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Bento XVI encontra-se com mundo da cultura portuguesa |
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12-05-2010 18:38
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Lúcia Vinheiras Alves |
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| ©TV Ciência |
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Papa alerta para a existência de ‘conflitos’ entre a cultura actual e a tradição e pede aos obreiros da cultura para serem fazedores de esperanças, ampliadores do conhecimento e do empenho humano.
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Na primeira visita a Portugal, Papa Bento XVI encontra-se com portugueses ligados à cultura no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Para o Papa, hoje a cultura reflecte uma tensão que muitas vezes tem a forma de conflitos entre o presente e o património cultural do passado.
«De facto, a cultura reflecte hoje uma ‘tensão’, que por vezes toma formas de ‘conflito’, entre o presente e a tradição», afirma o Papa Bento XVI e acrescenta que «a dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro. Mas uma tal valorização do ‘presente’ como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do Povo Português, muito marcada pela milenária influência do cristianismo, com um sentido de responsabilidade global, afirmada na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo missionário, partilhando o dom da fé com outros povos».
Aventura portuguesa que transportava sentido de vida e história, ao que o Papa chama sabedoria. «O ideal cristão da universalidade e da fraternidade inspiravam esta aventura comum, embora a influência do iluminismo e do laicismo se tivesse feito sentir também. A referida tradição originou aquilo a que podemos chamar uma ‘sabedoria’, isto é, um sentido da vida e da história, de que fazia parte um universo ético e um ‘ideal’ a cumprir por Portugal, que sempre procurou relacionar-se com o resto do mundo».
Para o Papa a igreja é a grande defensora da tradição e, ao mesmo tempo, sente como missão prioritária, na cultura actual, olhar a um passado, ou seja, o que define como coisas penúltimas.
«A Igreja sente como sua missão prioritária, na cultura actual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olharem para além das coisas penúltimas e porem-se à procura das últimas», refere Bento XVI.
O Papa faz ainda referência a Luís de Camões, dando-o como exemplo aos fazedores de cultura, citando o poeta: ‘novos mundos ao mundo ir mostrando’.
«Esta é uma hora que reclama o melhor das nossas forças, audácia profética, capacidade renovada de ‘ovos mundos ao mundo ir mostrando’, como diria o vosso Poeta nacional. Vós, obreiros da cultura em todas as suas formas, fazedores do pensamento e da opinião, ‘tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano’», refere o Papa Bento XVI.
Empenho humano em que a Igreja colabora, através da presença em organismos internacionais, como lembra Bento XVI «Nomeadamente, no Centro Norte-Sul do Conselho da Europa instituído há 20 anos aqui em Lisboa, tendo como pedra angular o diálogo intercultural a fim de promover a cooperação entre a Europa, o Sul do Mediterrâneo e a África e construir uma cidadania mundial fundada sobre os direitos humanos e as responsabilidades dos cidadãos, independentemente da própria origem étnica e adesão política, e respeitadora das crenças religiosas. Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza».
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