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Lua de Saturno Enceladus apresenta indícios de existência de água |
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22-12-2009 15:48
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| © TV Ciência |
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Ao longo da nossa existência fomos mantendo como certeza ’a água é a fonte da vida’. Agora podemos estar perto de encontrar vida fora da Terra. A descoberta vem da Sonda Cassini-Huygens que obteve em Enceladus, uma das várias luas de Saturno, imagens da superfície, que os cientistas acreditam ser indício da existência de água em grandes quantidades.
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Um dos momentos mais entusiasmantes da missão da sonda Cassini-Huygens ao planeta Saturno foi quando estacionou em Titan, a grande lua Saturno. As passagens da sonda sobre Titan confirmaram a presença de lagos de hidrocarbonetos na superfície.
Mas Titan é um dos sessenta satélites naturais de Saturno e a seguir a Titan, a sonda Cassini estudou extensivamente Enceladus – que se vê aqui a passar – é uma lua brilhante e gelada com apenas 500 km de diâmetro.
Em 2005, a equipa do Magnetómetro da Cassini fez uma importante descoberta, que é confirmada pelas câmaras ópticas da sonda: no pólo sul da Enceladus, géisers espectaculares estavam a expelir vapor e partículas de gelo brilhante, a dezenas de milhares de quilómetros, que são o principal contributo para a formação do mais distante anel de Saturno.
O actual Analisador de Pó Cósmico da Cassini, um instrumento desenvolvido pelo Max Planck Institute for Nuclear Physics em Heidelberg, na Alemanha, analisou a composição do anel, e chegou a conclusões espectaculares.
«Encontrámos grandes quantidades de sais nas partículas de grãos de gelo – como sabe, é como o sal de mesa comum – e outros materiais e componentes. Isto foi uma grande surpresa em contraste com os grãos de gelo puro. Uma quantidade tão elevada de sal é invulgar e tem fortes implicações para toda a missão e para a ciência em torno da Lua Enceladus», afirma Ralf Srama, Investigador Principal do Max Planck Institute em Heidelberg.
Os resultados do estudo estão publicados num artigo da Nature, de que é autor principal Ralf Srama. Para os cientistas estas descobertas implicam que grandes quantidades de água, oceanos ou lagos, devem existir no interior da Enceladus ou por debaixo da crosta de gelo.
«Achamos que deve ser mais parecido com um oceano portanto deve estar cheio de água líquida, o que contrasta com o núcleo rochoso quente de Enceladus. Os minerais do núcleo são dissolvidos no líquido e o liquido forma gotas muito pequenas que são depois expelidas pelos géisers da Enceladus, formando o pó do famoso anel em torno de Saturno», explica Ralf Srama, Investigador Principal, Max Planck Institute em Heidelberg.
Após obter as medições de composição e densidade das plumas de água ejectadas pela Enceladus, a sonda Cassini voou perto da Enceladus sete vezes. No sexto voo, em Outubro de 2008, a sonda fez uma rasante a Enceladus, voando apenas a 25 quilómetros da superfície.
O Analisador de Pó Cósmico e outros instrumentos recolheram amostras das plumas e as câmaras da Cassini e sensores remotos enviaram para a terra, algumas imagens de alta resolução muito nítidas daquele mundo frio e gelado.
Ao longo da região do pólo sul da Lua, há múltiplas fracturas abertas e existem estruturas de pequena escala perto dos géisers. Várias planícies e as poucas grandes crateras indicam regiões que são relativamente jovens, e que a Enceladus deve ter estado recentemente activa com algum tipo de ‘vulcanismo aquoso’ ou uma actividade tectónica que renovou a superfície.
«Para formar um líquido são necessárias altas temperaturas, nós também encontramos compostos orgânicos e carbonatos nos grãos de pó e se juntarmos tudo, é possível formar os pressupostos da vida por baixo da superfície e isso é algo que é também muito entusiasmante», refere Ralf Srama, Investigador Principal do Max Planck Institute em Heidelberg.
À medida que a sonda Cassini prossegue a sua viagem em torno de Saturno, estas últimas abordagens sobre as condições pré-bioticas em Enceladus aumenta o interesse sobre esta lua de gelo.
Para além disso, o equipamento europeu a bordo da Cassini está a demonstrar ser um inovador sistema de análises remotas. Não há necessidade de perfurar a superfície da lua: apenas as partículas de pó recolhidas a milhões de quilómetros de distância, podem ajudar a revelar os seus maiores segredos.
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