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Recursos do mar são solução económica para Cavaco Silva |
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11-05-2010 10:22
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Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e edição: António Manuel |
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| ©TV Ciência |
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Cavaco Silva faz roteiro pela zona Oeste Norte, onde destaca actividades ligadas ao mar como solução económica para o país e sublinha que o mar deve ser elevado à categoria de Estratégia Nacional.
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O mar sempre fez parte da vida dos portugueses e hoje, como no passado, deve contribuir para o desenvolvimento económico de Portugal.
Para o Presidente da República, Cavaco Silva, o mar deve ser elevado à categoria de Estratégia Nacional transformando a zona marítima num espaço de recursos económicos.
Em mais um Roteiro dedicado às Comunidades Locais Inovadoras, Cavaco Silva, visita a Escola Superior de Turismo e Tecnologias do Mar, em Peniche.
«Esta Escola, quanto sei, aposta na valorização dos recursos marinhos e no aproveitamento da vertente turística ligada ao mar. É uma combinação feliz tendo em atenção o recurso do mar e o nosso clima temperado e aquilo que o mar pode fornecer em termos de atracção turística e de produtos turísticos inovadores», afirma Cavaco Silva.
A Escola de Turismo e Tecnologias do Mar conta com 1400 alunos a frequentar diversos cursos de licenciatura e mestrado. Formação de sucesso que se traduz na taxa de empregabilidade entre 80% a 90% dos diplomados. Um sucesso que parece dever-se ao modelo de ensino adoptado pela Escola.
«Nós temos uma preocupação especialmente grande com a parte prática e nesse sentidos todos os nossos cursos têm uma componente prática de pelo menos 50%, ou seja, os alunos estão em sala de aula prática a fazer trabalho prático metade do tempo lectivo e isto para mim é claramente uma mais-valia», refere Teresa da Silva Mouga, Directora da Escola Superior de Turismo e Tecnologias do Mar, do Instituto Politécnico de Leiria.
A Directora adianta que «depois temos a proximidade ao mar, quer do ponto de vista do turismo, porque encontramos aqui todas as empresas da área turística, quer do ponto de vista dos recursos marinhos, nós temos um laboratório aqui à porta. E, portanto, é sair a porta da Escola e ir trabalhar para a rua, que nós fazemos muito trabalho de campo também e temos muitos projectos de investigação que têm a ver com o mar e portanto é sair à rua e fazer 20 metros até chegar ao mar».
Condições que favorecem o desenvolvimento da investigação científica, e que a Escola de Peniche tornou prioridade. «Nós estamos a trabalhar muito na área da biotecnologia marinha, temos muitos projectos a decorrer nesta área e depois estamos a trabalhar também muito a área da aquacultura muito associada à aquariofilia. A aquacultura em Portugal tem de procurar novos rumos, novos caminhos além dos tradicionais porque não conseguimos competir com os países da Europa e da Ásia, portanto, temos de procurar novos rumos. E estes novos rumos podem ir no sentido de procurar novas espécies de cultivo ou novas aplicações dessas espécies e a aquariofilia é uma das áreas que está em maior desenvolvimento a nível mundial. E nós estamos a apostar claramente nessa área», refere Teresa da Silva Mouga.
Uma aposta que envolve também empresas, num trabalho de colaboração com benefícios mútuos. «Nós temos várias empresas que estão associadas em projectos de investigação. O que nós estamos a fazer é, todos os nossos projectos são de investigação aplicada. E, portanto, nós temos por exemplo o projecto com a Ceramed em que nós estamos a fazer a extracção do quitosano, que é um biopolímero e que pode ser utilizado com muitas finalidades da componente alimentar ou da componente biomédica. E isto é feito através da extracção da casca de crustáceos por exemplo, o que estamos a trabalhar neste momento é o camarão para produzir o quitosano. Isto porque o quitosano é um produto importante mas tem que haver uma extracção natural a partir de um produto biológico de espécies biológicas».
