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Centro Ciência Viva do Lousal reforça divulgação científica no Alentejo |
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01-07-2010 15:39
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Lúcia Vinheiras Alves |
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| ©TV Ciência |
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O Centro da Rede Ciência Viva, inaugurado no Lousal, insere antigas actividades mineiras da região no roteiro da divulgação científica. O Centro recorre às mais modernas tecnologias de realidade virtual.
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Junto às antigas minas do Lousal, no Concelho de Grândola, o mais recente Centro Ciência Viva reuniu na inauguração Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o Presidente da Câmara de Grândola, a Presidente da Agência Ciência Viva, o Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Reitores e diversos convidados. Presenças que demonstraram a importância do Centro no contexto do desenvolvimento local.
Um desenvolvimento local que, no caso dos Centros de Ciência Viva, tem tido a preocupação de estabelecer uma estreita ligação entre o património cultural e científico da região e torná-lo um elemento aglutinador para a recuperação sobretudo do património edificado.
«Na nossa Rede de Centros apostamos na reabilitação de espaços já existentes e, por isso, temos Centros de Ciência Viva em sítios tão extraordinários como uma antiga prisão, uma antiga igreja, um antigo Convento, uma antiga fábrica e agora uma antiga mina», explica Rosalia Vargas, Presidente da Agência Nacional para a Cultura Cientifica e Tecnológica.
O Centro Ciência Viva do Lousal leva o visitante a viajar no tempo, aos anos em que mineiros exploravam a riqueza do subsolo. E a imersão do visitante é total dado que o centro se instalou em edifícios da actividade mineira, como o Gabinete de Geologia, o Armazém do Óleo, a Casa do Ponto, a Casa das Lanternas, a Casa dos Equipamentos de Trabalho e o Balneário. Edifícios restaurados com mestria que agora albergam módulos científicos interactivos.
O tema central do novo Centro ou ‘Mina de Ciência’, como foi baptizado, é a actividade mineira. Uma actividade que o Centro cruza com diversas áreas científicas como a geologia, a física, a química e a biologia.
O Centro de Ciência Viva do Lousal recorre à mais avançada tecnologia em computação avançada, e criou uma ‘Gruta Virtual’. Um espaço onde, com recurso a tecnologia de imersão 3D, o visitante vai através dos labirintos de uma mina, corredores estreitos, profundidades onde a presença apenas se sinaliza pela lanterna existente no capacete e a voz oscila entre ecos e murmúrios de um passado que agora é tornado realidade, mesmo que virtual.
Uma das características do sistema de computação gráfica é que, para além de utilizar tecnologia avançada de realidade virtual, foi concebido e desenvolvido integralmente por equipas portuguesas e é considerado um recurso com potencialidades para o desenvolvimento de investigação científica no local.
«Os conteúdos de computação gráfica que se desenvolvem na Cave tem essa vertente muito acentuada», afirma Jorge Relvas, Coordenador do Centro Ciência Viva do Lousal.
Mas o especialista acrescenta ainda que «como é um equipamento único na Península Ibérica permite albergar estudos de teses, estudos pós-graduados, mestrados e doutoramentos nesta área da Computação Gráfica. Portanto, estudantes de Universidades, como por exemplo, do ISCTE ou da Universidade de Lisboa, onde têm um grupo forte na Faculdade de Ciências de Computação Gráfica e Informática podem desenvolver os seus trabalhos de tese utilizando esta infra-estrutura e isso é uma mais-valia que nós tiramos deste Centro».
Uma mais-valia que para Carlos Beato, Presidente da Câmara Municipal de Grândola, pode ser essencial para o desenvolvimento da região. «Queremos que este equipamento, que tem tecnologia de ponta inovadora e que é um dos mais modernos centros de Ciência Viva a nível Ibérico, possa a nível empresarial funcionar aqui um próprio centro de investigação e de experimentação».
Um Centro que Carlos Beato pretende seja dinâmico para atrair diversos tipos de públicos, e refere: «queremos que a nível académico e estudantil possa também ser um centro de experiencias para os mais novos, em que as Universidades, as Escolas, os técnico-profissionais possam fazer deste espaço e deste equipamento um acrescentar dos seus saberes, das suas competências, do seu conhecimento. Este Centro também foi feito a pensar nisso».
O Presidente da Câmara prevê que o novo Centro venha a ser catalisador de desenvolvimento da região, nomeadamente, atraindo cada vez mais visitantes, triplicando os já 50 mil que o Lousal recebe anualmente.
Visitantes que podem encontrar no Lousal, como nos restantes dezanove Centros de Ciência Viva do país, cada vez mais actividades científicas interactivas, podendo a Rede de Centros de Ciência Viva ser a ‘espinha dorsal’ de turismo científico em Portugal.
E como afirma Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, «as actividades de turismo científico desenvolveram-se muito com as actividades de verão dos Centros Ciência Viva».
A título de exemplo, o Ministro adianta que será «normal que no Centro Ciência Viva do Lousal ou no Centro Ciência Viva de Estremoz uma pessoa que os visite em Julho, Agosto ou Setembro e queira saber tudo o que há de actividades científicas, como por exemplo, actividades de astronomia, encontre essa informação nos Centros e que seja suscitada a participar nessas actividades».
O Ministro prevê, como refere, que «os Centros Ciência Viva sejam também fontes de informação, não apenas de informação e de resposta à curiosidade científica das pessoas, mas que sejam eles próprios portas para uma espécie de grande consultório científico à escala nacional mas que, por outro lado, possam também servir como elementos de apoio à orientação escolar e profissional, onde jovens possam encontrar momentos para terem interlocutores qualificados».
Por enquanto, Mariano Gago considera que «o fundamental neste momento parece-me ser o desenvolvimento da programação e da actividade científica dentro dos próprios Centos. Os Centros hoje já são verdadeiramente casas de ciência mas podem sê-lo ainda mais. Julgo que haveria vantagem se houvesse uma programação científica conhecida à escala do país, que dentro de uns anos tivesse a importância que tem hoje a programação cultural.»
O Centro de Ciência Viva de Lousal com investimento total de 2 milhões e 500 mil euros envolveu vários parceiros, nomeadamente o ISCTE, a Faculdade de Ciências e o Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa, a Câmara Municipal de Grândola e a Fundação Frédéric Velge, mas a obra está agora para ser uma inesgotável ‘Mina de Ciência’.
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