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Nº 36
dezembro 2014
Tecnologia
Bluepharma inaugura novo Centro de I&D
08-06-2010 15:59
Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel
©TV Ciência
Bluepharma inaugura unidade de produção e Centro de I&D e investe na investigação de novas moléculas para combate do cancro. Em crescimento, a farmacêutica portuguesa espera triplicar produção em 2013.
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Estamos na Bluepharma, uma farmacêutica portuguesa situada perto de Coimbra. Aqui são produzidos diversos medicamentos genéricos para várias áreas terapêuticas. «Temos neste momento um conjunto de quase 40 moléculas, medicamentos diferentes nas várias áreas terapêuticas no mercado. No ano passado, nas farmácias portuguesas conseguimos já colocar cerca de 1 milhão de unidades, é um valor para nós importante, mas de facto a nossa orientação está mais orientada para fora e para produzir medicamentos para outras companhias», explica Paulo Barradas Rebelo, Presidente do Conselho de Administração da Bluepharma.

Outras companhias internacionais bem conhecidas no mercado farmacêutico. «A Merck, a Milena, a Sandoz, o grupo Servier, a Stada a Ratiopharm. Portanto, temos alguns dos nomes mais emblemáticos do mundo na área farmacêutica são hoje nossos clientes», afirma o Administrador.

A Bluepharma exporta 80% da produção directamente para vários países, incluindo os EUA. «Somos a única empresa em Portugal certificada pela Food and Drug Administration (FDA). Foi um marco histórico na empresa porque foi o absorver uma cultura de grande exigência, foi um esforço de toda a equipa muito grande», explica Paulo Barradas e adianta, «somos os únicos a produzir cápsulas e comprimidos para o mercado norte-americano, um mercado muito exigente mas um mercado muito apetecível pela dimensão que tem».

Desde 2001, quando a Bluepharma adquiriu a unidade de produção à Bayer, que não pára de crescer, passando dos 58 empregados para os actuais 180. Empregados altamente qualificados e de várias áreas disciplinares.

«Temos uma relação muito estreita com a Universidade de Coimbra. A maior parte do nosso quadro provem exactamente da Universidade e temos gente na área das ciências farmacêuticas, dizemos muitas vezes que somos já o primeiro empregador de farmacêuticos da nossa região, e temos também muitos engenheiros químicos, muitos bioquímicos e muitas outras áreas da ciência», explica o Administrador.

O sucesso da Bluepharma está associado à capacidade de inovar através de uma ligação à investigação. Uma área que vai ter novo impulso com uma nova unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D).

«Inaugurámos em 2003 o primeiro Laboratório de Investigação e Desenvolvimento e, neste momento, esse Laboratório já não dava para as encomendas. Decidimos construir um novo laboratório de I&D, onde temos hoje já um corpo de gente muito qualificada a trabalhar e podemos afirmar, nove anos depois, que o projecto foi completamente alavancado nesta componente do conhecimento e assumir como uma verdade que hoje as empresas que não se afirmem pelo conhecimento que terão muito mais dificuldades», afirma.

É esta nova unidade de Investigação e Desenvolvimento que o Presidente da Republica inaugura e visita. Um momento para destacar a importância da Bluepharma enquanto empresa portuguesa, mas também pela ligação que estabelece com as instituições universitárias.

«Acabámos de inaugurar as novas instalações de uma empresa que aposta na I&D como factor decisivo da competitividade, uma empresa que tem como estratégia a penetração em novos mercados internacionais e que já regista um elevado conteúdo de exportação, uma empresa que desenvolve uma cooperação com as instituições universitárias em particular com a Universidade de Coimbra, por forma a potenciar os resultados do seu próprio laboratório», explica Cavaco Silva.

Mas o Presidente da República afirma mesmo que «trata-se de uma empresa que se insere de uma forma nítida nos caminhos que Portugal tem de trilhar para ultrapassar os graves problemas que enfrenta neste momento, em que o principal é o excesso de endividamento externo que se tornou escasso e caro nos últimos tempos como há muito tempo era previsível».

Com um volume de negócios de 14 milhões de euros em 2009, a Bluepharma é 17ª empresa que mais investe em I&D em Portugal. Uma estratégia adequada para reforço da competitividade, lembra o Presidente da República.

«E sublinho também o facto de se tratar de uma empresa privada que aposta na investigação própria», refere Cavaco Silva e adianta que «os empresários portugueses têm de fazer um compromisso maior, apesar dos progressos feitos nos últimos tempos, para apostar mais fortemente na investigação, desenvolvimento e inovação. É essa a fórmula adequada de conquistar competitividade e nunca através da procura do encosto ao Estado ou ao poder político».

A Bluepharma actua activamente na produção de medicamentos genéricos através de desenvolvimento galénico e analítico, ou seja, na preparação de novas formulações.

