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Coimbra é exemplo na colheita e transplantação de órgãos |
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04-06-2010 17:08
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Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel |
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| ©TV Ciência |
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Hospitais da Universidade de Coimbra são caso de sucesso na colheita e transplante de órgãos em Portugal. Cavaco Silva visita Centro de Histocompatibilidade e Centro de Cirurgia Cardiotorácica em Coimbra.
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É com esta acção simples de recolha de amostra de sangue que se dá inicio a um possível processo para salvar uma vida. Uma acção simples que apenas depende de uma vontade.
«Em primeiro lugar a situação de ser prestável, de poder ajudar o próximo. Acho que é o melhor que nós temos, para podermos ajudar os outros», Maria Fernanda Dias dos Santos, voluntária para doação de medula óssea.
Estamos no Centro de Histocompatibilidade em Coimbra, onde se processam as análises para a inscrição no Registo Nacional de Dadores de Medula Óssea.
Maria Fernanda sabe bem da importância de haver uma vida em perigo e um de nós a poder salvar. «Infelizmente o meu pai passou por essa situação e como também trabalho num hospital tenho essa noção da necessidade constante».
António Domingos também quer ficar inscrito para poder ser um possível dador. Também ele trabalha num hospital e conhece as necessidades. «Todos os dias recebemos pedidos de dadores e vamos deixando passar», refere este voluntário para doação de medula óssea e acrescenta que «faz mais confusão as crianças».
Mas ao longo dos últimos anos o número de inscritos de dadores tem aumentado no Centro de Histocompatibilidade em Coimbra, passando de 370 dadores em 2003 para 32 mil e 34 dadores em 2009.
É este Centro que o Presidente da Republica começa por visitar em Coimbra, numa jornada por algumas unidades dedicadas aos transplantes. Um Centro que desenvolve uma actividade chave, que é fundamental em todo o processo de transplantes.
«As principais actividades do Centro de Histocompatibilidade são o estudo dos potenciais candidatos de transplante de órgãos, tecidos e células. E nesse âmbito também o estudo dos potenciais dadores, sejam eles cadáveres ou vivos, familiares ou não. Essa é o nosso core da nossa intervenção», explica Maria Luísa País, Directora do Centro de Histocompatibilidade da região Centro, em Coimbra.
A região Centro foi do conjunto das três regiões do país a que mais contribuiu, em 2009, para a colheita de órgãos, com 42,7 dadores por milhão de habitantes, o que colocou o país com 31,17 no topo mundial de dadores logo a seguir a Espanha com 34,4 dadores por milhão de habitantes.
Dados que o Presidente República realça durante a visita, que a par do numero elevado de transplantes, são definidores da alta qualidade dos serviços.
«Em termos de transplantes por milhão de habitantes Portugal ocupa mesmo uma posição de destaque a nível europeu. É hoje reconhecido de uma forma geral que o nosso país detém uma capacidade técnica e científica à altura do melhor que existe na Europa e é reconhecida a excelência de todos os nossos profissionais que trabalham directa ou indirectamente na área da transplantação. Por outro lado, o nosso país apresenta indicadores extremamente positivos em termos de dadores. Uma posição cimeira ou quase cimeira a nível mundial quando pensamos em dadores por milhão de habitante», afirma o Presidente da República, Cavaco Silva.
A Unidade de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais de Coimbra, uma das mais activas e considerada de excelência em Transplantação em Portugal, fez parte da jornada do Presidente da Republica.
«Os HUC a nível nacional ocupam uma posição de destaque nos mais variados tipos de transplantação, como aqui foi evidenciado, no transplante renal, hepático, cardíaco e também da córnea», refere Cavaco Silva.
Os HUC destacam-se pelo elevado nível dos transplantes por milhão de habitantes. Em 2009, realizaram 71,4 transplantes de rim, 23,8 de fígado e 11,3 de coração.
«Os HUC são o mais antigo, com a primeira transplantação renal feita em Portugal, e actualmente o mais activo hospital na área da transplantação. São também o único hospital do país onde se faz a transplantação dos três mais importantes órgãos sólidos – coração, fígado e rim. Lideram na transplantação da córnea e fazem um número significativo de auto-transplantações de medula óssea. Em 2009 os HUC foram o hospital do país com maior número de transplantações de rim, 177, de coração, 28, de córnea, 185 e de osso, 154. Foram realizadas 467 transplantações», refere Fernando Regateiro, Presidente do Conselho de Administração dos HUC.
Com um coração novo está o David, aqui ao colo da mãe e junto do Presidente da República. Um dos muitos orgulhos da equipa de cirurgia Cardiotorácica. Hoje David é uma criança feliz e foi mesmo portador de lembranças da sua região – Viseu – para o casal Cavaco Silva.
«O David, ao quinto mês de gravidez, detectaram-lhe um problema no coração, portanto, ele ao nascer meteram-lhe um pacemaker e até aos 22 meses andou mais ou menos bem. Aos 22 meses apanhou um vírus que lhe dilatou o coração, fez uma miocardiopatia e andou durante 2 anos praticamente sempre no Hospital. Depois como não havia mais nada a fazer com o coração dele optaram pelo transplante. Foi transplantado aos quatro anos de idade, faz um ano e nove meses de transplante. Após o transplante ficou uma criança totalmente diferente. Antes do transplante não comia, tinha sonda, já não andava, não subia um degrau. Depois do transplante, ele faz agora uma vida normal», explica Eugénia Mimoso Marques, mãe do David.
Hoje David não quis falar para o nosso microfone mas através do brilho dos seus olhos e do grande sorriso podemos conhecer a mensagem - é preciso ter esperança.
E nos HUC há esperança, como refere Fernando Regateiro em relação a muitos doentes da visão. «Neste serviço está sedeado um Centro que mais transplanta córnea a nível nacional. É o único nos pais que não tem lista de espera para transplantação e que receberá de braços abertos doentes que necessitem de transplantação oriundos de outros hospitais., que tem um banco de olhos responsável pelas colheitas dos globos oculares tanto nos HUC como em outros hospitais, onde a equipa multidisciplinares de transplante se desloca. Que foi pioneiro em Portugal de inúmeras técnicas de transplantação, nomeadamente, de transplantes lamelares, que foi pioneiro na aplicação de córneas artificiais, sendo o único hospital público a efectuar esta cirurgia em situações de cegueira só recuperáveis com esta técnica», explica Fernando Regateiro.
Esta é talvez uma ilha no Sistema Nacional de Saúde, uma ilha que dá esperança e que todos reclamam se espalhe pelo país.
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