Nº 24 Set. 2010
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Transferência de tecnologia da ESA acelera competitividade
10-05-2010 11:39
 
António Manuel
©ESA
ESA apoia novas empresas a transferir tecnologia espacial para dispositivos utilizados no dia-a-dia. Produtos e serviços que são o resultado da aposta do Centro de Incubação Empresarial da ESA.
O sector da indústria espacial é dos mais férteis para o desenvolvimento da tecnologia. No entanto, não se sabe muito como a transferência da tecnologia é usada nas aplicações diárias que vêm mudando a nossa vida.

«Existem diariamente entre 40 a 50 sondas espaciais que estão a trabalhar para si, não as vê porque está habituado a elas. A internet a que está habituado, com o Skype que num minuto está ligado e vai a qualquer parte no mundo. Como é isso possível sem a transferência?! Existem cabos, mas os dados também são transmitidos com a nave espacial, portanto, tudo isso é desconhecido», explica Michel Courtois, Director de Gestão Técnica e de Qualidade, da Agência Espacial Europeia (ESA).

. Há 20 anos a ESA definiu o Programa de Transferência de Tecnologia para valorizar o conhecimento espacial em benefício dos cidadãos europeus. O programa envolve uma rede de agentes na Europa com a função de encontrar empresas que possam retirar partido das tecnologias em conjugação com os especialistas da ESA.

Para alavancar esta transferência e a comercialização das tecnologias espaciais foi desenvolvida uma estratégia para encorajar o empreendedorismo e a criação de novas empresas.

«Nós percebemos há seis anos que na indústria espacial, a empresa por si não é o local indicado para os jovens empreendedores começarem, por isso, criamos um ambiente de incubação empresarial que permite aos jovens empreendedores começarem o seu novo negócio e fornecemos três ingredientes para o fazerem – acomodação muito perto do nosso ambiente, incentivo de financiamento para que estas empresas possam começar e amadurecer mas não terminar e o mais importante, acesso às nossas instalações e aos nossos especialistas que são únicos no mundo», explica Frank Salzgeber, Responsável pelo Programa de Transferência de Tecnologia da ESA.

Para isso a ESA instalou o seu primeiro Centro de Incubação de Empresas, no Centro Europeu de Tecnologia e Investigação Espacial, ESTEC, na Holanda.

Jeroen Roteveel é um jovem graduado em engenharia e é apenas uma das pessoas que beneficiou com este programa. A sua empresa, a IDS, produz um sistema de rastreamento para a indústria marinha, acessível e fácil de usar.

«A IDS está a usar uma constelação um grupo de pequenos satélites que construímos para fazer o rastreamento de navios no oceano. Usámos rotinas avançadas de software desenvolvidas, por exemplo, pela ESA para detectar navios nos oceanos usando os nossos pequenos satélites», explica Jeroen Roteveel Co-fundador e CEO da IDS e adianta que «este centro incubador de negócios é uma grande ajuda para nós porque estamos aqui localizados no Campus do ESTEC perto dos especialistas, temos o nosso próprio escritório e eles têm-se movido para nos encontrarem algum financiamento inicial, para podemos desenvolver o nosso próprio plano de negócio».

Até à data o Centro de Incubação Empresarial da ESA, no ESTEC, tem sido bem sucedido e criou cerca de 200 novos empregos em 50 novas empresas que têm agora produtos no mercado europeu.

Estas empresas incluem: um projecto denominado ‘Todos à minha volta’, que transfere a tecnologia de navegação por satélite desenvolvida para o Galileo para um dispositivo que nos permite saber o que está a acontecer nas imediações.

Um sistema de jogo denominado ‘Em tempo real’, que faz o rastreamento de carros de corridas, permitindo aos utilizadores competirem ‘ao vivo’ contra os seus condutores favoritos.

E um sistema de gestão de alarme para a industria energética, denominado Rivops, que dá prioridade às emergências nas estações de petróleo em offshore.

Estes e muitos outros projectos de sucesso criaram novas oportunidades de negócio e empregos nas empresas que não são do sector espacial e alargou o mercado para as tecnologias espaciais.

A empresa MetaSensing, de Adriano Meta, tem usado tecnologia do satélite de observação da Terra da ESA, o Envisat, para desenvolver radares compactos e de alta resolução que conseguem monitorizar a terra e edifícios a partir de pequenas aeronaves. Isto torna o sistema altamente acessível na área do planeamento urbano e vigilância do solo.

«O Centro de Incubação de Empresas deu-nos acesso a técnicos altamente qualificados e a laboratórios, deu-nos a oportunidade de usar equipamento para construir mini sensores para o nosso radar compacto e, mais importante que isso, deu-nos a possibilidade de apresentar os nossos resultados ao mundo exterior e torná-los um sucesso comercial», afirma Adriano Meta, Director da MetaSensing.

Os resultados positivos do Centro de Incubação no ESTEC levaram à criação de outros centros da ESA, na Alemanha e Itália, e já há mais centros planeados. Com este sucesso a ESA decidiu avançar mais um passo.

«Há seis anos começámos a incubação aqui no ESTEC – teve tanto sucesso que outros países copiaram este modelo juntamente connosco. Agora passados seis anos chegámos a uma nova fase. Convidámos novos parceiros, parceiros nacionais, o Ministro da Economia e melhorámos ainda mais este processo, que é o que estamos actualmente a lançar», explica Frank Salzgeber.

Ao combinar os melhores ingredientes das organizações nacionais e internacionais para apoiar novas empresas, o modelo de incubação de empresas da ESA vai avançar para um outro nível, funcionando como um acelerador para a competitividade empresarial e inovação da Europa no futuro.

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