 |
|
|
 |
 |
|
|
 |
Comunicações militares podem comprometer sucesso do SMOS |
 |
17-05-2010
|
|
 |
Manuel Silva |
 |
|
| ©ESA-AOES Medialab
|
|
Satélite de Observação da Terra envia primeiros dados com sucesso, mas cientistas estão preocupados com interferências de bases civis e militares na frequência protegida de banda-L, em que o SMOS opera.
|
 |
A missão de exploração da Terra da ESA decorre com total sucesso durante a fase de testes. O satélite de observação da Terra, SMOS, está já a enviar dados que confirmam o sucesso da missão, mesmo na fase de testes.
Usando avançadas e inovadoras tecnologias, desenvolvidas ao longo de 20 anos, o satélite transmitiu as primeiras imagens de medidas globais da humidade do solo e salinidade dos oceanos. Dados valiosos para melhorar a compreensão do ciclo de água na Terra.
O satélite composto por três braços, com quatro metros de comprimento, dando a ideia de uma estrela, interliga 69 receptores que medem a radiação vinda do solo.
O Microwave Imaging Radiometer with Aperture Synthesis ou MIRAS, surpreendeu os cientistas da ESA com o rigor dos dados na fase de teste, ainda sem calibração.
O MIRAS produz imagens a cada 1,2 segundos à medida que orbita a 460 km acima do solo e dos oceanos.
Imagens recolhidas da Escandinávia, Austrália e Brasil destacam regiões de solos secos e húmidos e sobre os oceanos a variabilidade da salinidade.
Estes dados chegaram como uma surpresa positiva, já que a detecção das variações da salinidade, eram apenas esperadas após uma longa acumulação de dados.
«Aquilo que vimos hoje, em resultado da acumulação de várias semanas de trabalho», afirma Achim Hahne, Gestor do Projecto SMOS, da ESA e adianta que «já com órbitas únicas nós conseguimos ver padrões de salinidade, o que corresponde às expectativas mas mostrou variações comparativamente com climatologia. Portanto, o padrão de salinidade já está a funcionar, mesmo com muito menos quantidade e muito menos processamento de sinal que esperávamos. Portanto, os dados chegam como uma surpresa muito positiva».
A calibração do instrumento para assegurar o rigor das medições está em curso – ao corrigir, por exemplo, as variações da temperatura devido às reflexões do Sol e da Lua. A imagem já calibrada da Austrália mostra claramente características geográficas como os lagos.
«Os primeiros dados do solo que tivemos foi sobre a Austrália onde tínhamos uma Campanha, na parte ocidental da Austrália na bacia Murray-Darling, e ai as medições feitas pelo SMOS encaixaram perfeitamente com as medições de terreno que tínhamos», refere Yann Kerr, Investigador Principal do SMOS, do Centro de Estudos Espaciais da Biosfera (CESBIO), em Toulouse, e adianta que «obviamente que as medições no terreno demoram até ficarem completamente disponíveis, mas é muito encorajador».
As análises estão ainda a decorrer mas a concordância foi surpreendentemente positiva. Entretanto, estão já planeadas para as próximas semanas e próximos meses outras campanhas no terreno.
Cerca de cinquenta Institutos e Centros de Investigação de todo o mundo estão já à espera para começar a interpretar os dados do SMOS, em áreas como a oceanografia, previsões climatéricas, climatologia e gestão do solo.
Achim Hahne explica que «desde a China, Rússia, EUA, Argentina e obviamente de todas as partes da Europa, que estão à espera do lançamento oficial dos dados, de forma a poderem começar a fazer ciência com eles. Mas para além destes, a cada duas semanas há alguém que me bate à porta e pergunta ‘ o que tenho de fazer para obter todos os dados?’. Existe um interesse, mas isso vai aumentar provavelmente dramaticamente quando os dados forem oficialmente apresentados ao público».
A missão do SMOS, no entanto, encontrou um grave problema. O SMOS opera numa frequência protegida de banda-L que está reservada para a ciência e astronomia. Mesmo assim, encontrou interferências rádio, decorrentes principalmente de radares militares e civis.
«O que surgiu como uma surpresa verdadeiramente má é que nós vimos muitas interferências de instalações com base em terra, principalmente, radares militares como suspeitávamos, mas também radares de aeroportos e instalações semelhantes. E, surpreendentemente, os EUA estão limpos de radar», afirma Achim Hahne e adianta «o que vimos foi sobre partes da Europa, mas também, por exemplo, sobre a China grandes partes destas interferências e isso é uma grande, grande preocupação para os resultados finais da ciência que estamos a tentar fazer».
As interferências foram particularmente perceptíveis sobre Israel, Afeganistão e China mas também na Europa. Sobre Espanha, por exemplo, estas transmissões sem autorização interferiram por completo nos dados do SMOS – um golpe para um país que investiu fortemente nesta missão da ESA.
A ESA levou agora o assunto às autoridades internacionais para encontrarem soluções que permita ao SMOS, e a outras futuras missões de Observação da Terra, alcançarem correctamente os seus objectivos.
«Penso que o SMOS vai ser uma coisa verdadeiramente diferente, porque pela primeira vez vai ser capaz de obter informação que nenhum outro satélite conseguiu até agora. Para a humidade do solo, existiram outras missões dedicadas capazes de encontrar algo, mas esta é uma missão dedicada à salinidade e à garantia que ninguém tentou até agora. O SMOS vai ser uma verdadeira mais-valia», conclui Jordi Font, Investigador da Agência Estatal do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), em Barcelona.
|
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
 |
|
 |
 |
 |
|