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Indústria portuguesa nos grandes projectos espaciais |
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09-04-2010 19:31
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Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel |
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Em Coimbra a Active Space Technologies dedica-se ao sector espacial. Especializada nos domínios do comportamento dos materiais no espaço encontra-se envolvida em vários projectos internacionais.
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Entre os mais fascinantes avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas estão as viagens no espaço.
Viajar até outros planetas, instalar no espaço estações onde se habita e se desenvolve ciência, colocar satélites em órbita da Terra para que possamos facilmente comunicar ou para estudo e análise do nosso planeta, são algumas das muitas actividades em que o espaço é o suporte para a acção.
Por detrás de todos estes avanços estão cientistas, técnicos de várias especialidades e grandes organizações como a ESA e a NASA.
Mas também a capacidade inovadora e a competência científica de empresas, como a Active Space em Coimbra.
Uma empresa criada por Ricardo Patrício e um colega, no sector da engenharia espacial. «A Active Space foi fundada em 2004 depois dos sócios, eu e o Bruno, estarmos a trabalhar na Agência Espacial Europeia. Resolvemos aproveitar as nossas competências, o nosso networking e fundar uma empresa em Portugal no sector espacial», afirma Ricardo Patrício, Administrador da Active Space Technologies.
A empresa actualmente com mais de dez colaboradores tornou-se especializada em engenharia térmica e engenharia estrutural de equipamento espacial.
Com uma taxa de crescimento de 50% entre 2007 e 2008, o volume de negócios atingiu os 300 mil euros. «Sendo uma empresa de serviços, nós tentamos diferenciar pela qualidade dos nossos serviços e pela rapidez da resposta. Eu diria que a rapidez da resposta é talvez o elemento diferenciador», explica Ricardo Patrício.
A confirmar a qualidade dos serviços da Active Space estão os contratos estabelecidos com a Agência Espacial Europeia, a Agência Espacial Japonesa e o MIT nos EUA.
Os serviços fornecidos cobrem várias áreas de elevada especificidade técnica. «São serviços de desenho CAD, engenharia térmica, engenharia estrutural, portanto, estamos a falar de fazer cálculos de distribuição de temperatura em componentes de satélites ou então em subsistemas. Verificar se esses sistemas sobrevivem ao lançamento do foguetão, portanto, serviços que aplicamos então ao espaço. E depois começámos a aplicar ao sector automóvel, à fusão nuclear. Estamos agora a começar com bastante força no sector aeronáutico», explica o co-fundador.
Colocar um satélite em órbita é um processo complexo que exige entre outras especificidades a segurança do satélite nas várias fases de impulso, nomeadamente, quando este é submetido ao esforço físico no momento do lançamento para o espaço.
Aqui as frequências de vibração dos materiais podem deformar os componentes do satélite.
São estudos sobre o comportamento físico dos materiais que vão garantir a integridade do satélite. «O nosso objectivo é prever o comportamento do satélite durante o lançamento até à sua órbita espacial, isto é, prever ou dimensionar o satélite de modo a que ele sobreviva as elevadíssimas vibrações que o lançador impõe no satélite», explica.
Outros dos perigos a que estão sujeitos os satélites são as alterações ou variações de temperatura que sofrem os diversos componentes. Proceder à análise térmica dos componentes é um trabalho científico, onde a Active Space possui elevadas competências.
«Uma análise térmica é pegar num componente que o nosso cliente desenvolve – pode ser um sistema electrónico, pode ser um componente óptico, pode ser o próprio lidar, pode ser o próprio satélite completo – e nós vamos fazer o cálculo da distribuição da temperatura, portanto, verificar que componentes estão a que temperaturas, nas diversas fases da órbita», refere Ricardo Patrício.
A temperatura é um dos maiores desafios da missão de exploração do planeta Mercúrio. A missão BepiColombo, prevista para ser lançada em 2013 é um desafio que envolve a Active Space na análise térmica de diversos instrumentos.
«Foi ai que começámos a trabalhar desde muito cedo, nessa missão em vários instrumentos. Um deles para a EFACEC, depois para outras empresas europeias», explica.
Um dos componentes em estudo é MSASI. Aqui, para além da análise térmica e estrutural procede-se ao desenho em CAD. «O MSASI é um instrumento óptico que vai medir os níveis de sódio da atmosfera do planeta Mercúrio. Isto tem repercussões a nível científico, porque permite através de planetologia comparativa, perceber como é que a evolução dos planetas se processa. Como é que perdem atmosfera».
Estes especialistas têm de garantir que as lentes de sílica e a estrutura que as envolve, se expandem e se contraem durante ciclos de calor, o que acontecerá quando o satélite se encontrar em órbita de Marte.
«Do ponto de vista científico, temos operações muito estritas para que os sensores consigam funcionar, quer quando são temperaturas baixas, por um lado, e por outro lado, que as temperaturas não variem muito e, portanto, nós temos de fazer toda uma gestão de fluxos de calor, que é ainda mais complicada do que um satélite normal», afirma o co-fundador da Active Space.
Um trabalho complexo mas onde a Active Space tem já experiencia do projecto ExoMars, nomeadamente, do trabalho com o HP3, um dos instrumentos colocado a bordo do ‘veículo rover’.
Grandes projectos de energia de fusão nuclear, como o JET e o ITER, têm também a colaboração da empresa portuguesa. Tanto o ITER como o JET são reactores experimentais de fusão nuclear, ou seja, um sistema gerador de energia semelhante ao Sol.
«Por exemplo, já desenvolvemos dois sistemas para o ITER, que vai estar situado em Cadarache, em França. Um deles é um braço robótico que vai manipular ou fazer alguma manutenção dentro do próprio reactor. Portanto, não pode haver intervenção humana devido aos níveis de radiação e nós estivemos a desenvolver todo o sistema e a automatização desse braço robótico», explica Ricardo Patrício e adianta que «estivemos também no desenvolvimento da bomba criogénica e nível de análises térmicas. Fornecemos alguns subsistemas como canais de cabos para o JET. O JET é o precursor do ITER, portanto, um sector onde nos sentimos muito à vontade, fruto das nossas competências espaciais».
São várias as áreas e projectos onde esta empresa se encontra envolvida e a aeronáutica é uma delas. «Temos já dois projectos que arrancaram recentemente, quer em UAVs quer em aviões de grande porte, comerciais. Projectos grandes que envolvem a EADS, a casa mãe da Airbus, e são projectos que são significativos em termos de volume para a Active Space», afirma.
Uma empresa que nasceu e cresce com base em ideias inovadoras, mas onde a especialização e a competitividade são as chaves do sucesso. «Acho que mais do que isso, o segredo foi o sacrifício que nós pusemos nos primeiros anos. O sacrifício pessoal», confessa Ricardo Patrício.
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