«Nós fazemos desenvolvimento de moléculas que já não estão sob patente, portanto, que vão dar origem a genéricos, quer sejam medicamentos próprios, quer sejam em parcerias com outros clientes, com outros parceiros, quer sejam mesmo para clientes como sub-contratação, sempre no desenvolvimento de formulações, que é o desenvolvimento galénico. E no desenvolvimento analítico, dentro do desenvolvimento analítico, nós fazemos toda a parte que vai suportar o desenvolvimento da formulação. Nós estamos a desenvolver uma mistura de pós que vai dar origem aos comprimidos e depois temos de caracterizar esses comprimidos que estão a ser formulados», explica Sónia Alfar, Directora do Desenvolvimento Analítico e Galénico da Bluepharma.

Mas a Bluepharma pretende ir mais longe e está a investigar novas fórmulas terapêuticas para o cancro da próstata. «O que foi feito foi o desenvolvimento de uma formulação em que se usa um sistema nanotecnológico que encapsulou duas moléculas de fármaco. Ao encapsular essas duas moléculas de fármaco, em proporções que foram estudadas, nós conseguimos uma acção não só localizada, porque a nanotecnologia é um sistema de vectorização de fármacos, portanto, vai levar o fármaco ao sítio da acção. Não só permitiu direccionar para o cancro da próstata mas também tem uma combinação dos fármacos em proporção adequada», explica Sónia Alfar.

Actualmente em estudo, em linhas celulares e em testes animais, o medicamento apresenta já resultados positivos. «Foi conseguida uma formulação com uma elevada capacidade de encapsulação com estabilidade. Porque o sistema nanotecnológico às vezes tem um problema de estabilidade, portanto, conseguimos estabilidade da formulação, grande capacidade de encapsulação e uma capacidade de vectorização que é levar o fármaco à zona de acção, que é o cancro», explica a Directora.

Para além da eficácia no combate das células cancerígenas, a nova formulação apresenta também menores efeitos secundários. «Porque os sistemas como são vectores têm na sua superfície esses marcadores que identificam só os receptores das células cancerígenas da próstata e então quando passam pelas células saudáveis não fazem nada, simplesmente passam. Depois quando chegam nas células cancerígenas ligam-se e concentram-se nessa zona. Ao se concentrarem vão ter a sua acção localizada, é por isso que os sistemas de vectorização diminuem muito os efeitos secundários porque não são as moléculas livres que estão e que vão fazer os diferentes efeitos secundários como a alopécia, as náuseas, os vómitos e todos aqueles efeitos desagradáveis. Portanto, vai concentrar permitindo que se baixe a dosagem porque se vai concentrar no local onde efectivamente tem de se dar a acção do fármaco».

Mas há outros projectos de investigação para terapêuticas na área das doenças cancerígenas. «Chama-se terapia fotodinâmica. A terapia fotodinâmica é uma terapêutica que já existe hoje e que consiste em administrar uma molécula que vai estar distribuída no organismo e o objectivo é pegar essa molécula localizá-la num determinado local de acção. Esta molécula é inócua quando é administrada. Quando está no local de acção ao incidir radiação com determinadas intensidades de energia e comprimentos de onda, vai haver uma transformação da molécula e vai formar radicais livres. Os radicais livres são altamente tóxicos para as células e, portanto, nesse momento os radicais vão destruir as células onde essas moléculas se encontram», explica a Directora do Desenvolvimento Analítico e Galénico da Bluepharma.

Um problema que os investigadores pretendem resolver com recurso a novas moléculas. «O que é que aconteceu na terapêutica fotodinâmica? A Universidade de Coimbra, o Departamento de Química, conseguiu sintetizar moléculas novas, conseguiu sintetizar várias moléculas e depois de ter essas moléculas em colaboração com a Bluepharma. O objectivo da Bluepharma foi pegar nessas moléculas e tentar testá-las em modelos celulares, modelos celulares que vão simular vários tipos de cancro», explica.

Cancros da próstata, do cólon, da mama ou da pele. Também aqui o desafio para os investigadores é direccionar a molécula a determinados tipos de células cancerígenas.

«Temos a molécula que foi sintetizada pelo Laboratório de Química da Universidade de Coimbra e se conseguirmos vectorizar isso para um cancro como, por exemplo, o melanoma, nós conseguimos incidindo a luz naquela zona ter o efeito de morte celular. O que é usado neste momento não é em cancro, é utilizado noutras terapêuticas oculares», explica Sónia Alfar.

Novos medicamentos e novos mercados, a Bluepharma espera atingir até 2013 um volume de negócios de 70 milhões de euros e empregar 250 colaboradores e destes 70 dedicadas à investigação e ao desenvolvimento.

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