Nº 24 Set. 2010
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ESA avança para definir padrão para transmissão de 3DTV-HD
25-06-2010 19:03
 
António Manuel
©TV Ciência
Em altura de Campeonato do Mundo de Futebol, as transmissões por televisão são essenciais para assistir aos jogos minuto a minuto. Uma transmissão apenas possível graças aos satélites em órbita no espaço.
Milhões de adeptos do futebol em todo o mundo vão assistir até 11 de Julho ao Campeonato do Mundo, em directo pela televisão. Cada golo e cada falta transformam-se, no mesmo instante de tempo, num momento de alegria ou de tristeza. Tudo isto devido aos satélites de comunicações a milhares de quilómetros no espaço.

«Se alguém marcar um golo em Joanesburgo, antes de se poder ver em Madrid, o sinal vai ter de viajar para o satélite, 36 mil quilómetros e voltar novamente. Isso demora 250 milissegundos», explica José María Casas, Consultor Sénior do Director de Telecomunicações, da ESA.

Mesmo com diversos encoders a processar as imagens ao longo de todo percurso, o espectador em casa apenas recebe a imagem e o som alguns segundos depois do registo real.

«A televisão por satélite chegou provavelmente com a chegada do Homem à Lua em 1969. Ficou na altura claro que só porque existiam satélites de telecomunicações foi possível distribuir este sinal que chegou da Lua aos EUA e depois transmitido para o resto do planeta. E se cada um de nós foi capaz de ver em tempo real Neil Amstrong a pisar a lua, foi porque o sinal estava a ser transmitido através de vários satélites de telecomunicações», afirma José María Casas.

Em 2008, mais de 100 milhões de casas já recebiam na Europa programas de televisão transmitidos por satélite. «Hoje estamos a falar de satélites com cinco, seis ou sete mil quilos com 50 a 100 canais, em que podemos pôr num único satélite, provavelmente, 500 programas de TV. E no total, no espaço, existem actualmente cerca de 300 satélites na orbita geoestacionária, a 36 mil quilómetros acima do equador e nesses 300 satélites estão 25 mil programas», explica o Consultor.

Mas como é que isto funciona? Para encontrar algumas respostas fomos até à Riviera Francesa. Nesta sala limpa em Cannes é produzido um quarto dos satélites de telecomunicações do mundo.

A componente central é um tubo de fibra de carbono no qual é construído o resto do satélite. Uma vez finalizado, o satélite é cuidadosamente embrulhado num material protector que lhe vai permitir suportar, não apenas a dura viagem para o espaço, mas também as temperaturas extremas e os potenciais danos provocados pelo luz solar quando estiver em órbita.

«É fenomenal. Os equipamentos que estão no satélite vão vibrar e estão sujeitos a quase uma centena de ‘Gs’ em aceleração terrestre. Ao nível do ruído, um lançador faz mil vezes mais ruído que um avião normal, portanto, existe stress verdadeiramente significativo», explica Didier Pin, Engenheiro Chefe de Satélite, da Thales Alenia Space.

Uma vez na órbita geoestacionária, os satélites movam-se sincronicamente com a Terra para que as antenas possam apontar numa direcção fixa e manter uma ligação com os satélites. «O satélite tem de se movimentar sincronicamente com a Terra e só existe uma órbita, é paralela ao equador a 360 quilómetros da superfície da Terra e esta órbita que alberga os satélites move-se em sincronização com eles. Esta é a órbita geoestacionária», explica José María Casas e adianta que «é na órbita geoestacionária que nós estamos a colocar a maioria dos satélites estacionários que permitem depois usar antenas fixas. Caso contrário, são necessárias antenas que se movem à medida que os satélites se movem».

Mas na realidade, a força a que estão sujeitos os satélites no espaço leva-os a mudanças de diferentes direcções, obrigando os Engenheiros em Terra a ajustá-los regularmente.

Mas há ainda muito a melhorar e a ESA está envolvida em novos desenvolvimentos da tecnologia, nomeadamente, no apoio a avanços na emissão e recepção de imagens de televisão. Aqui, na Holanda, os engenheiros da ESA estão a desenvolver a televisão de amanhã.

«Os humanos têm dois olhos, por isso precisamos de duas imagens. Uma para o olho esquerdo e outra para o olho direito. Enviamos as duas imagens para o satélite, elas voltam para a televisão e a televisão mostra sobreposição das duas. Depois, quando colocamos os óculos consegue-se o efeito 3D», explica Marco Sartori, Engenheiro de Aplicações de Telecomunicações da ESA.

Mas e como é produzido e transmitido para televisão um programa em 3D? «A televisão 3D é quando basicamente filmamos com duas câmaras. Uma funciona como o olho esquerdo e outra como o olho direito. Estas duas câmaras têm de substituir rapidamente a distância que existe entre os olhos humanos», explica Marco Satori e adianta que «depois pegamos no sinal, transmiti-lo através de um satélite, por exemplo, que depois é enviado para radiotransmissão. Ai, o que a radiotransmissão tem de fazer é mostrar a imagem do olho direito para olho direito e a do olho esquerdo para o olho esquerdo. Para fazermos isso, tipicamente usamos óculos, nalguns sistemas podem existir baterias nos óculos e noutros não».

Actualmente são duas imagens paralelas que estão a ser enviadas para o espaço num canal HD, mas a ESA está a explorar outras soluções técnicas que possam ajudar a definir o standard europeu para a TV 3D.

«Aquilo que é muito importante é ser capaz de optimizar a largura de banda que usamos a partir do satélite. O satélite é um recurso extremamente escasso, por isso queremos garantir que estamos a optimizar cada bit que temos dos nossos satélites», afirma Marco Sartori.

3DTV, TV Interactiva, TV on-demand…seja qual for o nome. A Televisão do futuro está apenas a um clique de distância, mas o futuro da televisão está lá em cima no espaço.

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