«Outro trabalho muito interessante que estamos a desenvolver é na área das algas marinhas. Já estamos a trabalhar com a Lotaçor para fazer a produção de um gelo biológico, é um gelo aditivado com antioxidantes naturais provenientes de algas. Temos um conjunto importante de projectos nestas áreas, na área da biotecnologia marinha», explica a Directora.
Projectos de investigação aplicada que favorecem a ligação entre a escola, as empresas e a comunidade. «Depois este Instituto, esta Escola Superior tem desenvolvido projectos de investigação com a preocupação de criar valor, isto é, projectos de investigação que possam acrescentar competitividade às empresas no domínio do mar e no domínio do turismo. E por isso não posso deixar de realçar o esforço feito para fazer a ligação entre a Escola e a comunidade», afirma o Presidente da República.
Mas é já na Nazaré, que o Presidente da República volta a referir a falta de aproveitamento que Portugal faz do mar. «É difícil de compreender que Portugal sendo um dos países europeus com maior zona costeira e com maior zona económica exclusiva não aproveite o mar em todas as suas potencialidades como fazem os outros países, que não crie o emprego e não crie o valor que está a ser criado pelos outros países a partir do mar».
Na Marinha Grande, Cavaco Silva visita o grupo empresarial português Vangest. Especializado em design de moldes, o grupo apresenta um volume anual de negócios de 22 milhões de euros e uma forte presença nos mercados internacionais.
«Nós exportamos mais de 85% do nosso volume de negócios, quer dizer que os nossos clientes nacionais de alguma forma em termos do volume global de negócios se tornam um bocadinho marginal. Mas, grandes clientes, nós temos a BioSystems na área médica, a Volkswagen, quando eu digo Volkswagen nós não trabalhamos directamente com a Volkswagen, nós trabalhamos para fornecedores da Volkswagen, mas nós vamos percebendo que as OIM que são os construtores automóveis vão aconselhando os seus construtores a trabalhar connosco», explica Carlos Oliveira, Administrador do grupo Vangest.
Mas também a BMW, a General Motors, a Porshe, a Bosch ou a Swatch são clientes da Vangest. Mas o grupo português está agora a apostar forte na área médica. Um exemplo, é a criação de modelos para cirurgia de reconstrução maxilo-facial.
«Nós recebemos um TAC e conseguimos informativamente tratar esse TAC e fazer a reconstrução do crânio ou de outra parte do corpo. Normalmente são os crânios, o trabalho para o crânio, para a face e para os maxilares, que mais nos têm sido solicitados. E fazendo essa reconstrução nós mostramos ao médico o que é que é o crânio do seu paciente. Identificamos a parte que está destruída por acidente ou que está deformada, reconstruímos em protótipo, o paciente pode ver o que é que lhe vai acontecer e o médico quando entra no processo cirúrgico já tem a peça certa para colocar no local certo, como se fosse uma pecinha que falta num puzzle muito complicado. E não precisa de andar à procura da peça e a afiná-la. Ela está feita aqui, ela é colocada no crânio, no maxilar do paciente», explica o Administrador.
Com uma equipa jovem altamente qualificada e utilizando avançada tecnologia de desenho por computador, a Vangest dá resposta às mais diversas e complexas solicitações.
«Nós somos aproximadamente 220 pessoas, mais de 60% têm ou formação universitária ou pelo menos frequência universitária. É uma equipa extremamente jovem e muito mais facilmente motivável e disponível para a inovação», refere Carlos Oliveira.
Uma Inovação que a empresa Vangest mantém como prioridade, baseada numa abertura de colaboração com diversas instituições de ensino. «Nós temos projectos conjuntos, nomeadamente, com a Escola de Engenharia de Leiria, com a Universidade do Minho e estamos sempre dispostos a colaborar e a cooperar. E mais. Estamos dispostos a ter a nossa porta aberta para ajudar na formação dos alunos. Aceitamos estágios, estamos absolutamente em diálogo continuado com as Universidades e os Centros de Saber, porque é bom estarmos juntos dos Centros de Saber, mas também é bom que os Centros de Saber estejam próximos de nós porque temos vantagens mútuas».
Na visita à Vangest, o Presidente da República, inaugurou duas novas unidades de produção de moldes, dando ainda maior sentido ao Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras.
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