Nº 24 Set. 2010
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Tecnologia desenvolvida pela ESA usada na Terra em telemedicina
16-12-2009 18:33
 
A telemedicina é uma nova oportunidade para as populações que se encontram muito afastadas dos centros hospitalares. Agora, a ESA está a aplicar em Terra um conceito de controlo remoto de apoio médico por imagens de diagnóstico, com base em tecnologias desenvolvidas para apoio a missões espaciais, nomeadamente em trabalhos de investigação para as futuras missões a Marte.
Estamos no Hospital Universitário de Trousseau perto de Tours, em França. Aqui o Professor Philippe Arbeille desenvolveu um conceito para uso remoto de scan por ultra-som, Um sistema que está agora a ser desenvolvido no âmbito do projecto ARTIS.

A uma centena de quilómetros de Tours, um paciente está a ser preparado para um exame de ultra-som, que será realizado remotamente pelo Professor Arbeille.

«Este tipo de exame surgiu há alguns anos porque tínhamos de estar contactáveis sete dias por semana para todos os pacientes que vinham de hospitais de zonas rurais. De pequenos hospitais. E na maioria das vezes, o paciente vinha até nós para fazermos uma investigação, para no fim acabarmos por dizer, que não havia nenhuma doença séria e que poderia ter sido tratado em casa. Então pensámos, e se pudéssemos fazer este trabalho, este exame, remotamente, utilizando o telefone, a internet, etc.», afirma Philippe Arbeille, Professor Especialista em Ecografia, Hospital Universitário de Trousseau.

O Professor realiza o scan por ultra-som utilizando um computador localizado no seu Gabinete em Tours. Ele consegue comunicar em tempo real com o Hospital através de uma ligação via satélite.

«Isto é como o robot do sistema ARTIS. Aqui temos o paciente. Ali temos o equipamento de ecografia por ultra-som, ali está a sonda. E o que eu tenho de fazer, é muito simples para mim, porque tenho de pôr o sistema no abdómen, na pele onde temos de fazer o exame. E o movimento do ultra-som é activado pelo especialista que está do outro lado do sistema», explica Bernard Comet, Gestor do Projecto Artis.

Através de um joystick, o Professor Arbeille é capaz de controlar remotamente o braço robótico para realizar o exame de ultra-som.

«Agora podemos fazer isto para os pequenos hospitais na vizinhança, para os pacientes no nosso país e é também interessante para pacientes isolados em África, na Amazónia ou que não têm acesso à investigação médica», refere Philippe Arbeille, Professor Especialista em Ecografia, Hospital Universitário de Trousseau.

O projecto ARTIS é financiado pela Agência Espacial Europeia. A ESA está particularmente interessada neste conceito, já que pode ser usado para voos tripulados e actividades de exploração espacial.

«Precisamos destes sistemas, não apenas para utilizar de forma diferente no programa da Estação Espacial, que durará pelo menos 10 anos a partir de agora, mas também para o futuro, para os programas à Lua que pretendemos fazer com parceiros internacionais. Mas ainda mais quando mais tarde formos para a missão a Marte», adianta Didier Schimit, Gestor do Projecto Artis, Esa.

Uma vez em terra, para além dos espaços isolados, existem vários ambientes de trabalho difíceis, como embarcações no mar ou nas plataformas de petróleo. O Sistema ARTIS poderá ser de interesse para estes ambientes apesar dos custos das comunicações.

«Esta possibilidade de fazer um exame de boa qualidade no local, é economicamente e perfeitamente viável, tendo em conta os custos dos meios logísticos envolvidos para uma evacuação», afirma Frank Lacord, Médico, Suporte Médico, IMA, França.

«Eu represento a Unidade de Telemedicina da Guiana. A Guiana aqui é grande distrito do tamanho de Portugal. Que tem a particularidade dos Centros de Saúde estarem isolados e desigualmente distribuídos, principalmente ao longo dos rios e estão ligados ao Hospital de Cayenne através da Rede de Telemedicina. Concretamente são sobretudo as imagens médicas estáticas que são transmitidas entre estes Centros em directo que são as mais importantes para os pacientes e para o pessoal médico nestes Centros», explica Thierry Le Guen, Médico, Chefe Unid. Telemedicina, Guiana Francesa.

O ARTIS demonstra que as aplicações desenvolvidas para os programas espaciais podem se úteis em Terra. Para a ESA, o ARTIS também abre portas para outras aplicações no domínio do apoio médico remoto.

«Escolhemos o exame ultra-som porque é o exame mais difícil, porque tem de ser feito em tempo real, com uma imagem dinâmica, o que significa que a imagem para a qual o radiologista tem de olhar é verdadeiramente em tempo real e ele tem de estar dependente do operacional e precisa, ao mesmo tempo, de visionar a videoconferência», refere Didier Schimit, Gestor do Projecto Artis, Esa.

No futuro, o sistema pode ser estendido a outro tipo de aplicações médicas por imagem. Entretanto, definiu-se que o ARTIS será comercializado em 2010.

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