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Comissão Europeia estuda desigualdade de géneros nas Escolas |
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08-06-2010 19:48
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Lúcia Vinheiras Alves |
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| ©TV Ciência |
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Após as reformas nos sistemas educativos a desigualdade de géneros continua a existir nas escolas, levando rapazes e raparigas a apresentarem diferentes atitudes em relação à educação.
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Existe uma ideia generalizada de que nas escolas os rapazes apresentam maior tendência para disciplinas como as Engenharias e as Ciências Básicas, enquanto as raparigas tendem a optar pelas áreas das Letras ou Ciências Sociais.
Mas esta não é uma tendência generalizada em todo o espaço europeu, estando dependente de inúmeros factores que influenciam o comportamento de rapazes e raparigas em relação à atitude que têm perante a educação, às disciplinas favoritas e até às carreiras profissionais a seguir.
A Comissão Europeia lança agora um estudo que examina a forma como se lida com a inadequação dos géneros na educação nos vários países da União Europeia.
Um estudo que envolveu 29 países, entre os quais todos os Estados-membros da União Europeia (UE) à excepção da Bulgária, mas também a Islândia, Liechtenstein e Noruega, tendo por base dados recolhidos e analisados pela Rede Eurydice.
O estudo revela que «os estereótipos tradicionais continuam a ser o maior factor para determinar a escolha nos estudos e os resultados educacionais. A relação entre o género e consecução educacional mudou nos últimos 50 anos e tornou-se mais complexa. Mas continua a ser verdade que os rapazes e as raparigas têm diferentes performances na educação, optam por diferentes disciplinas e seguem diferentes carreiras», afirma Androulla Vassiliou, Comissária Europeia para a Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude.
A Comissária defende ainda que «precisamos de uma abordagem para promover oportunidades iguais e justiça social na educação. Precisamos também de mais investigação sobre a forma como lidar com as questões da igualdade dentro dos currículos».
No estudo é patente que a maioria dos países tem, ou estão planeadas, políticas de igualdade na educação, sendo que o principal objectivo é ultrapassar os tradicionais estereótipos de género.
Os dados do estudo revelam que, em média, as raparigas obtêm melhores classificações e maiores taxas de sucesso do que os rapazes, enquanto estes têm mais tendência para o abandono escolar ou para repetir o ano lectivo.
A Comissária Europeia adianta que «17% dos homens entre os 18 e 24 anos são considerados como ‘desistentes escolares’ já que apresentam menor educação secundária e não se encontram na escola ou em formação. A situação correspondente nas raparigas é de 13%. Portanto a média na Europa é de 15%. Existem grandes diferenças entre os países europeus, mas no essencial as diferenças de género mantêm-se muito semelhantes em todos os países».
No estudo da Comissão Europeia, foram analisados dados de estudos internacionais sobre educação, os quais revelam que num terço dos países da UE, os rapazes tendem a ter pior desempenho na leitura, enquanto as raparigas tendem a ter menor sucesso na matemática. Mas apesar das diferenças de género, o factor que mais influencia estas diferenças é a base socioeconómica.
Dados sobre as diferenças existentes entre os géneros na percepção da importância daquilo que é um bom desempenho na leitura, matemática e ciências, sugerem que não existe uma grande diferença entre os géneros em relação à matemática e ciências.
Por outro lado, no que se refere à leitura, as raparigas, quando comparadas com os rapazes, vêem o bom desempenho desta tarefa como sendo muito mais importante.
Numa tendência inversa o mesmo estudo revela que em Portugal um bom desempenho na matemática, ciências e leitura é de longe, considerado mais importante para as raparigas do que para os rapazes, principalmente a matemática e as ciências.
Uma tendência que já não é surpresa no nosso país mas que continua a ser quando comparada com a de outros Estados-membros da União Europeia, dada a forte participação das raparigas portuguesas nas ciências.
Com a finalidade de compreender a pior prestação das raparigas nas ciências e a menor adesão a esta área na altura da escolha de uma carreira, o estudo da CE, tentou encontrar explicações para as disparidades verificadas entre os géneros.
Numa análise a vários estudos internacionais, a CE indica que o estudo PISA 2006 revela que, em média e, em termos de desempenho não existe uma grande diferença de género na maioria dos países, «no entanto apesar das raparigas apresentarem um desempenho semelhante aos dos rapazes na maioria dos países, as raparigas tendem a ter menor auto-estima em ciências do que os rapazes, por exemplo, em média, as raparigas têm menores níveis de confiança nas suas capacidades cientificas do que os rapazes em todos os países europeus».
Para além disso, «os rapazes também apresentam uma maior auto-eficácia, ou seja, um alto nível de confiança na resolução de tarefas científicas específicas, excepto na Áustria, Polónia e Portugal».
Para a Comissária Europeia para a Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude, o estudo conclui que «a questão do género influencia raparigas e rapazes. Em alguns aspectos, as raparigas estão piores, e noutros aspectos, os rapazes estão piores. Portanto, as nossas políticas devem visar ambos, raparigas e rapazes, e ver onde eles são mais fortes. E devemo-nos focar naquilo que são mais fracos».
«No que se refere à fraqueza das raparigas na matemática, ciência e tecnologia, penso que não é uma questão de inteligência, é uma questão da sua educação. É uma questão cultural. É também um assunto em que temos de dar atenção», refere.
A Comissária alerta, no entanto, que «os resultados não vão aparecer num ou em dois anos. Vai ser necessário mais tempo. Mas com estas políticas, desde idades muitos jovens, rapazes e raparigas, vão ser educados da mesma forma, preparando-os psicologicamente para que devam dar igual importância às ciências sociais e às ciências aplicadas ou incentivando-os a dedicarem-se aquilo que gostam na vida e de acordo com suas escolhas. Isso, eventualmente, ajudará».
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