Nº 24 Set. 2010
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A Biodiversidade está em perigo
25-05-2010 
 
Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Edição: António Manuel
©TV Ciência
O objectivo definido, para 2010, pelas Nações Unidas de travar a perda da biodiversidade não foi conseguido, aumentando todos os dias o ritmo de extinção de espécies e a perda dos ecossistemas.
Cor, forma, várias cores, várias formas. É esta variedade de espécies que habita connosco a Terra e que constitui o património biológico mundial. A biodiversidade – ou variedade de ecossistemas, espécies e genes – é a base do modelo de sustentabilidade do mundo onde vivemos. Uma sustentabilidade que, a cada dia que passa vai diminuindo, à medida que a biodiversidade é perdida.

Não sabemos com rigor quantas espécies de flora ou fauna existem, mas sabemos que, todos os dias, muitas espécies são extintas. A biodiversidade é vital para todos nós, pois suporta os nossos alimentos, regula o ciclo da água e define a nossa qualidade de vida. È na biodiversidade que se encontram as soluções para muitos dos problemas actuais e, em primeiro lugar, o suporte para o desenvolvimento económico e social.

A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. Um ano para fazer o balanço dos compromissos assumidos em 2002, com a Assinatura da Convenção para a Diversidade Biológica.

E neste ano de 2010 todas as sirenes estão no máximo, pois não se verifica a desejada diminuição da perda da biodiversidade. Pelo contrário, aumentou para ritmos nunca antes esperados, de entre 100 a 1000 vezes superior à taxa normal.

No relatório ‘Parceria para os Indicadores para a Biodiversidade 2010’, as Nações Unidas referem que desde 1970, as populações de animais reduziram em 30%, a área de manguezais e gramíneas marinhas em 20% e a cobertura de corais vivos em 40%.

Em 2008, a União Internacional para a Conservação da Natureza, indicava que estavam em risco de extinção 21% de todos os mamíferos conhecidos, 30% de todos os anfíbios, 12% de todos os pássaros, 35% das coníferas e cicadáceas, 17% dos tubarões e 27% dos recifes de corais estavam ameaçados de entrar em vias de extinção.

Também a União Europeia estabeleceu em 2001 o objectivo de na Europa inverter o ritmo da perda de biodiversidade até 2010. Objectivo que falhou.

Mas a União Europeia estabeleceu algumas medidas para protecção de Habitats, ao incluir mais de 17% de área na rede Natura 2000 e em 39 países 16% da área encontra-se protegida através de legislação nacional.

Mas 40% a 85% dos habitats e 40% a 70% das espécies de interesse europeu não possuem um estatuto que garanta a conservação, tendo-se registado um declínio de prados e de áreas húmidas, por outro lado, aumentaram as áreas urbanas, as florestas e os habitats em águas abertas.

Mas há muitos outros riscos para a biodiversidade como indica a Agência Europeia para o Ambiente. Um dos exemplos é o número cada vez maior de espécies invasivas que avançam por várias regiões da Europa.

Uma invasão que se deve sobretudo às alterações climáticas, pois leva fauna e flora a procurar outras regiões. Neste mapa vemos o número de espécies invasivas por região e por cada mil quilómetros quadrados.

Nos últimos 50 anos, verificou-se a degradação de 60% de todos os ecossistemas da Terra e, em consequência, a perda dos serviços ecossistémicos.

Nos oceanos vive 90% de toda a biomassa do planeta, que está a sofrer elevada pressão. Um dos perigos é a sobrepesca que leva à extinção de muitas espécies.

No espaço da União Europeia regista-se desde 1980 o desaparecimento de 10% dos pássaros e desde 1990, 60% de borboletas desapareceram.

A perda da biodiversidade tem várias causas. São exemplos a destruição, a fragmentação e a degradação dos habitats devido às alterações no uso e sobreexploração dos solos; as práticas insustentáveis como a sobrepesca; o avanço das espécies invasivas; a acidificação dos oceanos; a poluição e com um peso cada vez maior as alterações climáticas.

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