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Jornada da simulação de missão tripulada a Marte já começou |
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04-06-2010 19:41
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Lúcia Vinheiras Alves |
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| ©ESA-S.Corvaja, 2010 |
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Durante 520 dias, cinco voluntários compõem a tripulação da Marte500, uma missão de exploração a Marte, em que os voluntários vão ter de viver todas as tarefas e desafios que os astronautas têm no espaço.
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«Olá. Se estão a ler estas linhas, penso que já devem saber as principais características técnicas do projecto Marte500». Esta é a primeira frase do diário de bordo de Diego Urbina e Romain Charles. Dois cidadãos europeus que decidiram embarcar na missão a Marte, que teve inicio a 03 de Julho de 2010.
Estes dois cidadãos, juntamente com mais três cidadãos russos compõem a tripulação da missão Marte500 que durante 520 dias vão viver dentro de uma nave espacial.
Mas esta missão tem uma particularidade importante. É uma missão simulada e que tem como objectivo testar os equipamentos científicos utilizados numa verdadeira missão a Marte, explorar a superfície do planeta vermelho e, acima de tudo, pôr à prova as capacidades e resistência humana ao viver em isolamento e em condições extremas no espaço durante uma longa jornada.
Os tripulantes receberam uma intensa formação de astronautas para se preparem para viver, até Novembro de 2011, confinados a módulos de habitação com um volume total de 550 metros cúbicos.
A ‘nave’ da missão Marte500 encontra-se instalada no Instituto de Problemas Biomédicos em Moscovo e a tripulação será constantemente monitorizada mas sem qualquer contacto com o exterior. A ideia, é que esse contacto só seja realizado em caso de situações extremas.
Longe da família e dos amigos durante dezoito meses, antes do embarque, os tripulantes têm convicções para participar. É o caso de Romain Charles que confessa que «sempre tive interesse no espaço. Quando era criança queria ser astronauta e dentro de mim continuo a manter esse sonho. Por isso, este Programa Marte500 é uma forma para eu voltar à indústria espacial».
Também Diego Urbina confessa que se que «juntar à indústria espacial, portanto, começar a caminhar na indústria espacial ou na investigação espacial e penso que posso aprender uma série de coisas com esta missão e a segunda motivação é que quero colaborar neste grande experiência de mandar humanos para Marte, que eu acho que é muito importante».
Os voluntários, não vêem este programa como um castigo, mas antes como um desafio. «Não é uma prisão, é um programa, uma experiência. Vai ser difícil de certeza, mas temos um objectivo para estarmos cá durante 520 dias e vamos conseguir», afirma Romain Charles.
Um objectivo, definido pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pelo Instituto de Problemas Biomédicos de Moscovo para estudo de futuras missões tripuladas a Marte.
«Obviamente que continuamos a precisar de muitos destes estudos – quer em Terra quer em diferentes condições – como na Estação Espacial Internacional, que será em qualquer caso o primeiro passo para a exploração espacial humana e que é um ambiente ideal para a preparação destes voos», explica Martin Zell, Responsável pelo Departamento de Utilização da Estação Espacial Internacional.
O teste de isolamento de 520 dias, que agora teve início, é o culminar de várias experiências de preparação que decorreram com os candidatos. Primeiro em 2007 com uma simulação de catorze dias e depois em 2009 com uma simulação de 150 dias.
«As experiências durante os 105 dias foram principalmente sobre os efeitos médicos no Homem – isto é nos campos psicológicos e fisiológicos – stress relacionado com problemas cardiovasculares, efeitos no sistema imunitário. Obviamente, a co-operação e co-existência das pessoas e aspectos alimentares têm também um papel fundamental», explica Martin Zell.
Factores importantes a testar já que os tripulantes vão ter de viver em condições semelhantes aos astronautas no espaço, ou seja, desenvolver experiências científicas e de exploração, mas também alimentarem-se com comida especial, fazer exercício físico diário e tomar banho apenas uma vez por semana para poupar água e viverem isolados do mundo que conhecem.
Mas apesar do desafio, os tripulantes europeus na sua primeira nota do diário de bordo escrevem: «Estamos muito satisfeitos de fazer parte de uma tripulação tão simpática e de uma experiência tão importante. Esperamos que alguns de vocês, entre os nossos leitores, sejam aqueles que na realidade venham a pisar Marte no futuro. Através das entradas neste blog, vão aprender, numa forma informativa, as coisas giras e feias que se podem esperar de uma jornada tão longa. Bem...até à vista, Terra!».
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