Nº 24 Set. 2010
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Cientista apresenta iniciativa para observar o oceano
08-07-2010 
 
Sensores, redes de fibra óptica, câmaras de vídeo, veículos inteligentes são algumas das tecnologias que podem tornar os oceanos num laboratório científico. Um programa apresentado em Lisboa, no Ciência 2010.
O mar foi ao longo dos tempos o motor de muitos progressos científicos e tem contribuído para muito do desenvolvimento económico. Os recursos que o mar dispõe são vários mas muitos são ainda desconhecidos.

No encontro com a Ciência e aTecnologia 2010 que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa, John Delaney, Director do Programa Neptuno e Professor da Escola de Oceanografia da Universidade de Washington, refere que a investigação dos oceanos vai mudar em virtude do uso de tecnologias cada vez mais sofisticadas e acrescenta que «a mudança fundamental é que os humanos terão comunicações de alta velocidade, computadores muito poderosos, robots, núcleos de sensores e muitas outras tecnologias envolvidas incluindo comunicações de alta velocidade por fibra óptica».

O investigador afirma que a tecnologia vai permitir «entrar no oceano através de novos meios e manter uma presença humana permanente ao longo do oceano, disponível em todos os continentes através da internet».

Os oceanos são laboratórios de ciência onde agora os cientistas devem imergir com recurso a tecnologias avançadas, considera John Delaney, o que é uma mudança «na forma como os humanos vão estudar o oceanos».

O investigador lembra ainda que «costumava ser através de navios, costumavamos ver navios no oceano, Vasco da Gama, Magalhães, eles foram para o mar e exploraram os oceanos. Nós usamos submarinos, depois começámos a usar satélites, mas agora a grande mudança é que em vez de o vermos do espaço ou a partir de navios, vamos estar dentro dele».

As áreas de investigação são as mais diversas apenas estão dependentes da força da curiosidade, da força que move a procura do conhecimento.

Uma das área considera John Delaney ser «a verdadeira ecologia de todos os diferentes mamíferos como as baleias, e coloca algumas perguntas: «Onde vão? O que fazem? O que comem? Onde ser reproduzem? Qual o seu nível de saúde? Todo o tipo de coisas como essas vão ser estudadas, como os vulcões submersos nos Açores».

E o investigador continua referindo que «olhar para a forma como os micróbios e a biosfera de micróbios no fundo do mar, nos vulcões, vem para a superfície através da água e chegam aos oceanos. São micróbios exóticos, ninguém os viu antes e pela primeira vez podemos estar presentes para os recolher, trazê-los para laboratório e começarmos a estudá-los de um ponto de vista de desenvolvimento biotecnológico».

Mas há muitas outras áreas que com o recurso a sofisticados sistemas e veículos robotizados será possível acompanhar e investigar.

O investigador de Washington lembra que « na verdade, vamos ser capazes de monitorizar os vulcões debaixo de água à medida que eles mudam, vamos ser capazes de olhar para a saúde do fitoplâncton, do zooplâncton à medida que os peixes se alimentam deles. Poderemos olhar para as tempestades gigantes e os efeitos que têm, para uma série de sistemas que são sempre muito complicados».

Tornar o mar, a profundeza dos oceanos aberta à exploração, ou seja, ao conhecimento, pode ser um sonho, mas que com o avanço das tecnologias pode vir a tornar-se realidade. A convicção é de John Delaney que refere ser possível com «a integração de muitas diferentes novas tecnologias».

E o investigador explica, referindo que «muitas dessas novas tecnologias estão envolvidas noutras áreas, outras que não a oceanografia mas a oceanografia está a aprender a puxá-las para a oceanografia de uma nova e diferente forma, para fazer uma abordagem muito mais poderosa do que alguma vez fizemos».

A exploração do oceano é sobretudo vista pelo impacto económico. Um impacto importante mas o Director do programa Neptuno vê outras vantagens, dizendo que «haverá muitas pessoas no continente que vão poder ensinar a ecologia de todo o planeta. Muitas pessoas esquecem a importância da ecologia do planeta numa altura de alterações climáticas».

E na mesma linha diz que «isto é muito, muito importante que os humanos compreendam e vivam de acordo. Nós não vamos progredir com 6,4 mil milhões de pessoas, se não vivermos da forma correcta, vamos ter um grande impacto no planeta».

Continuando a afirmar que « os oceanos são o sistema de sustentabilidade da vida para os seres humanos. Portanto, não apenas como um benefício económico para nós vivermos bem e confortavelmente com os oceanos».

E os reflexos vão ser a vários níveis, ou seja, « vai haver repercussão na indústria da pesca à medida que aprendermos a gerir melhor os oceanos, bem como vamos começar a extrair metais de vários tipos e de diferentes formas do oceano» refere o investigador.

Portugal mantém várias frentes de investigação em curso sobre os oceanos, mas o Professor da Universidade de Washington destaca uma das áreas: «existem muitos colegas em Portugal que estão muito dedicados à robótica. Penso que a robótica no oceano vai ser um dos elementos chave que é essencial para trabalharmos nos oceanos. Sem robots cada vez mais sofisticados. com muitos tipos de sensores neles embutidos e sem o controlo do humano ou autónomos, ou seja, que eles eventualmente possam pensar sozinhos. Isto vai ser muito, muito importante. Isto é um enfoque e Portugal tem uma importante ciência oceanográfica e têm um programa robótico muito forte».

Com recurso a sofisticada tecnologia, sensores, câmaras de vídeo de alta qualidade, veículos inteligentes, comunicações por fibra de alta largura de banda os oceanos podem ser em breve um laboratório aberto a cientistas mas também a professores e estudantes de todas as idades.

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