidente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e adianta que «é também o reconhecimento da boa governança que tem sido feita em Cabo Verde e é também, simultaneamente, homenagem ao povo cabo-verdiano».
Para o Presidente do ISCSP «o caso de Cabo Verde é claramente de excepção de governação em África. E nós quisemos de alguma forma reconhecer isto. E também dada a nossa história. A história do Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas começa há 104 anos como uma Escola Colonial, é uma outra forma de olharmos para África e de restabelecermos as ligações e os canais de comunicação com África. Outra maneira de estar».
A cerimónia de atribuição das insígnias de Doutor teve a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva e de muitas figuras políticas e académicas.
Pedro Pires referiu, em relação ao novo grau de Doutor, que «sinto-me satisfeito com a honra que me deram. Creio que qualquer um estaria nas mesmas condições. De toda a forma é uma homenagem não só a mim mas creio que também aos cabo-verdianos e aqueles que comigo fizeram a caminhada».
No decorrer do discurso, o novo Doutor afirmou-se surpreendido com a atribuição, referindo que para a justificar «não possuo carreira académica nem tenho qualquer trabalho de investigação científica publicado», mas «nesta deliberação, vejo intrínseca a ideia da necessidade e utilidade de confluência entre o saber científico e académico e o saber empírico, adquirido na acção do dia-a-dia em prol de causas relevantes».
Um saber empírico adquirido ao longo de anos e no decorrer do processo pós colonial em Cabo Verde, tempos que Pedro Pires classifica como «desafiantes».
«Vossas excelências valoraram com o vosso gesto e através da minha pessoa, o percurso e os êxitos do meu país, a República de Cabo Verde. Certamente, gostariam de ouvir de mim como foram concebidos e construídos».
Pedro Pires relembra que na véspera da independência, Cabo Verde «encontrava-se perante uma sociedade pobre, bloqueada e desprovida de uma perspectiva de futuro motivadora, enfim, uma sociedade empobrecida e insegura do seu futuro. Porém, encontrava-se desejosa de mudanças políticas e ansiosa de progresso e bem-estar material e social».
Um progresso que acabou por chegar e para o qual o novo Doutor contribui activamente como negociador junto de Portugal na conquista da independência de Cabo Verde em 1974 e em 1975 como Deputado escolhido para chefiar o primeiro Governo de Cabo Verde Independente.
Sobre o presente, Pedro Pires sublinha as conquistas realizadas e refere a Educação como fonte de progresso e desenvolvimento, destacando que em Cabo Verde o ensino básico é hoje generalizado e possui estatuto obrigatório «a fim de elevar o nível geral de instrução e cultura da população».
Pedro Pires relembra o esforço que o país fez na formação de professores e de quadros superiores e que hoje o grande debate se situa a um nível superior e «se centra essencialmente em torno da melhoria da qualidade, do desenvolvimento do ensino universitário e dos requisitos indispensáveis à salvaguarda da sua qualidade e pertinência».
Apesar dos avanços, o Presidente da República afirma que «Cabo Verde é ainda uma economia subdesenvolvida, portadora de diversos constrangimentos e fragilidades».
Numa visão de futuro, partilha que se «evidencia como necessário o prosseguimento da valorização, com visão e sentido de futuro, da excelente localização geoestratégica do país, nas suas distintas valências: marítimas, portuárias e investigação científica (oceânica e atmosférica), aeroportuárias e transportes aéreos, potencialidades turísticas e em energias renováveis e centro de prestação de serviços vários».
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