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CERN: LHC atinge limite histórico na energia de partículas |
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30-03-2010 14:23
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Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel |
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| ©CERN Geneva |
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Acelerador de partículas ou LHC do CERN produz colisão a 7 Tera electrão-Volt e faz história na física de partículas. Uma energia nunca antes alcançada por um acelerador de partículas no mundo.
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A expectativa é grande. Cientistas no CERN não desviam o olhar dos monitores, mas a hora chegou e no grande colisor de hadrões ou LHC os feixes de partículas atingem o limite e a colisão ocorre com 7 Tera electrão-Volt (TeV).
Um acontecimento esperado há muito pelos físicos de todo o mundo. «Hoje é um dia muito importante para a física de partículas. Estamos pela primeira vez a conseguir realizar colisões a uma energia que nunca tinha sido tentada. É três vezes superior ao que os americanos tinham conseguido fazer com o Acelerador deles», afirma José Carlos Silva, investigador do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) e Responsável pela aquisição de dados de uma parte do detector de CMS do LHC, no CERN.
O momento é histórico. A partir de hoje os cientistas dispõem de novos meios para o avanço no conhecimento. «Abre-se uma nova janela do conhecimento do nosso mundo, do Universo que nos rodeia, de nós próprios. E estas janelas abrem-se poucas. Abrem-se uma, por exemplo, talvez num quarto de século», afirma Gaspar Barreira, Presidente do LIP e adianta que «esta nova janela é como todos os saltos no conhecimento. É um salto por uma ordem de dez ou por uma ordem de cem. Dez vezes mais energia ou dez ou cem vezes maior capacidade de se produzir conhecimento».
Um conhecimento que poderá vir a esclarecer a constituição do Universo. «A soma da energia escura mais a matéria escura é cerca de vinte vezes a matéria que nós conhecemos. Portanto, há 95% do Universo que nos rodeia que não fazemos a mais pequena ideia da sua natureza», explica Gaspar Barreira e afirma que «esta máquina é uma janela que nos permite pistas para investigar a natureza desta matéria. Neste momento, os físicos estão cegos para 95% da constituição do Universo, esperemos que esta máquina seja os olhos que nos permitem ver ao menos parcialmente esse mundo».
Uma máquina complexa que recorre a dois feixes de partículas a circularem em sentido contrário e, desta forma, são conduzidos a colisões em quatro locais, nos designados detectores.
«O que se faz é mudam-se os protões que vão num sentido, num tubo da esquerda, dentro dessa zona das experiências mandamo-lo ir para o tubo da direita. E o que vem do tubo da direita, mandamo-lo ir para o tubo da esquerda. Cruzamos exactamente no centro das experiências. Isto é feito usando quadripólos, hexapólos e outros magnetos potentes para podermos variar o feixe que é mais fino que um cabelo e alinhá-los de maneira que eles choquem mesmo no meio», explica José Carlos Silva.
A colisão das partículas gera informação que vai ser armazenada em sistemas computacionais de grande dimensão. «Aquela máquina provoca colisões, e portanto dados, a dez milhões de vezes por segundo e destes dez milhões de vezes por segundo que se produzem dados, os dados são analisados muito rapidamente para só guardar aqueles que tenham potencial de nova física e esses são um em cada dez milhões. Portanto nós só guardamos estes 5 Petabytes é só a fracção dos dados gerados. Os dados gerados são estes 10 Petabytes vezes dez milhões», explica Gaspar Barreira.
São estes dados que vão permitir aos cientistas em todo o mundo confirmar ou não o actual modelo teórico da física. «O famoso Bosão de Higgs certamente, as partículas supersimétricas previstas pelos modelos de supersimetria que poderão existir ou não tal como o Bosão de Higgs. Agora no inicio certamente não serão essas, mas vamos procurar todas aquelas que nós sabemos que existem e, portanto, vamos ter que as procurar e elas vão ter de aparecer na quantidade certa. É uma espécie de certificação do detector e do acelerador com acontecimentos reais. É isso que se faz agora nesta fase inicial», explica Agostinho Gomes, investigador do LIP envolvido na experiência ATLAS, no CERN.
Durante todo o dia, no Pavilhão do Conhecimento/Ciência Viva em Lisboa, físicos portugueses acompanharam e comentaram passo a passo todos os trabalhos que decorreram no CERN, em Genebra.
Um acontecimento que a partir de Lisboa, foi transmitido via internet em webTV. «Nós achámos que era importante partilhar este momento com o público e com muitos alunos e professores que nos acompanham e que se interessam muito por física. Além disso, havendo um evento destes é importante as pessoas perceberem que existe física em Portugal. Que existem físicos, que eles estão envolvidos em laboratórios como o CERN e em experiências e, portanto, a ideia foi não só fazer a transmissão como convidá-los também a vir aqui partilhar os seus conhecimentos e também um pouco ajudar-nos a descodificar esta informação», explica Ana Noronha, Directora Executiva da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica - Ciência Viva.
Durante os próximos meses as experiências no LHC do CERN vão continuar e após um período de paragem os cientistas vão proceder a novas experiências de colisão, desta vez, com energia a 14 Tera electrão-Volt.
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