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Nº 36
dezembro 2014
Notícias
Um terço da população portuguesa é info-excluída
16-05-2014 18:11
Lúcia Vinheiras Alves
© TV Ciência
Um terço da população portuguesa nunca acedeu à internet e essa tendência verifica-se principalmente entre os indivíduos acima dos 45 anos. Por outro lado, 97% dos jovens entre os 9 e 16 anos possuem perfil nas redes sociais.
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Conferência “A inclusão digital e o desenvolvimento económico” juntou, em Lisboa, especialistas para debater os desafios que Portugal enfrenta ao nível da info-exclusão, assim como, sobre as oportunidades que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) trazem para o país.

A Conferência decorreu no âmbito das comemorações do Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação e foi organizada pela Fundação Portuguesa das Comunicações, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações e pela Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação.

Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência explicou, em declarações à TV Ciência, que um dos grandes desafios do país no que se refere à inclusão digital é o facto de um terço da população portuguesa nunca ter tido acesso à internet.

De acordo com os especialistas da “Rede TIC e a Sociedade”, da FCT, verifica-se que a menor utilização da internet está relacionada com duas variantes: a idade e o nível de escolaridade.

Os dados revelam que, em 2013, a utilização da internet era maior nos indivíduos entre os 16 e 24 anos chegando aos 98%, seguidos dos indivíduos entre os 25 e 34 anos com 92% de utilizadores, um valor que desceu para os 80% entre os 35 e 44 anos, que decaiu para os 54% entre os 45 e 54 anos, para os 33% entre os 55 e 64 anos e para os 19% entre os 65 e 74 anos.


© TV Ciência
No que se refere ao nível de escolaridade, verifica-se que dos indivíduos que possuem o ensino superior 95% utiliza a internet, assim como, 94% dos que possuem o ensino secundário, no entanto, verifica-se que apenas 43% dos que possuem ensino básico dizem aceder à internet.

Os grupos que nunca tiveram acesso estão «bem identificados, têm idades mais avançadas, são pessoas com dificuldades de acesso, dificuldades especiais e também com baixos níveis de escolaridade», adiantou Leonor Parreira.

A Secretária de Estado afirmou ainda que «esse é um dos grandes desafios: diminuir a info-exclusão para que os cidadãos possam utilizar as grandes potencialidades das tecnologias digitais na sua vida e também como instrumento para o desenvolvimento económico do país».

Para Leonor Parreira há também um segundo grande desafio que se prende com a segurança online e «que é um dos receios de toda a população, mesmo a que não é info-excluída», pelo que «o debate e a procura de estratégias e informação que confiram às populações segurança no uso de tecnologias digitais e que permitam a sua própria proteção é um tema de grande importância».

Jovens portugueses nas redes sociais

Mas se há medida que a idade avança existem menos pessoas a aceder à internet, verifica-se completamente o inverso no que diz respeito às crianças e jovens portugueses.

Os dados apresentados na Conferência, são do projeto europeu Net Children Go Mobile, que envolve a realização de questionários a jovens entre os 9 e os 16 anos de sete países europeus – Portugal, Dinamarca, Irlanda, Itália, Bélgica, Roménia e Reino Unido – a fim de investigar o acesso e utilização, riscos e oportunidades da internet móvel para as crianças no contexto europeu.

Cristina Ponte e José Simões, investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, envolvidos no projeto, apresentaram alguns resultados preliminares que indicam que os jovens em Portugal estão a fazer o primeiro acesso à internet cada vez mais cedo, ou seja, aos sete anos de idade.

De entre as principais atividades diárias realizadas pelos jovens na internet destacam-se: ouvir musica, acesso ao perfil na rede social, ver vídeo clips, usar instant messaging, jogar jogos, verificar informação e utilizar a internet para trabalho escolar.

As redes sociais estão no topo das atividades dos jovens online e em Portugal, entre os 9 e 10 anos de idade, 26% dos jovens dizem possuir perfil nas redes sociais, uma percentagem que dispara para os 80% no escalão etário entre os 11 e 12 anos, para os 88% entre os 13 e 14 anos e para os 98% entre os 15 e 16 anos.

No total, 77% dos rapazes possuem perfil nas redes sociais e 75% das raparigas, sendo que o Facebook é a rede social com mais utilizadores.

No total dos jovens portugueses inquiridos, 97% dizem possuir perfil no Facebook comparativamente com 90% da média europeia. No que diz respeito ao número de contactos que possuem no círculo de amigos, 46% indicam ter menos de cinquenta contactos e menos de um quarto refere ter mais de cem contactos.

Os investigadores indicam ainda que 71% dos jovens só aceitam pedidos de quem já conhecem ou conhecem bem, sendo as raparigas mais restritivas do que os rapazes, os mais novos “mais cautelosos” e os mais velhos a apresentar maior tendência para alargar o círculo de amigos.

No que diz respeito às medidas de privacidade no Facebook, cerca de metade indica manter a privacidade, quase 27% controlam em parte a informação que disponibilizam e 24% indicam não fazer qualquer restrição dessa informação.

Os investigadores estudaram também quais os principais locais a partir de onde os jovens acedem à internet e verificaram que em Portugal a maioria (86%) dos jovens acede diariamente a partir de casa e que 49% o fazem a partir da escola, uma percentagem que tem vindo a decrescer já que em 2010 se situava nos 72%.

Os dados revelam ainda que 60% dos jovens portugueses acedem diariamente à internet através do computador portátil quando na Europa é apenas de 46%. O segundo dispositivo mais utilizado pelos jovens portugueses é o smartphone (35%), seguido do telemóvel (26%), do computador de secretária (22%) e do tablet (21%).

Sobre a principal forma de ligação à internet, quase metade dos jovens inquiridos utiliza apenas wi-fi gratuita e apenas um em cada dez jovens diz possuir pacote de internet móvel.

Financiamento do Horizonte 2020 para a inclusão digital

Em debate na Conferência estiveram também as oportunidades de financiamento para projetos de inclusão digital e TIC que surgem no âmbito do Programa europeu de financiamento da investigação e inovação – Horizonte 2020 – para o período de 2014 a 2020.

Filipa Duarte, ponto de contacto nacional para a área das TIC, do Gabinete de Promoção do Programa-Quadro, da FCT, explicou que «existem para 2015 oportunidades de financiamento em duas grandes áreas, na parte das Sociedades Pensadoras Reflexivas e Inclusivas e na parte das Infraestruturas».

Projetos que passam por «uma mistura de plataformas de tecnologias de informação direcionadas para ensino e aprendizagem ao longo da vida», sendo que existe ainda «uma oportunidade de financiamento na parte de infraestruturas para o desenvolvimento de uma infraestrutura com o objetivo de facilitar a parte da inclusão social», explicou Filipa Duarte.

A especialista explicou ainda que os projetos serão «financiados a cem por cento, o que facilita que as entidades que trabalham na inclusão digital possam em âmbito de consórcio desenvolver projetos de inovação ou de investigação para as áreas da inclusão digital».

Estes projetos «devem ter uma base de investigação, em que as entidades se proponham a desenvolver algo que seja para além do estado-de-arte atual em parceria com entidades que cobrem a totalidade da cadeia de valor», acrescentou.

Sobre as oportunidades de financiamento no âmbito do Horizonte 2020, a Secretária de Estado da Ciência afirmou não ter dúvidas «que os nossos investigadores de todas as áreas – sociais, engenharias e de todas as áreas científicas e tecnológicas – terão amplas oportunidades de poder beneficiar do Horizonte 2020 nesta área (inclusão digital), em que a FCT irá participar, ajudar e cofinanciar».

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